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Consumo supera produção até 2030

31/10/2008

 

 

 

O risco de um novo racionamento de energia elétrica ainda é um fantasma que precisará ser cuidadosamente monitorado pelo governo federal. De um lado os grandes consumidores temem um racionamento por preços em função dos poucos projetos de usinas hidrelétricas, que produzem energia mais barata, vendidas neste ano. De outro lado, a relação oferta e demanda será apertada ao longo dos próximos 20 anos segundo estimativas da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

 

A FGV Projetos e a Ernst & Young divulgaram ontem o relatório "Brasil Sustentável - Desafios do Mercado de Energia", que mostra que o excedente de energia elétrica cairá 0,1% ao ano até 2030. Isso porque o consumo será maior do que a produção ao longo dos anos. O primeiro crescerá numa média de 4,4% ao ano enquanto o segundo numa média de 4,2%. O governo terá que aperfeiçoar cada vez mais o monitoramento entre oferta e demanda se quiser evitar um racionamento, disse o coordenador do núcleo de economia da FGV Projetos, Fernando Garcia.

 

 

Além disso, os investimentos no setor precisarão ser pesados. O estudo mostra que serão necessários US$ 310 bilhões até 2030 para dar conta do crescimento da oferta de 4,2% ao ano. Como os projetos em geração refletem investimentos durante cinco anos para projetos que duram mais que 30 anos, o atual cenário de crise financeira não afetou os números da FGV.

 

No que diz respeito à energia hidrelétrica, o maior potencial de geração está na Amazônia e por isso mesmo deverá sofrer maiores restrições ambientais, o que limitará sua expansão. Por outro lado, o estudo aponta um maior uso de energia nuclear, de biomassa e carvão mineral. "Apenas uma oferta residual será obtida a partir de pequenas centrais hidrelétricas e de energia eólica", diz o estudo.

 

A evolução entre produção e consumo de energia também aponta para uma alta nos preços. Em razão do aumento dos custos de investimento e ambientais, o preço deve ficar 31,2% maior. A necessidade de se despachar usinas termelétricas movidas a óleo combustível também contribui para um forte aumento do preço.

 

O presidente da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia (Abrace), Ricardo Lima, diz que neste ano a necessidade de se despachar as térmicas fez com que o megawatt/hora ficasse R$ 5,00 mais caro para o consumidor final. No início do ano, o Brasil chegou a ter um racionamento por preço, segundo Lima. Com as chuvas escassas, os preços no mercado livre dispararam, chegando a superar R$ 500,00. Indústrias preferiram parar a produção e até demitir pessoal para poder ganhar com os altos preços no mercado à vista. A falta de chuvas foi que levou ao despacho das termelétricas.

 

O preço ou a falta de energia podem ser decisivos para o crescimento de uma economia, segundo Garcia. O preço alto da energia tem efeito imediato na economia, e mais forte que uma crise financeira, na avaliação do professor. As decisões de investimentos são afetadas. Lima, da Abrace, lembra que alguns associados da entidade conseguem ter energia mais barata nos Estados Unidos do que no Brasil. "Recentemente, uma indústria química brasileira, que poderia fazer sua expansão no Brasil, decidiu ir para a França, porque a energia está mais barata", disse Lima.



Valor Econômico

São Paulo/SP

Brasil

31/10/2008

 

 

 

 

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