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ARTIGO - Projeto Hercílio Luz: proposta de parceria

26/09/2007

Ademar José Fabre (Economista/MSC em Desenvolvimento Regional)


     As já conhecidas limitações físico-territoriais do município de Criciúma, hoje com 210 km², são obstáculos difícil de transpor, quando se trata de disponibilizar áreas adequadas para algum empreendimento de vulto, especialmente de natureza industrial.

     Quando a preferência é a rodovia BR-101, que oferece mais atrativos para a finalidade, o município fica inda mais fragilizado, ao dispor de pouco mais de 6 km lineares daquela valorizada via federal, em fase adiantada de duplicação.

     Uma das formas de encarar essa carência crônica de espaços para empreendimentos industriais, especialmente, seria um projeto de parcerias com os municípios limítrofes do eixo longitudinal norte sul da BR-101.

     A idéia proposta é de formar-se uma área ou distrito industrial intermunicipal, dispondo de terrenos as margens da rodovia,desde a ponte do rio Araranguá, ao rio Urussanga, com incentivos econômico-fiscais comuns, um conselho regulador e tudo o mais permitido em lei para atrair investidores locais e de outras regiões para formar o verdadeiro eixo de desenvolvimento.

     Esse eixo ou distrito industrial alongado compreenderia 20 km lineares em Içara, 6 em Criciúma, 6 em Maracajá e os 9 restantes no trecho de Araranguá daquela via federal. Outro empreendimento para ser implantado na região, atuando de forma complementar,mas não necessariamente na área industrial,é o que seria chamado de Projeto Hercílio Luz,com origem no nome do Distrito de Araranguá limítrofe do extremo-sul do território de Criciúma.

     Partindo de uma reivindicação já antiga de parte daquela comunidade, aliando-se ao velho sonho dos criciumenses de reaver pequena parte da costa atlântica, mais as necessidades territoriais para empreendimentos de natureza econômica aqui defendidos, propor-se-ia ao município de Araranguá a cessão de parte daquele distrito, tudo na forma da lei e de acordo com a comunidade, para um projeto conjunto, que consistiria em:

 

a)     cessão de cerca de 50% da porção territorial do distrito localizada no lado norte/nordeste, limítrofe com o município de Içara.

b)     Construção, a cargo de Criciúma, em convênio com o Governo do Estado, de toda uma infra-estrutura econômica e social para atender aos dois distritos, então formados: vias de acesso, posto de saúde 24 horas, escola de ensaio médio, estudo de uso do solo, reservando-se parte deste para utilização industrial, integrando o projeto de parcerias acima proposto.

c)     Construção de uma canal para desvio do rio Mãe Luzia, com cerca de 15 km. de extensão, com início em um ponto a montante da cidade de Maracajá, em linha reta, desaguando na praia de Barra Velha. Este canal serviria para evitar a descarga das águas poluídas do Mãe Luzia no leito principal do rio Araranguá, evitando, assim, poluí-lo com resíduos do carvão, um dos sonhos da população e, especialmente dos ecologistas, do município de Araranguá.

     

     Trata-se, com certeza, de um projeto complexo e mesmo polêmico, por envolver interesses diversos e dificuldades de toda natureza, a serem superados com muita negociação, desde que provado ser um bom negócio para ambos os municípios e não trazer qualquer dano ambiental ou de outra natureza para as duas microrregiões atingidas.

     Antes de tudo, porém, o projeto seria alvo de estudo de viabilidade técnica, econômica e financeira e de impacto ambiental (EIA-RIMA). À primeira vista, parece um projeto de difícil concretização, mas, como sonhar não é proibido, por que não tentar examina-lo de perto?

     E, como escreveu o cientista francês Jules Verne, "tudo o que o homem é capaz de imaginar, outro homem é capaz de realizar." Fica a sugestão para ser debatida.


A Tribuna

Criciúma/SC

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26/09/2007

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