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Térmicas têm estratégias para controlar poluição

28/04/2010

Apesar da disposição do governo em priorizar a biomassa e as usinas eólicas como fonte de energia complementar às grandes hidrelétricas, o grande desafio hoje é frear o ímpeto das usinas térmicas a óleo combustível e a carvão. Nos leilões de energia anteriores a 2009, predominou a contratação desse tipo de planta e a oferta de usinas prontas para negociar a energia em leilões ainda é alarmante, não só pelo preço do insumo, mas também pela poluição que geram.

 

Para se ter uma ideia, hoje há 108 usinas térmicas de origem fóssil (carvão, óleo diesel e óleo combustível) autorizadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica, somando uma capacidade de 11.662 MW, potencial superior à da megausina do Belo Monte (11.233 MW), no rio Xingu, no Pará, que enfrentou tantos problemas em seu licenciamento ambiental e ainda gera polêmica. Como base de comparação, há apenas 43 usinas a biomassa autorizadas (1.796 MW) e 40 usinas eólicas (2.052 MW). A oferta de usinas autorizadas não quer dizer que são elas que vão suprir a demanda do país, mas já é um indicativo da distorção que o resultado dos últimos leilões de energia gerou no mercado.

O governo minimiza essa oferta gigante de usinas que geram energia a partir de combustíveis fósseis e garante que, com a maior oferta de energia hidrelétrica nos próximos leilões, os empreendimentos movidos a biomassa e pela força dos ventos vão passar a predominar como fonte complementar. "O que importará são os próximos leilões. Autorização não quer dizer nada. Ao termos uma oferta de hidrelétrica e fazermos leilões exclusivos de biomassa, PCHs e eólicas, teremos como restringir essa oferta (fóssil) de virar realidade", argumenta o presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim.

Enquanto o governo tenta dirigir o futuro, as empresas que investem em termelétricas de origem fóssil fazem o dever de casa para tentar se manter no mercado nos próximos anos. A MPX - do grupo EBX, do empresário Eike Batista - garante que investe 30% do orçamento total de suas usinas a carvão em sistemas de controle de poluição.

A empresa atua em duas frentes para tentar tornar suas usinas mais amigáveis ao meio ambiente. Na primeira, instala equipamentos como caldeiras especiais, filtros nas chaminés e equipamentos eletroestáticos, que reduzem sobretudo a emissão de partículas no ar - poeira do carvão, causadora da fumaça preta de dióxido de enxofre - considerado um dos gases mais tóxicos desse tipo de usina - e de óxidos de nitrogênio. A empresa garante 90% do dióxido de enxofre e 70% dos óxidos de nitrogênio deixam de ser emitidos.

Mas apesar do esforço, um outro inimigo do meio ambiente ainda continua lá, o dióxido de carbono. Para compensar essa emissão, a empresa aposta no plantio de florestas. "A vantagem de plantar árvores é que você pode compensar as emissões de uma usina no Nordeste com o plantio de uma floresta no Sul, uma vez que o CO não é um problema local, mas sim global", aponta o diretor de novos negócios e meio ambiente da MPX, Paulo Monteiro.

A outra frente de atuação da empresa para reduzir as emissões de CO de suas usinas é investir em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Recentemente, a geradora assinou convênio com a Coppe/UFRJ para desenvolver uma tecnologia própria de captura de carbono, algo que já vem sendo feito de forma incipiente na Europa. Um outro convênio, com a Universidade Federal do Ceará, estuda o uso de microalgas para consumo de CO emitido pelas termelétricas.

Na sua única termelétrica que usará carvão mineral nacional - que emite mais partículas do que o carvão importado da Colômbia das demais usinas da empresa -, a MPX Sul (600 MW, em Candiota (RS), a empresa adotará caldeira de leito fluidizado, que permite a queima do carvão misturado com biomassa, reduzindo assim a emissão de CO.

Os órgãos ambientais de alguns Estados também têm feito a sua parte para minimizar a poluição que estes empreendimentos geram. A emitirem licença prévia para empreendimentos que vão gerar energia com combustível de origem fóssil, exigem contrapartidas ambientais. No Rio, o Instituto Estadual do Ambiente do Estado do Rio de Janeiro (Inea) acertou um acordo com a MPX para instalar uma eólica de 200 MW para compensar a instalação da termelétrica Porto de Açu (2.100 MW), que usará carvão importado como combustível. A usina está em processo de licenciamento ambiental.


Valor Econômico
São Paulo/SP
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28/04/2010

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