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2009, o ano de Copenhagen

29/12/2009

Em 2009, a mídia, os ambientalistas e os interesses econômicos beneficiados pelas mudanças climáticas - trilhões de dólares em negócios "verdes" - formaram um elo que fez com que o circo das mudanças climáticas culminasse com a Conferência da ONU – COP-15 e fosse o evento do ano.

Em Copenhagen vimos de tudo, manifestações, prisões, desorganização, mas, principalmente, vimos os Países desenvolvidos mostrarem ao mundo o que realmente está em jogo quando se fala em mudanças climáticas: o poder econômico. 

A declaração dos direitos do homem, escrita em 1789, documento que inspirou o mundo nas suas revoluções, vale hoje somente para a França, país desenvolvido ou para o mundo?              "Todos os homens são iguais..." talvez na França do primeiro mundo o sejam, pois têm as mesmas oportunidades, mas, e no Brasil, chamado país em desenvolvimento, isso é valido?  Alguém escreveu "se você tem comida no refrigerador, roupas para usar e teto para dormir, você é mais rico que 75% do mundo"; "se você tem dinheiro no banco, na carteira ou pode gastá-lo em um restaurante, você está entre os 8% do mundo que pode fazer isso".

O mundo rico resolveu em meses com trilhões de dólares a crise financeira, mas quando se trata de resolver o problema de aumento de temperatura do planeta, não consegue nem fixar um fundo de 100 bilhões de dólares por ano.

O equilíbrio ambiental do planeta não está só em discutir as mudanças climáticas, mas está interligado numa equação, que envolve: a) redução da pobreza que tem influência direta na redução da população; b) uso de tecnologias sustentáveis que só serão pagas por todos no  planeta se houver distribuição de renda e redução da miséria.

Em Copenhagen isso não foi discutido, os ricos quiseram impor sua vontade como sempre o fizeram com um colonialismo, só que agora com a roupagem ambiental. Onde estão as Metas do Milênio da ONU e os recursos para o combate à pobreza, que mata milhões de pessoas por ano e devasta o meio ambiente? Vimos os ricos atropelarem a ONU, com sempre o fizeram, vimos o novo prêmio Nobel mostrar a verdadeira face do povo americano, vimos a China ser a voz que falou alto em defesa de seus milhões de miseráveis e, com isso, defendeu os interesses dos bilhões de miseráveis deste planeta.

A Sociedade, sendo conduzida pela emoção, por apelos ideológicos guiados por interesses puramente econômicos e por partes da mídia, que têm interesses nem sempre declarados, não tem capacidade de rever dogmas que levam décadas para ser desmascarados. Lembram da Eugênia?

Meio ambiente é um assunto sério e passa por uma discussão racional que envolve, acima de tudo, a busca de um mundo melhor para todos. Esperamos que 2010 seja um ano com mais vontade de encararmos e resolvermos os problemas de nosso planeta com mais lucidez, pragmatismo e resultados práticos imediatos a todos.


Fernando Luiz Zancan
Presidente da Associação Brasileira do Carvão Mineral (ABCM)

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