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Estratégia começa com um inventário de emissões de CO

29/09/2009

A utilização intensiva de produtos como o carvão mineral pode levar a aumento considerável das emissões de CO. Uma tonelada de carvão mineral emite o dobro de CO de uma unidade de gás natural. Por isso, o setor mineral precisa entender a sua responsabilidade, os riscos e as oportunidades para lidar com as mudanças climáticas de forma sustentável, avalia Bráulio Pikman, diretor do Environmental Resources Management (ERM) Group, um provedor global de serviços de consultoria nas áreas de meio ambiente, saúde, segurança e riscos, membro da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (na sigla em inglês, UNFCCC).

 

Antes de tudo, analisa Pikman, trata-se de aceitar que a mudança climática é um dado, tanto sob a perspectiva científica, a partir dos relatórios sobre os impactos ao meio ambiente, quanto do ponto de vista político, depois da decisiva adesão do presidente americano Barack Obama e de uma visão clara de que essa questão entrou definitivamente na pauta de discussões mundiais. Ao empresariado, adianta o consultor, cabe definir claramente um plano de ação, focado no conceito de redução de perfis de emissão de gás carbono e inserir suas atividades em um contexto mais amplo com vistas a garantir a sustentabilidade do negócio. "É preciso entender que vivemos em um sistema em crise, pois recursos naturais são finitos e o ciclo de vida dos produtos tem que ser considerados com ênfase na destinação final", afirma.

 

Com base na experiência de projetos de mitigação já realizados pelo ERM Group para empresas como Petrobras, Vale e Braskem, Bráulio apresenta o passo a passo de uma estratégia corporativa para trabalhar as mudanças climáticas, executado em três etapas: inventariar as emissões, metas, sistemas de mensuração, relatórios de impactos e modelos de riscos, e mapas de processo e regulatório; fazer uma gestão sustentável do uso da energia e emissões, diretamente, através de projetos e investimentos e, de forma indireta, por meio de requisitos à cadeia de fornecimento: realizar programas de comunicação externa, de maneira transparente, e negociar créditos de carbono e compensações das reduções. "Existe uma grande oportunidade de redução de custos por aumento de eficiência e de adoção de novas tecnologias que represente exposição menor de riscos", afirma Bráulio.

 

Para Muniz Soares, líder da área de energia do Instituto Totum, consultoria independente que trabalha com carbono e sustentabilidade, o setor industrial precisa usar o diferencial comparativo que tem na área ambiental em diferencial competitivo. Segundo ele, as emissões de carbono do setor de mineração brasileiro são pequenas se comparadas a outros países - e o setor mineral emite 9% dos 30% de emissão do setor industrial. Apesar de o setor mineral estar bem posicionado no conjunto da indústria brasileira, seus principais clientes, como o setor siderúrgico e o químico, são responsáveis por 70% do total das emissões da indústria. "Dentro dessa perspectiva, cabe aos mineradores olhar a necessidade e oportunidade que se projetam para seus clientes, o que pode afetar os negócios", indica. "É uma visão de competitividade e riscos."

 

Em relação ao papel do Brasil nas negociações sobre mudança de clima, com perspectiva à Conferência das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, em Copenhague, em dezembro próximo, o país segue dois trilhos de negociações, informa Adriano Santhiago de Oliveira, coordenador geral de Mudanças Globais de Clima, do Ministério da Ciência e Tecnologia. Um trilho aborda o Protocolo de Kyoto, onde as discussões se voltam para os países desenvolvidos na criação de metas mais ambiciosas. De acordo com Oliveira, o Brasil defende "o estabelecimento de novos compromissos quantificados de limitações e redução de emissões de gases de efeito estufa dos países desenvolvidos, no que se refere aos próximos períodos de compromissos, em particular no segundo período de compromisso, depois de 2012". Essas metas de redução de emissões seriam de no mínimo 40% até 2020, adianta ele.

 

O segundo está em fortalecer os mecanismos do projeto de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL). "Por parte do Brasil, o MDL é um mecanismo de sucesso", afirma Oliveira.



Valor Econômico
São Paulo/SP
Geral
29/09/2009

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