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Governos dão um empurrão aos carros elétricos

21/10/2009

Numa tentativa de transformar os carros elétricos num produto de massa, as montadoras ainda se veem frustradas pelo alto custo dos veículos e a dificuldade de manter suas baterias carregadas.

Elas têm recebido cada vez mais ajuda de governos como os da China, dos Estados Unidos e da França, que acreditam que esses novos carros podem solucionar grandes problemas, que vão do aquecimento global à dependência do petróleo. Até agora, os governos mundiais já anunciaram que investirão US$ 15 bilhões nesse segmento nos próximos cinco anos, segundo a Boston Consulting Group.

Os carros elétricos devem ser um dos destaques do Salão do Automóvel de Tóquio, que será aberto ao público no sábado, graças ao incentivo a esses carros por parte dos governos de países do leste da Ásia, desprovidos de recursos naturais.

"Sem esses incentivos, o carro elétrico com bateria não será aceito pelo mercado no curto prazo, em lugar nenhum do mundo", diz Mitsuhiko Yamashita, diretor de tecnologia e desenvolvimento de produtos da Nissan. A montadora japonesa está lançando um novo carro elétrico que parece uma motoneta. Ela também pretende obter 20.000 encomendas para outro carro elétrico, o Leaf, nos EUA no ano que vem. "A ajuda do governo é absolutamente essencial pelo menos nos próximos anos."

As autoridades dizem que gostam da ideia do veículo elétrico porque os carros a gasolina dependem do petróleo, muitas vezes importado e grande causador de emissões de carbono, as quais eles já se comprometeram a cortar. Mesmo carros que funcionam com eletricidade gerada por termelétricas a carvão emitem muito menos dióxido de carbono do que o motor a gasolina. No caso em que a eletricidade é gerada por energia nuclear ou eólica, não se produz quase nenhum dióxido de carbono.

Prestando auxílio financeiro, os governos também estão dando às suas montadoras a possibilidade de sair na frente em uma indústria que potencialmente tem grande futuro.

As tentativas passadas de comercializar veículos elétricos sempre fracassaram: as baterias custavam muito, acabavam antes que o carro avançasse muito e ainda demoravam horas para recarregar.

Recentemente, porém, a tecnologia melhorou. Os atuais protótipos de possíveis veículos produzidos em massa rodam cerca de 150 quilômetros com uma única carga, graças a novas tecnologias de bateria. Mas o custo das baterias continua muito alto, cerca de US$ 10.000 cada. A japonesa Mitsubishi Motors Corp. colocou à venda um pequeno carro elétrico de 4 milhões de ienes (mais de US$ 40.000), mas está perdendo dinheiro mesmo a esse preço.

Parte do problema é o desafio do tipo "ovo e galinha" com que se deparam muitos novos produtos de massa: o público só vai comprar carros elétricos quando eles forem suficientemente baratos e convenientes - mas isso só vai acontecer se muita gente comprar os veículos. Assim, os governos estão tentando dar partida nesse mercado no tranco.

"A coisa mais importante que os governos fazem é enviar sinais ao público acerca da expectativa para a adoção dos veículos elétricos no futuro - como um aviso para se afastar do petróleo", diz Shai Agassi, diretor-presidente da Better Place PLC, que está desenvolvendo estações de recarga e troca de baterias em Israel e na Dinamarca.

A principal contribuição dos governos para o desenvolvimento do carro elétrico são os incentivos ao consumidor. A França anunciou um bônus de 5.000 euros (US$ 7.500) para compradores de carro com emissões de carbono muito baixas, e baixou um imposto como punição aos carros que consomem muita gasolina. A China tem um programa de incentivos de 20 bilhões de iuanes (US$ 2,9 bilhões) para os veículos públicos e do setor de serviços, tais como ônibus, táxis e veículos de uso do governo. No Japão, os subsídios do governo federal e dos governos locais chegarão a US$ 10.000 por carro em alguns casos.

A motivação imediata para a China é combater os custos crescentes da energia, que podem ameaçar o rápido crescimento do país. As cidades também gostariam de reduzir a poluição, e os governos locais já informaram que começarão a operar frotas de ônibus elétricos.

Apesar de que a todas as montadoras com produtos de massa têm um protótipo de carro elétrico, há poucos nas estradas. Se os primeiros modelos fracassarem porque continuam não sendo práticos, ou se o recente aumento no preço da gasolina arrefecer, os governos podem perder o interesse. (Colaborou Ellen Zhu)



Valor Econômico
São Paulo/SP
Internacional
21/10/2009

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