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Metade Sul terá termelétrica de R$ 1,8 bilhão

26/02/2008

     Agora é oficial. Amanhã às 15h, a MPX, do empresário Eike Batista, assina com o governo gaúcho um protocolo de intenções para construir a termelétrica Seival II em Candiota, com 600 megawatts (MW) de potência. A empresa se compromete a aplicar no projeto pelo menos R$ 1,8 bilhão, que nos cálculos oficiais renderiam 4 mil empregos diretos e indiretos na região de Bagé, em mais um estímulo à Metade Sul do Estado.

     Ainda não está confirmada a presença de Eike Batista, dono do grupo EBX, do qual a MPX é subsidiária, mas comparecerá à cerimônia no Palácio Piratini o presidente da empresa, Eduardo Karrer. Destacada em manchete de Zero Hora em 27 de dezembro, a intenção do grupo de investir no carvão gaúcho ganhou forma e se cristalizou em negociações com a Secretaria da Fazenda. Até então, as tratativas envolviam conversas preliminares com diretores da MPX.

     O contato foi assumido pelo titular da pasta, Aod Cunha, que buscou contato pessoal com Eike por meio de um amigo comum, Rodolfo Reichert, diretor do banco UBS Pactual no Brasil. Uma das líderes da oferta pública de ações do Banrisul, a instituição de origem suíça também assessorou a abertura de capital da MPX. A proximidade pessoal desenvolvida durante as duas operações acabou funcionando como uma ponte entre os interesses da companhia e do governo gaúcho.

     Quando tentou localizar Eike na virada do ano, Aod descobriu que o empresário estava na casa de Reichert em Angra dos Reis (RJ). Os dois acabaram conversando e desfazendo dúvidas sobre o investimento. As principais preocupações da MPX eram relativas à situação fiscal do Estado e à disponibilidade de água na região, questão crucial para a operação da usina. Conforme o secretário, a principal contrapartida do Estado é o diferimento (adiamento) de ICMS relativo à compra de equipamentos para a termelétrica.

     - Tem zero de incentivo fiscal - assegura Aod, destacando que Seival II não é apenas mais um projeto, porque representa 15% do total da demanda de energia do Estado.

     

Aod antecipa que projeto

será o primeiro de uma série

 

     Ainda não ficará definida no protocolo a ser assinado amanhã a exata localização da térmica, apenas a implantação em Candiota. O ajuste fino depende do detalhamento do projeto, mas, segundo Aod, a MPX não tem preocupação de se afastar da faixa de fronteira para evitar que o licenciamento ambiental fique a cargo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). No prospecto da oferta pública de ações da MPX, o investimento estimado para Seival II era de US$ 1,39 bilhão (cerca de R$ 2,3 bilhões em valores atuais), calculado por uma consultoria na área, a Black & Veatch. O valor no protocolo que será assinado amanhã representa um compromisso mínimo da empresa.

     - Esse é o primeiro de uma série de investimentos que vêm para o Estado porque o ajuste (fiscal) está sendo feito - destacou Aod ontem.

 

Quem é ele

 

     Para a maioria dos gaúchos, Eike Batista é o ex-marido da atriz e modelo Luma de Oliveira ou o filho de Eliezer Batista, ministro de Jango e um dos artífices da Vale, quando a companhia ainda era estatal. Desde os 24 anos, quando voltou ao Brasil depois de se formar em engenharia de minas na Alemanha, o empresário gosta de se associar ao risco. Com essa idade, conquistou um parceiro comercial que respondia por Ditão e controlava o garimpo de ouro em Alta Floresta (MT). Aos 26 anos, Eike já estava montado sobre um patrimônio de US$ 6 milhões.

     De perfil ousado, seja na vida empresarial ou pessoal, agora faz planos para se tornar, nada mais, nada menos, do que o maior gerador privado de energia elétrica do país. Seu escritório, no Rio, é decorado por fotos de disputas de offshore (lanchas de alta velocidade, espécie de Fórmula-1 dos mares). No esporte, também quer quebrar recordes e derrubar competidores.      Nascido em Governador Valadares (MG), Eike traz agora para o Rio Grande do Sul seu efeito multiplicador: esse desejo é a explicação para o fato de todas as suas empresas terem siglas terminando com X.

 

Escassez de energia

faz renascer carvão

 

     Com a oficialização do investimento da MPX em Candiota, será dada a largada da redescoberta do carvão gaúcho, que teve como precursora a Fase C da usina Presidente Médici. No local, trabalham desde janeiro mais de 200 pessoas, número que deve chegar a 1,5 mil até agosto. A movimentação da cidade não assombra o prefeito Marcelo Menezes Gregório (PMDB), que já esperava a oficialização de Seival II pela governadora Yeda Crusius nesta semana.

     - Já estamos buscando capacitação, com cursos profissionalizantes, mas nem se qualificássemos toda a população da cidade haveria gente suficiente – observa. Marcelo, relatando que sua preocupação foi garantir o abastecimento de água e projetos habitacionais para abrigar o pessoal vinculado à operação.

     No dia seguinte à assinatura do protocolo entre governo e MPX, o futuro do carvão gaúcho vai ganhar um novo reforço: a Frente Parlamentar do Carvão, formada por mais de 200 deputados e senadores, reúne-se com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Fernando Zancan, presidente da Associação Brasileira do Carvão Mineral, explica que a principal reivindicação é tornar mais favoráveis a essa fonte térmica as regras dos próximos leilões de energia. Segundo Zancan, é preciso ampliar as condições para que os empreendedores apostem no carvão com mais segurança.

     - Se olhar em volta, a situação (de abastecimento de energia) está muito complicada. Brasil e Argentina disputam o gás boliviano, e nesse cenário as reservas gaúchas estão muito bem posicionadas. O carvão importado está com preço nas alturas, e o mundo disputa cada hidrocarboneto possível - resume Zancan.

     Antes de negociar a implantação de Seival II, a MPX já havia enveredado pela geração térmica a carvão: no final do ano passado, vendeu em leilão a energia de duas usinas no Nordeste que serão abastecidas com minério importado.


Zero Hora

Porto Alegre/RS

Economia

26/02/2008

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