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Mesmo com reservatórios cheios, ONS usa térmica em dia de alto consumo

04/02/2010

A confortável situação dos reservatórios de acumulação de água das usinas hidrelétricas do país não impediu que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) precisasse recorrer à geração térmica convencional (majoritariamente a gás natural), mais cara, para complementar o abastecimento, especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Na terça-feira, dia 2, a geração térmica convencional média foi de 2.472 megawatts (MW), equivalente a 4,11% da carga total fornecida pelo Sistema Interligado Nacional (SIN). No dia 10 de novembro, quando aconteceu um blecaute nacional, as térmicas estavam gerando 970 MW, ou 1,77% da carga fornecida.

Segundo Hermes Chipp, diretor-geral do ONS, três fatores estão contribuindo para o aumento da geração térmica: o primeiro, programado e mais importante, é a necessidade de reduzir a geração da usina de Itaipu a um máximo de 8.500 megawatts de potência, enquanto estão sendo executadas mudanças, recomendadas pela comissão que investigou o blecaute de novembro, nos três linhões que transportam energia da usina para o Sudeste. Anteontem, Itaipu gerou 7.532 MW médios. No dia do blecaute, a contribuição era de 9.317 MW médios. A redução da carga de Itaipu, segundo Chipp, é necessária para dar segurança máxima ao sistema durante os reparos.

As outras duas causas são o calor intenso que está fazendo no Sudeste e Sul do país e o aumento da produção industrial gerado pela recuperação econômica em curso. Juntas, estão provocando a elevação da demanda de energia e provocando sucessivos recordes de consumo em horários de pico. Ontem, o pico alcançou cerca de 70.400 MW por volta das 15h, superando os 68.761 MW do dia 2, que, por sua vez, superou os mais de 67 MW mil do dia anterior.

O calor e a atividade industrial têm deslocado o pico de consumo, que acontece normalmente entre 18h30 e 20h, para o meio da tarde. Mesmo na média, o consumo está alto. No dia 2, a carga foi de 60.155 MW médios, bem acima dos 55,5 mil MW previstos como média deste ano.

De acordo com o diretor do ONS, o aumento da geração térmica provoca um custo adicional para os consumidores de R$ 5 milhões por semana, no período de maior calor. Esse valor cai para R$ 2 milhões quando a temperatura fica mais amena. Chipp avalia que, até maio, esse custo acumulado será de, no máximo, R$ 80 milhões, valor que considera pouco em comparação aos R$ 2 bilhões gastos em 2008 para economizar água nos reservatórios das hidrelétricas. " Não é um custo significativo para você lidar com o risco de novo blecaute " , disse. Em 2009, o acionamento das térmicas custou R$ 130 milhões ao consumidor.

As usinas térmicas, mais caras e poluentes do que as hidrelétricas, funcionam como reserva de segurança para o sistema elétrico brasileiro, que tem mais de 90% da sua matriz de origem hídrica. Operam, na maioria, com turbinas a gás, a carvão, a óleo combustível ou a diesel. Sempre que necessário, são acionadas, normalmente, por ordem de custo de produção, do combustível mais barato para o mais caro.

Na passagem de 2007 para 2008 as térmicas foram largamente acionadas para assegurar o enchimento dos reservatórios das hidrelétricas em um começo de verão (para efeitos hidrelétricos, de novembro de um ano a abril do ano seguinte) de pouca chuva. No dia 6 de fevereiro de 2008, a média da geração térmica convencional (não inclui a energia nuclear) foi de 5.818 MW, correspondentes a 11,7% da carga total fornecida pelo Sistema Integrado Nacional (SIN).

Chipp disse que o cenário atual " é o melhor dos últimos dez anos " . Os reservatórios das principais hidrelétricas estavam no dia 2 em nível mais elevado ou semelhante aos do fim de fevereiro do ano passado, que já eram bons. Várias represas do Sudeste, Sul e Norte, inclusive Itaipu, estavam sendo obrigadas a verter água por fora das turbinas, o que é feito quando há excesso.

Mesmo Sobradinho, na Bahia, regulador do São Francisco para as usinas do Nordeste, estava com 75,5% da capacidade, embora o afluxo de água (1.930 metros cúbicos por segundo) estivesse abaixo do desejável nesta época do ano.





Valor Econômico
São Paulo/SP
Brasil
04/02/2010

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