Acesso Restrito

Carvão, tecnologia e compensações

20/11/2007

     O Brasil precisa desenvolver novos métodos considerados "limpos" para garantir a demando de energia no futuro, mas, até lá, deve utilizar os meios convencionais, minimizando ao máximo o impacto ambiental. Esse foi o pensamento que ficou após a audiência pública realizada ontem, em Criciúma, sobre o papel dos combustíveis fósseis (entre eles o carvão) na matriz elétrica brasileira, promovida pelo Congresso Nacional.

     A reunião, realizada na Satc, foi presidida pelo relator da Comissão Mista Especial do Congresso sobre Mudanças Climáticas, senador Renato Casagrande (PSB-ES), e contou com a participação de empresários e traba- lhadores do setor carbonífero, políticos da região e representantes de entidades ambientalistas.

     Durante o evento, o secretário-exe- cutivo do Sindicado da Indústria da Extração do Carvão de Santa Catarina (Siecesc), Fernando Zancan, apresentou uma palestra sobre as novas tecnologias que estão começando a ser utilizadas como forma de reduzir a emissão de gás carbônico causada pela queima de carvão, com destaque para a captura e armazenamento do gás no subsolo. "É preciso reavaliar todas as informações a respeito do carvão sob a luz de novas tecnologias. Hoje é possível reduzir bastante o impacto ambiental gerado pela queima de carvão", disse.

 

Drenagem

ácida

 

     O engenheiro ambiental Carlyle Torres de Menezes, professor da Unesc, enfatizou que o aquecimento global é uma realidade, e que a sua principal causa é a emissão do gás carbônico, que representa 80% dos gases que provocam o efeito estufa. Entretanto, na sua opinião, o principal problema ecológico causado pela exploração do carvão é a drenagem ácida.

     Mesmo assim, defendeu o desenvolvimento de tecnologias alternativas para a geração de energia. "Já existem novos modelos de matriz energética. Se não trabalharmos desde já num processo de transição, será tarde demais para evitar danos irreparáveis com relação ao nosso clima", afirmou.

     Ao final da audiência, o senador Renato Casagrande disse estar satisfeito com o resultado. "Mais do que audiência em si, o mais importante foi ter conhecido a Usina Termoelétrica Jorge Lacerda e o interior de uma mina de carvão. Desta forma, pude observar a realidade de quem está envolvido no processo e isto será muito útil para o meu relatório", avaliou.

 

Relatório sai

em dezembro

 

     Casagrande adiantou que seu relatório, que será apresentado em dezembro, apresentará uma análise "equilibrada" sobre o papel do carvão na matriz energética brasileira. "É uma questão que eu percebi ser bastante polêmica, mas no meu relatório vamos tratar desse assunto com bastante equilíbrio", comentou. "Novas matrizes energéticas que não provoquem emissão de gás carbônico são fundamentais. Mas, diante da expectativa do aumento da demanda de energia nos próximos anos e até termos a capacidade para desenvolvermos novas tecnologias, o combustível fóssil pode ser explorado, desde que minimizados ao máximo os impactos ao meio ambiente", finalizou.


A Tribuna

Criciúma/SC

Política

20/11/2007

    Somos associados

     

  • CIAB
  • epe
  • World Coal Association
  • Global CCS Institute

Rua Pascoal Meller, 73 - Bairro Universitário - CEP 88.805-380 - CP 362 - Criciúma - Santa Catarina
Tel. (48) 3431.8350/Fax: (48) 3431.8351