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Vale faz inventário de emissões

18/08/2009

A Vale emitiu 16,8 milhões de toneladas de CO2 equivalente em 2008 no mundo. O volume engloba desde os gases-estufa produzidos na queima de combustíveis fósseis do transporte de minérios à emissão de minas de carvão subterrâneas na Austrália. Também estão computados aí os gases-estufa gerados pelos fornecedores da empresa em 34 países - quanto emitiu, por exemplo, uma térmica a carvão para produzir a energia que a Vale comprou. O Brasil responde por 69,1% do total emitido pelo grupo ou 11,6 milhões de toneladas de CO2 equivalente.

 

Para se ter uma ideia do que as emissões da maior empresa privada brasileira representam, estima-se que a contribuição ao aquecimento global provocado por ônibus e caminhões no Brasil tenha sido de 580 milhões de toneladas de CO 2 em 2007. Em relação ao total das emissões de gases-estufa do país, a Vale responde por 0,0084%. Mais significativo é o fato de, há dois anos, a empresa realizar seu inventário de emissões, prática pouco comum no Brasil e só seguida pelas maiores companhias.

 

Medir emissões é o primeiro passo para ter algum controle sobre elas e planejar os cortes futuros. Realizar inventários com regularidade é um dos principais compromissos selado por executivos de grandes empresas preocupados em influenciar as posições brasileiras no tratado climático internacional que, espera-se, deve ser assinado em dezembro, em Copenhague, Dinamarca. Para preparar esse caminho, as posições das empresas e do governo sobre mudanças climáticas serão discutidas na próxima terça-feira em um seminário realizado pelo Valor e GloboNews, com apoio do Instituto Ethos, Fórum Amazônia Sustentável e Vale.

 

Há nessa preocupação verde inegável impulso econômico. "O principal 'drive' das questões ambientais é a competição internacional", registra Luiz Claudio Castro, diretor de meio ambiente e desenvolvimento da Vale. "A tendência, nessa relação cliente-fornecedor, é levantar informações e torná-las disponíveis."

 

A curva de emissões da Vale no mundo vem aumentando. Em 2006 foram 10,8 milhões de toneladas de CO2 equivalente (medida que equipara as emissões dos vários gases-estufa ao produzido em maior volume). Em 2007, bateram em 15,2 milhões e foram 16,8 milhões em 2008. O primeiro aumento se explica pela aquisição em 2006 da canadense Inco, a segunda maior produtora de níquel do mundo. As emissões crescentes de 2008, um aumento de 10% em relação a 2007, têm a ver com outra aquisição - a incorporação das unidades da Vale Austrália - e também à melhoria na metodologia de cálculo das emissões, diz Castro. Na exploração das minas subterrâneas de carvão da Austrália ocorre a liberação de bolsões de metano, um gás com potencial 25 vezes mais nocivo ao aquecimento global que o CO2.

 

Para montar o perfil de emissões de suas unidades, a Vale procurou o Carbon Disclosure Project. A empresa, sediada em Londres, tem ajudado gigantes internacionais como a Coca-Cola a descobrir quanto emitem e como podem reduzir. A conta inclui, por exemplo, a emissão de CO2 no uso de cada combustível - se é diesel, gasolina, gás natural - e monta-se a equação do transporte. Nesse quesito, a empresa no Brasil tem investido em mudar o combustível de seus trens para gás ou biodiesel.

 

Outro ponto de fortes emissões da Vale são as pelotizadoras de minério de ferro. O processo, feito em grandes fornos, exige queima significativa de combustível. Aqui, o esforço tem sido para trocar óleo para gás. "Assim reduzimos bem a emissão", garante Castro. A terceira área é a transformação de alumina em alumínio com a formação de gases de flúor - nesse item o corte na emissão tem sido obtido a partir de desenvolvimento tecnológico na produção. O quarto foco são as minas de carvão subterrâneas da Austrália. "Estamos canalizando o metano para produzir energia num projeto de co-geração", diz o diretor de meio ambiente.

 

"A minha visão do conceito de sustentabilidade é econômica." Os investidores, ressalta Castro, querem investir em empresas que demonstrem solidez e garantam retorno do capital. "Empresas em situação difícil não têm sobras financeiras para investir em ambiente ou sustentabilidade", diz. "Quem investe em ações voluntárias deste tipo dá um sinal claro da capacidade econômica da empresa." O inventário da Vale de 2009, estima, indicará tendência de estabilização nas emissões. "Mas 2009 é um ano complicado e este dado pode ficar um pouco camuflado pela retração econômica mundial", reconhece.




Valor Econômico
São Paulo/SP
Ambiente
18/08/2009

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