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Nova máquina para capturar CO2

09/10/2008

Pesquisadores da Universidade de Calgary, no Canadá, apresentaram esta semana um equipamento que captura CO2, o principal gás do efeito estufa. A diferença, neste caso, é que o gás é retirado diretamente do ar, em qualquer lugar do planeta. 

 

O protótipo, desenvolvido pelo cientista David Keith e sua equipe, ainda está em fase inicial, mas já é considerado por alguns especialistas como um passo em relação a outras tecnologias: ele prevê a captura do CO2 emitido por veículos e aviões. Essas chamadas fontes difusas representam mais da metade do volume total de gases-estufa no mundo e estão entre as mais difíceis de serem reduzidas, já que seus emissores estão espalhados. 

 

 

"O problema climático é muito grande para ser resolvido facilmente com as ferramentas existentes", afirmou Keith, que dirige o Instituto de Energia Sustentável, Meio Ambiente e Economia (ISEEE, em inglês) e leciona química e engenharia de petróleo, ao site da universidade. "Embora seja importante fazer coisas que já sabemos, como energia eólica e captura de carbono, é vital também pensar em idéias novas radicais para resolver o problema." 

 

 

Segundo o cientista, muitos países, como o próprio Canadá, já prevêem entre suas estratégias de redução de emissões de gases a captura e armazenamento de CO2, num processo conhecido como CCS (do inglês Carbon Capture and Storage). Esse processo se dá através da instalação de um equipamento, por exemplo, na chaminé de uma termelétrica, que libera o gás com a queima do carvão. O equipamento canaliza o CO2 para reservatórios geológicos subterrâneos, onde ele permanece armazenado. 

 

 

Esse processo, aliás, ganhou impulso na terça-feira com a aprovação pela Comissão de Meio Ambiente do Parlamento Europeu de cerca de ? 10 bilhões para a construção de 12 termelétricas a carvão equipadas para capturar e armazenar dióxido de carbono. O bloco europeu tem o compromisso de reduzir em 20%, até 2020, suas emissões de CO2. 

 

 

O protótipo de Calgary, ao contrário, tem a vantagem de capturar o CO2, independentemente de onde o equipamento ou o emissor estejam. Em artigo publicado no site da universidade, a equipe de cientistas afirma que o protótipo poderia capturar carbono da atmosfera com menos de 100 kW/h de eletricidade por tonelada de CO2. Uma torre experimental montada pelos pesquisadores é capaz de absorver 20 toneladas de CO2 por ano em único metro quadrado de ar impuro, dizem, o equivalente à quantidade média de emissões de um americano por ano. 

 

 

Keith cita um exemplo da conveniência desta nova máquina, que tem um jeitão de foguete: uma empresa que emite gases no Canadá poderia instalar o equipamento de remoção de CO2 na China, onde muito provavelmente sairia mais barato. "A mesma quantidade de CO2 será capturada", afirma o cientista. 

 

 

O novo equipamento surge na esteira de uma série de iniciativas destinadas a reduzir as emissões de gases que superaquecem o planeta. Mas nenhum deles conseguiu - até agora - resolver de forma definitiva o problema climático. O mais provável é a complementaridade de diferenças técnicas, como a adoção de veículos elétricos e movidos a biodiesel, ambientalmente corretos. 

 

 

Para o brasileiro Ricardo Neuding, engenheiro da ATA (Ativos Técnicos e Ambientais), as pesquisas são importantes, mas ele alerta para o fato de que o equipamento recém-apresentado em Calgary prioriza a captura do gás, e não a sua redução. "Esse deveria ser o foco", afirma Neuding. 

 

 

Além disso, ele argumenta que o resultado obtido - 20 toneladas de CO2 por ano por metro quadrado - não atende às necessidades atuais. O mundo produz atualmente 40 bilhões de toneladas de carbono. "Isso a árvore já faz, é o equipamento mais eficiente que tem. A barreira está em tirar a quantidade de carbono que se precisa dentro de uma equação econômica viável", diz.



Valor Econômico

São Paulo/SP

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