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ARTIGO - O estigma de Zola

16/10/2007

     O escritor naturalista Émile Zola, em seu livro Germinal, descreve a mineração de carvão na França no século XIX, com trabalho infantil e péssimas condições trabalho. No Brasil do século XXI ainda vemos situações de trabalho que poderiam ser descritas pelo escritor francês, mas não na atividade de mineração de carvão mineral, onde não existe trabalho infantil e cujas condições de trabalho são dignas, com saúde e segurança totalmente dentro da legislação. O carvão mineral é pouco utilizado e conhecido no país. Sua imagem é confundida com a da indústria de carvão vegetal, "as carvoarias", onde o trabalho infantil ainda persiste e as condições de trabalho são iguais a época de Zola.

     Uma campanha publicitária da Procuradoria Regional do Trabalho de São Paulo é um exemplo disso, citando trabalho infantil em mina de carvão em Minas Gerais, onde sequer existe carvão mineral. Na mesma linha de desconhecimento da realidade do trabalho nas minas de carvão, onde o salário médio é 50% maior que a média da Região Sul de Santa Catarina, há comparações indevidas entre o cortador de cana e o mineiro de carvão. Nas minas de carvão a céu aberto os operadores de máquinas trabalham com ar condicionado, e no subsolo, onde a temperatura é de 22 graus, trabalham seis horas por dia operando equipamentos altamente mecanizados.

     No dia 13 de setembro, uma audiência pública realizada na Câmara dos Deputados teve por motivação "as péssimas condições de trabalho da mineração de carvão". Os "participantes da mesma foram unânimes em sustentar que os problemas ambientais e de saúde dos trabalhadores foram praticamente sanados", informa o Jornal da Câmara. É o estigma de Émile Zola permanecendo na imagem da indústria do carvão mineral.

 

FERNANDO LUIZ ZANCAN/ Presidente da Associação Brasileira do Carvão Mineral


Diário Catarinense

Florianópolis/SC

Artigo

16/10/2007

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