Acesso Restrito

Uma alternativa para o gás natural

25/01/2008

     Na próxima terça-feira, a diretoria da SCGás irá se reunir para discutir questões relacionadas ao reajuste do gás natural para as indústrias. A novela, que já dura semanas, deve mesmo terminar no início da próxima, já que a presidência da estatal divulgou que as indústrias começarão a pagar mais caro pelo metro cúbico do gás consumido (provavelmente entre 10% e 11%) a partir do início de fevereiro. As cerâmicas, informadas oficialmente do reajuste no início desse ano, fizeram as contas e chegaram à conclusão de que o reajuste não poderia ultrapassar 6%. E prevendo dificuldades pela frente, o setor já planeja utilizar carvão em parte do processo produtivo para equilibrar os custos.

     Segundo Otmar Müller, presidente do Sindicato das Indústrias Cerâmicas de Criciúma e Região (Sindiceram), em um primeiro momento, a utilização do carvão, caso necessário, seria no atomizador (equipamento que transforma a massa cerâmica do estado líquido-pastoso para o estado sólido e semi-seco).

Já a utilização do carvão nos fornos, segundo ele, só seria possível com a gaseificação do minério, o que era feito até os anos 90 pelas cerâmicas da região. "Mas a tecnologia tinha subprodutos danosos ao meio ambiente e a eficácia não era tão boa. Por isso o carvão acabou perdendo viabilidade econômica e espaço para o gás", afirma Muller. Ainda há o problema da dificuldade de gaseificar o gás em escala industrial. Segundo Müller, a Satc já estaria desenvolvendo pesquisas nesse sentido, mas até agora os resultados não permitem o atendimento do setor. "De imediato a tecnologia não é viável e não tem escala para atender à demanda", afirma.

 

Dólar em  baixa

 

     Para o presidente do Sindiceram, não há razão para o reajuste, uma vez que o dólar, motivo alegado para os reajustes até então, sofreu uma desvalorização de 21% nos últimos tempos. "O principal indexador é o dólar, e ele caiu. O transporte também não é desculpa, porque também tem como base o dólar. Afirmam que a causa é a alta do petróleo, mas o preço do produto já está sofrendo quedas", diz. Não bastasse o reajuste, as indústrias ainda têm que disputar o combustível com as usinas de energia elétrica, que com a queda no volume dos reservatórios das hidrelétricas, estão utilizando o gás para produzir eletricidade.

 

 

Empresa de Tubarão ainda usa o

carvão para produzir revestimentos

 

     No Sul do Estado, há empresas que não aderiram totalmente ao gás natural. Uma delas é a Itagres, de Tubarão. A cerâmica utiliza o gás natural nos fornos e secadores. Mas a matriz energética também inclui o carvão, usado nos atomizadores. Segundo John Victor Mueller, diretor executivo da Itagres, a empresa já teve oportunidades para aderir totalmente ao gás natural, mas não o fez por ser cética quanto à política de reajuste do combustível.

     Além disso, o carvão é mais barato que o gás natural. Segundo Mueller, o custo do mineral por milhão de BTUs equivale a 15% do preço do gás natural pelo mesmo milhão de BTU's. "São inegáveis as vantagens do gás natural, mesmo tendo o custo mais alto. Ele tem uma queima mais limpa, por exemplo. Mas mesmo assim, não há como desprezar a diferença de custo entre os dois.      Por mais que seja um combustível ecologicamente correto, o preço do produto final fica mais caro e não podemos inviabilizar o negócio", afirma. Por esse motivo, a cerâmica está ainda utilizando o carvão em parte do processo (atualmente consome 2,5 mil toneladas por mês). Além disso, a empresa toma as medidas necessárias para assegurar a redução dos problemas ambientais, como a utilização de lavador a gás e filtro indicado por órgãos ambientais, segundo Mueller.

 

Aumento no gás preocupa

 

     Mesmo com a utilização do carvão em parte da matriz energética térmica, o diretor executivo afirma que a Itagres está preocupada com o reajuste do gás na- tural. Isso porque, esse tipo de matriz energética corres- ponde aos segundo maior custo da cerâmica, e o gás natural, a 85% da matriz. Para ele, o reajuste do combustível acarretará em um aumento do produto final, e o setor está de pés e mão atados. "Toda tentativa para reprimir o reajuste é válida, mas não há o que fazer".

     Com o aumento, diz o diretor da Itagres, cada empresa terá que analisar a sua situação e saber até onde poderá assimilar o reajuste das tarifas. "Quando não se tem o poder de negociar, ou se paga ou se muda. E para mudar, é preciso encontrar alternativas, e infelizmente não temos muitas. Se todo mundo mudar para o carvão mineral, o preço também irá disparar com o aumento da demanda. Usar o GLP também é difícil", afirma. Mueller também chama a atenção para o aumento dos preços da cerâmica. Segundo ele, o consumidor tem um limite para suportar o aumento. "Quero saber até quando as cerâmicas terão 'gás' para agüentar", diz.


A Tribuna

Criciúma/SC

Economia

25/01/2008

    Somos associados

     

  • CIAB
  • epe
  • World Coal Association
  • Global CCS Institute

Rua Pascoal Meller, 73 - Bairro Universitário - CEP 88.805-380 - CP 362 - Criciúma - Santa Catarina
Tel. (48) 3431.8350/Fax: (48) 3431.8351