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Pragmatismo em Copenhague, por Fernando Luiz Zancan*

08/09/2009

Jeffrey Sachs, em seu livro The Common Wealth Economia para um Planeta muito Povoado, cita que os países pobres não têm recursos para pagar as medidas de mitigação, adaptação, pesquisa e desenvolvimento tecnológico relativas às mudanças climáticas, e, portanto, é necessário que os países ricos destinem recursos aos países pobres para o seu desenvolvimento econômico sustentável. No mundo diplomático, ouvimos que um país somente é respeitado pela comunidade internacional se defende seus interesses. Ora, qual é um interesse de nosso país? Que posição devemos defender nas negociações internacionais de mudanças climáticas que ocorrerão em Copenhague em dezembro próximo? Em tratados internacionais, se assumirmos compromissos, devemos cumprir. Por exemplo, se adotarmos uma meta de evitar um percentual de desmatamento, se não a atingirmos, seremos penalizados, via compra de créditos de carbono ou barreiras não tarifárias.
Os Estados Unidos destinam bilhões de dólares ao desenvolvimento tecnológico para reduzir suas emissões, e poderão adotar a taxação para produtos de países que não limitem as suas. A China não aceita limitar emissões e reduzir seu desenvolvimento devido ao baixo padrão de vida de milhares de chineses. A Índia, com 400 milhões de pessoas sem energia elétrica, não deixará de usar sua imensa reserva de carvão para o seu desenvolvimento. O Brasil, um país pobre – vide os milhões de brasileiros no programa Bolsa Família –, tem uma matriz energética limpa (45% de renováveis), sonho dos países ricos.
Portanto, esperamos que nossos negociadores possam, na reunião de dezembro, em Copenhague, ao mesmo tempo proteger nossa indústria e atrair recursos para o nosso desenvolvimento sustentável.


* Presidente da Associação Brasileira do Carvão Mineral

 

 

Diário Catarinense
Florianópolis/SC
Artigos
08/09/2009

 

 

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