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Fundo da China intensifica aposta em recursos naturais

24/09/2009

O fundo soberano da China, de US$ 300 bilhões, expandiu suas aplicações em recursos naturais pela segunda vez em dois dias e vai investir US$ 1,9 bilhão para comprar instrumentos "similares a títulos" emitidos pela maior produtora de carvão térmico da Indonésia, a PT Bumi Resources.

 

O negócio na Indonésia, anunciado ontem pela Bumi, ocorreu um dia depois de a Corporação de Investimento da China fechar acordo para comprar 15% da trader de commodities Noble Group Ltd., que tem sede em Hong Kong, por US$ 850 milhões.

 

Juntamente com um investimento de US$ 1,5 bilhão na mineradora canadense Teck Resources Ltd., anunciado no início de julho, a CIC já gastou nas últimas dez semanas US$ 4,25 bilhões em acordos na área de recursos naturais, num indício de como as commodities de energia, metais e agrícolas se tornaram cada vez mais importantes para a estratégia de investimentos do fundo soberano chinês.

 

Pessoas a par da situação dizem que a CIC também estuda investir numa mineradora de ferro da Mongólia.

 

As jogadas da CIC na área de recursos naturais servem a dois propósitos. Primeiramente, alinham-se com o interesse estratégico de longo prazo da China de garantir o acesso a recursos naturais. As autoridades chinesas incentivaram firmas estatais a comprar ativos petrolíferos e de mineração no exterior este ano quando os preços das commodities baixavam. Mais até do que as estatais chinesas, a CIC tem evitado adquirir o controle das empresas, preferindo participações minoritárias.

 

Em segundo lugar, essas aquisições se encaixam na estratégia do fundo de lucrar com uma possível alta proveniente da recuperação econômica mundial. A demanda chinesa por causa da rápida urbanização é um fator importante no cenário futuro dos preços de commodities.

 

"Enquanto o mercado se recupera, há várias oportunidades para a CIC e outros fundos soberanos", disse ao Wall Street Journal no mês passado Jin Liqun, presidente do conselho supervisor da CIC. "A filosofia do 'quem tem dinheiro manda' vai passar ao 'capital é que manda'", disse Liqun, embora ressalte que, "como investidor de longo prazo, a CIC vai continuar mantendo uma carteira equilibrada".

 

Além dos recursos naturais, a CIC fez outras apostas que parecem atreladas a uma recuperação mundial, especialmente no setor imobiliário. Ele comprou pequenas fatias de incorporadoras chinesas nos últimos dias. O fundo também ajudou a socorrer a empresa por trás do projeto londrino Canary Wharf, e comprou participação num fundo imobiliário australiano. Analistas do J.P. Morgan Chase especializados na China calculam que a CIC pode aplicar até US$ 50 bilhões este ano.

 

A maré parece que virou para a CIC depois das duras críticas que recebeu por causa da péssima hora que escolheu para comprar fatias da Blackstone Group LP e do Morgan Stanley, em 2007.

 

O presidente do conselho, Lou Jiwei, disse recentemente que, caso o fundo obtenha um bom retorno, o governo chinês pode aplicar mais do que os US$ 200 bilhões que já entregou à CIC. A CIC teve desempenho melhor no ano passado que o de muitos fundos soberanos e de pensão importantes, registrando desvalorização de apenas 2,1% em sua carteira global, graças à estratégia de manter a maior parte dos investimentos em renda fixa de curto prazo.

 

A experiência positiva da China com a CIC começou a motivá-la a propor a criação de um fundo soberano para solucionar os desequilíbrios mundiais. O vice-presidente do banco central da China, Hu Xiaolian, afirmou num artigo divulgado terça-feira que o G-20 deveria estudar a criação de um "fundo soberano supranacional" que investiria parte do capital excedente em países pobres, "para que essas nações possam se transformar em novos motores de recuperação e crescimento mundial".

 

A Indonésia é a maior exportadora de carvão térmico do mundo, usado principalmente para gerar energia, e a Bumi Resources é uma das maiores mineradoras dessa commodity no mundo, com duas minas altamente produtivas na Ilha de Bornéu.

 

Um porta-voz da Bakrie & Brothers, a empresa indonésia que tem uma fatia substancial da Bumi Resources, já tinha dito este ano que a empresa estudava uma aliança estratégica com investidores chineses que almejavam garantir um suprimento de longo prazo de carvão para gerar eletricidade.

 

A Bakrie & Brothers andava enfrentando problemas com a reestruturação de uma dívida de US$ 1,3 bilhão desde o início da recessão mundial, um ano atrás

 

 

 

Valor Econômico

São Paulo/SP
Geral
24/09/2009

 

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