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ARTIGO - “Não há perigo imediato de faltar gás para os cariocas”

06/11/2007

     Esta era a manchete do jornal "O Radical", do Rio de Janeiro, em 20 de Julho de 1941. Pois 66 anos depois as manchetes dos jornais cariocas da última semana anunciaram cortes de fornecimento de gás natural em virtude da necessidade de usá-lo para geração térmica, num momento em que temos que segurar nossos reservatórios. O cobertor está curto. Ou atendemos aos consumidores que apostaram no gás natural – (veicular e indústria) ou seguramos o sistema elétrico interligado com a geração em termelétricas. Ao ouvir o presidente da República afirmar que devemos reduzir o consumo de gás natural, parece que estamos na Argentina, onde aconteceu racionamento de gás, ou no Chile e Uruguai, que padeceram da falta de energia ocasionada falta de gás argentino.

     Pois bem, e o velho carvão mineral brasileiro?

     Em 1941, quando o Rio de Janeiro era abastecido por gás de carvão, principalmente importado, com a crise de energia da Segunda Guerra Mundial o carvão mineral nacional foi chamado a contribuir para que a "Sociedade Anônima de Gaz" abastecesse de gás a nossa capital.

     Pelo visto, estamos assistindo ao mesmo filme, só que desta vez não temos uma guerra declarada, mas uma guerra mundial surda pela segurança energética e que impacta nos preços dos energéticos, principalmente do petróleo e do gás natural. Num recente estudo publicado pelo Congresso Mundial de Energia do mundo analisando o cenário energético nos próximos cinco anos, verificou-se que 70% deles acham que o petróleo não baixa de 60 U$/barril, 90% acham que o preço do gás fica acima de 10 U$/MMBTU e 80% acham que o carvão mineral é a espinha dorsal da segurança energética do mundo.

     No momento que discute-se, no Brasil, o abastecimento do gás natural com GNL, devemos pensar no custo que o Brasil vai pagar por essa opção energética. Observando o resultado de últimos leilões de energia, verificamos que o modelo de leilão está conduzido a um incremento de usinas a óleo combustível, que serão despachadas quando for preciso (20% do tempo segundo alguns analistas). De 1990 até 2005 aumentamos 25 MW na potência hidráulica instalada, mas nossos reservatórios permaneceram com os 190MW de capacidade de armazenamento. As perspectivas para os novos projetos é reduzir reservatórios para causar menor impacto ambiental, ou seja, estamos cada vez mais operando a fio dágua e dependentes de São Pedro. Será que quando chamadas a operar em plena carga essas usinas termelétricas a óleo terão condições? A que preço teremos que pagar essa energia com um petróleo a quase 100 dólares?

     Felizmente, hoje temos planejamento "energético" para definir políticas públicas que ganharam a segurança energética do Brasil. O Brasil conta, apesar de um inventário incompleto, pois paramos as pesquisas geológicas na década de 80, com recursos da ordem 32 bilhões de toneladas de carvão mineral, que já é a maior reserva fóssil do nosso país e a segunda reserva em energia.

     Deste carvão, podemos produzir – via gaseificação – gás para indústria, gerar energia elétrica e inclusive produzir combustíveis líquidos de alto valor agregado.

     O setor carbonífero nacional vem, há mais de uma década, discutindo com o Governo Federal propostas de políticas públicas para que o carvão nacional possa contribuir com a segurança energética do Brasil. Projetos de novas usinas térmicas foram desenvolvidos, licenciados ambientalmente, mas continuam no papel. Não gostaríamos de rever o filme da história, que é preciso haver uma crise para ser lembrado, como em 1941. Creio que há ainda é tempo.

 

Fernando Luiz Zancan

Presidente da Associação Brasileira do Carvão Mineral


Jornal da Manhã

Criciúma/SC

Artigo

06/11/2007

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