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Carvão do Sul ganha impulso

29/12/2008

 

Enquanto alguns setores da economia regional amargam prejuízos com a crise mundial, o segmento carbonífero ganha impulso e fecha 2008 com um acréscimo de 15% nas vendas para a Tractebel, sua principal cliente.

O volume representa 400 mil toneladas a mais que o comercializado em 2007 e projeta 2009 como um ano de grandes ações no setor produtivo.

Conforme o secretário executivo do Sindicato da Indústria de Extração do Carvão (Siecesc), Fernando Luiz Zancan, o carvão saiu ileso da crise dos últimos meses por ser uma energia mais vantajosa.

Em 2009, a previsão é manter o mesmo patamar deste ano, com venda anual de 3 milhões de toneladas. Para poder atender a essa demanda, o setor carbonífero planeja a abertura de cinco novas minas: duas no município de Lauro Müller, uma em Içara e uma em Criciúma.

– A Agência
Internacional de Energia (IEA) prevê um crescimento para o carvão de 2% ao ano até 2030, algo maior que a demanda mundial de energia - explica. Otimista, o secretário revela que a região carbonífera tem capacidade para a instalação de 1,2 mil megawatts de potência, equivalente a três usinas termelétricas.

Além de ter sido um bom ano para o carvão, economicamente o coque (subproduto usado em siderúrgicas) também conquistou mercado, diante de um quadro mundial evolutivo para as matrizes energéticas.

– Foi um ano de mudança de paradigmas para o carvão. O velho discurso foi abandonado, estamos mais pró-ativos. O setor está se modernizando, mais preocupado com recursos humanos - enumera Zancan.

O potencial energético do carvão ainda se estende em 2009 em projetos que visam seu maior aproveitamento. As atenções dos empresários se voltam para o início das obras do complexo de pesquisa e desenvolvimento do Centro Tecnológico de Carvão Limpo (CTCL), que recebeu verbas de R$ 8,6 milhões para os próximos dois anos.

Futuro é promissor com a gaseificação

 

O processo de gaseificação do carvão tem sido um dos objetivos do Siecesc nos últimos anos. O presidente do Sindicato das Indústrias Extratoras de Carvão do Estado de Santa Catarina (Siecesc), Ruy Hülse, acredita que com o gás se obterá uma solução regional para as cerâmicas branca e vermelha, um combustível a mais diante do gás natural.

Com o calor, será possível aquecer os fornos, acionar as turbinas e, arrisca Ruy Hülse, um possível uso doméstico.

– Sou otimista para o uso não somente como fonte de energia, mas como fonte de calor e matéria-prima a partir dos resíduos da gaseificação. Daria uma importante projeção ao carvão – atesta.

Produzir gás, energia limpa, a partir do carvão, mineral gerador de polêmicas ambientais, é apenas uma maneira de compensar uma poluição centenária ocasionada pela extração na região Sul do Estado, ressalta Hülse.

Isso porque o crescimento da atividade extratora implica na abertura de novas minas, e com ela novas polêmicas.

Conforme o presidente do Siecesc, atualmente, para atender a Tractebel, compradora do carvão do Sul do Estado, existe um plano para os próximos 10 anos de abertura de nove minas.

– Tudo isso será feito com planos diretores e vamos procurar entendimento. Mas é impossível ignorar que tudo isso vem ao encontro de novos mercados e um futuro promissor para o carvão – projeta.

Cadeia ganha com certificação ISO 14000

A cadeia produtiva de extração teve um ganho significativo também com a certificação ambiental das empresas carboníferas com ISO 14000.

A proximidade entre mineradoras e Ministério Público (MP) para ajustes na estrutura e cronograma de execução da sentença para recuperação de áreas degradadas foi importante para a melhora da imagem e respaldo para implementação de novos projetos.

Nos planos do empresário Alfredo Gazzola, 2009 será um ano de trabalho pesado na Carbonífera Criciúma.

– Vamos nos preparar para uma mineração mais positiva, dentro dos parâmetros ambientais e dos despachos do Ministério Público que são inerentes a mineração – afirma.

Nas Empresas Rio Deserto, as questões ambientais tiveram grandes avanços, revela a gerente de sistema integrado de gestão Rosimere Redivo. Além da conclusão da execução de um termo de Ajuste de Conduta (TAC) em junho, a mineradora trabalha na instalação de três novas unidades dentro dos padrões de gestão integrada: qualidade ISO 9000, meio ambiente ISO 14000 e segurança ISO 18000.

– Será um desafio começar certo e com as três normas paralelas. Os funcionários estarão bem treinados dentro da estratégia da empresa, as unidades já terão Estação de Tratamento de Efluentes (ETE), pátio revegetado, entre outras ações – enumera Rosimere.

 

Conheça o setor

> Em 2007, a cadeia produtiva de carvão teve movimentação econômica superior a R$ 800 milhões.

> Em 2008, mineradoras do Sul do Estado produziram 2,6 milhões de toneladas de carvão.

> Mais de 90% da produção foi destinada à geração de energia elétrica na Usina Termelétrica Jorge Lacerda, em Capivari de Baixo.

> Juntas, as empresas carboníferas faturaram R$ 332 milhões, geraram quatro mil empregos diretos e cerca de 40 mil indiretos.

> As reservas brasileiras de 32 bilhões de toneladas de carvão tem potencial de 18,6 mil megawatts para cem anos de operação.

Fonte: Siecesc

ana.cardoso@diario.com.br

ANA PAULA CARDOSO | Criciúma




Diário Catarinense

Florianópolis/SC

Economia

29/12/2008

 

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