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Para Buffett, dinheiro está no vento

10/11/2009

O acordo bilionário de Warren Buffett para comprar a empresa ferroviária Burlington Northern Santa Fe Corp. se baseou em parte na visão de que quando o petróleo está em alta as ferrovias são mais eficientes do que os caminhões.

Mas outra empresa no portfólio de Buffett, a MidAmerican Energy Holdings Co., também aposta no "verde" com a construção de moinhos de vento e investimento em baterias de alta tecnologia, numa das iniciativas de energia limpa mais abrangentes já feitas por uma energética americana de grande porte.

Dezenas de moinhos de ponta se agigantam nos campos de milho e soja desta cidade de Iowa, parte de um projeto de energia eólica da MidAmerican que abastece mais de 50.000 residências.

É um dos vários projetos de energia eólica que a MidAmerican, sediada em Des Moines, lançou desde 2004 ao custo de bilhões de dólares. Iowa se tornou o segundo Estado americano em capacidade de geração de energia eólica, atrás só do Texas, em parte graças à MidAmerican.

Quinta-feira, só uns dias depois de anunciado o acordo de Buffett para comprar a Burlington Northern, um conselho local aprovou um projeto de energia eólica de US$ 2 bilhões que deve dobrar a capacidade da MidAmerican nesse tipo de fonte, com entre 400 e 600 novas turbinas. A MidAmerican também tem parques eólicos no noroeste do país.

"Em Iowa havia vento, mas nada que o aproveitasse dez anos atrás", disse Buffett ao Wall Street Journal. A MidAmerican mudou isso, disse ele, "e vamos fazer ainda mais".

A motivação do lucro está claramente funcionando na empresa. Buffett acredita que esses investimentos vão beneficiar a MidAmerican e sua matriz, a holding Berkshire Hathaway Inc., controlada por ele.

"Claramente ele acha que a cotação do petróleo vai subir e a Burlington é uma maneira de ter um fornecedor barato, e você vê isso também na MidAmerican", disse Justin Fuller, sócio da Midway Capital Research & Management, que acompanha a Berkshire de perto.

Os moinhos são uma jogada arriscada. A energia alternativa é um dos investimentos mais quentes e menos bem-sucedidos dos últimos anos.

O alto custo e obstáculos tecnológicos bloquearam o avanço de áreas que antes iam de vento em popa, como etanol e energia solar. Do magnata texano do petróleo T. Boone Pickens à gigante britânica BP PLC, o tal "dinheiro inteligente" recuou de alguns planos de energia limpa antes anunciados com empolgação.

"A única coisa que não vamos é nos meter em modismos", disse David Sokol, presidente do conselho da MidAmerican, ao Wall Street Journal. "Queremos coisas que realmente têm potencial."

Sokol é considerado um dos principais candidatos à sucessão de Buffett, e seu status crescente na Berkshire aumentou o interesse nos planos de energia eólica da empresa. A MidAmerican gastou uns US$ 4 bilhões em projetos de energia eólica e pretende investir outros bilhões no financiamento de projetos desse tipo e de outros tipos de energia alternativa em todo o país.

"A energia renovável sempre foi fascinante na minha perspectiva, onde quer que ela faça sentido economicamente", disse Sokol.

Buffett e Sokol não integram nenhuma cruzada ambientalista. A MidAmerican tem várias termelétricas a carvão, uma das maiores fontes de gases do efeito estufa. As elétricas americanas produzem cerca de 40% das emissões de dióxido de carbono ligado a geração no país, segundo dados do Departamento de Energia.

Este ano, Sokol deu depoimento ao Congresso contra um projeto de lei apoiado por vários ambientalistas, que visa criar um mercado para a troca de créditos de carbono, argumentando que vai "impor um custo dobrado inaceitável para os clientes".

Sokol, que já disse que a indústria da energia eólica precisa do apoio do governo, também vem tentando resolver uma das grandes questões da energia alternativa: como armazenar o excesso de carga quando o vento está soprando, e transmiti-lo quando ele para.

A MidAmerican investiu US$ 232 milhões para comprar 9,9% da fabricante chinesa de baterias BYD Co. Se a empresa conseguir produzir baterias que tornem a eletricidade mais portátil e armazenável, isso pode mudar o lado econômico da energia alternativa. A MidAmerican, que atualmente produz mais eletricidade que seus clientes precisam, se beneficiaria disso.



Valor Econômico
São Paulo/SP
Internacional
10/11/2009

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