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O lado escuro do verde, por Fernando Zancan*

12/11/2009

Cheguei a Bruxelas nesta manhã fria de quarta-feira, dia 11, para a reunião do Instituto Mundial do Carvão, e fui perguntado sobre o que ocorrera no Brasil. Um apagão de energia elétrica em mais da metade do Brasil? Olhando as notícias na imprensa internacional, fiquei surpreso com o caos que se abateu, não só sobre o Brasil como também o Paraguai.

Sem transporte, pessoas presas em elevadores, hospitais sem infraestrutura de backup, pessoas passando a noite em claro (no escuro) sem ar condicionado numa noite quente, sem abastecimento de água. O horror que todos esperávamos que nunca acontecesse.

Tivemos outros blecautes, um em Florianópolis, que durou dois dias, mas quando vem um novo é manchete nos jornais e depois, com nossa memória curta, esquecemos o caos provocado e do quanto é importante para as nossas vidas a energia elétrica.

Esse acidente, cuja origem ainda é nebulosa, mas que envolve diretamente Itaipu, mostra que, no maior sistema de transmissão interligado no mundo, estamos todos no mesmo barco, ou seja, 18 Estados foram afetados.

Às vezes, por questões que fogem ao pragmatismo, esquecemos que as políticas públicas de um Estado – vide lei ambiental de São Paulo, publicada esta semana engessando a economia com metas de redução de CO2 – pode ter consequências no resto do Brasil. Pressões (nacional e internacional), com seus diversos interesses, podem conduzir a decisões políticas, no Executivo e no Legislativo, que não levam em conta a especificidade e o interesse do Brasil.

As discussões ambientais e do setor energético brasileiro têm sido um diálogo de surdos. Estamos sem licenciamento de hidrelétricas e oneramos os custos das térmicas por conta de mudanças climáticas das quais somos credores e não responsáveis. A matriz energética mais limpa entre todos os países desenvolvidos e emergentes não merece ser penalizada com medidas como a instrução normativa 07/09, do Ibama.

O próximo leilão de energia nova, em 17 de dezembro, pode passar em branco, ou seja, num momento que o Brasil retoma o crescimento, não teremos infraestrutura e energia para atender nossas necessidades. Vamos precisar de todas as formas de energia, de forma econômica com baixas tarifas e com sustentabilidade ambiental.

Ou mudamos essa agenda, transformando-a num diálogo construtivo ou, na Copa do Mundo de 2014 e nas Olimpíadas de 2016, estaremos vivendo o mesmo que ocorreu na noite de 10 de novembro de 2009.

*Presidente da Associação Brasileira de Carvão Mineral (ABCM)

 


Zero Hora
Porto Alegre/RS
Artigo
12/11/2009

 

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