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ARTIGO: Energia – não existe a bala de prata

21/11/2007

     No mundo da energia, temos vários analistas que manifestam sua opinião sobre a geopolítica energética e suas consequências e reflexos nos preços do petróleo e no gás. As opiniões variam. Alguns acreditam que podemos chegar a preços da ordem de 300 U$/barril, em 2020, outros a 100 U$ /barril, em 2030.

     Algumas tendências já estão se concretizando: um novo patamar de preços de no mínimo 60 U$/barril, o domínio das reservas de petróleo e gás nas mãos de companhias estatais (cerca de 80%), a concentração da população nas mãos  da OPEP (cerca de 42%) e o aumento da depência energética de grandes consumidores (Europa, USA, China, Japão).

     Com o petróleo a patamares de 90 U$/barril, a conta das USA e da Europa tem um acréscimo de cerca de 300 milhões de dólares por dia para cada um deles. Do outro lado, os países produtores têm um adicional de receita de U$ 500 milhões/dia, segundo a revista Newsweek de 5 de novembro. Neste particular vemos uma mudança de cenário, onde o petóleo passa a ser uma commodity estratégica de suma importância para o mundo, levando a uma revisão de políticas públicas na área de energia na busca da segurança energética. O espectro de poder por trás de um quadro sinótico de controle dos gasodutos da Gazprom na Rússia deve ser interessante.

     Na China, o consumo de óleo cresce cerca de 8,7% ao ano – no mundo cresce 1,5% - levando o consumo da China a passar de 6,4% da produção mundial em cinco anos. Essa avidez pelo consumo de petróleo e gás da China, Índia e países desenvolvidos e a inoperância dos países produtores – o Irã, que detêm 26% das reservas de petróleo e gás somadas do mundo, importa petróleo – levam o mundo a buscar aternativas para superar essa crise. Não existe uma única alternativa, não existe bala de prata, temos que buscar todas as alternativas, iniciando com a eficiência energética, passando pelos biocombustíveis e trazendo à tona o papel relevante do carvão mineral, um combustível que pode produzir líquidos (diesel, por exemplo), gás e energia elétrica e cujo consumo cresceu nos últimos cinco anos 24,1% praticamente o dobro do gás.

     No Brasil, país afortunado pelos opções energéticas que dispõe, programas governamentais já alavancam os biocombustíveis, cuja eficiência energética é ainda tímida, mas o carvão mineral nacional, maior recurso fóssil do país, sempre é esquecido e estigmatizado.

     Temos a certeza de que o desenvolvimento de tecnologias para o uso do carvão mineral nacional demonstrará, como já ocorre na Índia – cujo carvão é similar ao nosso – que é possível contribuir para a segurança energética.      Nesse sentido, são bem-vindas as iniciativas do Ministério da Ciência e Tecnologia e do Governo de Santa Catarina que estão incentivando a valorização do carvão nacional. Indústria, Governos e academia, de forma coordenada, serão a alavanca para que tenhamos tecnologia e massa crítica para desenvolver de forma sustentável o nosso maior recurso energético fóssil: o carvão mineral.

 

Fernando Luiz Zancan

Presidente da Associação Brasileira do Carvão Mineral - ABCM


A Tribuna

Criciúma/SC

Artigo

21/11/2007

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