Acesso Restrito

Experiência de 29 tem nova serventia

09/10/2008

Seth Glickenhaus, um dos poucos que já trabalhavam em Wall Street durante a Grande Depressão e ainda atuam no mercado financeiro, acredita que as bolsas talvez estejam batendo no fundo - mas só temporariamente. 

 

Glickenhaus conseguiu seu primeiro emprego em Wall Street em meados de 1929, e em 1938 fundou sua própria firma de administração financeira. Ele acredita que as bolsas vão se recuperar, mas teme que elas possam acabar caindo de novo. 

 

 

Hoje, ele está deixando 20% das aplicações de seus clientes em dinheiro vivo - o nível mais alto que se lembra de ter mantido. 

 

 

Hoje com 94 anos, Glickenhaus continua atuando como diretor de investimentos da Glickenhaus & Co., que administra um total de US$ 1,8 bilhão de clientes abastados e fundos de pensão. "Há uma diferença clara entre a situação atual e o 'break' de 1929", diz ele, usando um eufemismo comum em Wall Street para "crash". 

 

 

"No 'break' de 29, o (presidente) Hoover e o (Secretário do Tesouro) Andrew Mellon se retraíram o tempo todo. Eles acreditavam que não era papel do governo se envolver. Desta vez, o governo está movendo céus e terras para reverter o ciclo", explica. 

 

 

Este ano, investidores nervosos têm procurado profissionais com longa experiência para saber o que pensam sobre o mercado. Glickenhaus entrou no ramo como operador de títulos municipais na Salomon Brothers & Hutzler (hoje parte do Citigroup), depois de estudar economia, formando-se em Harvard em 1934. 

 

 

Os telefonemas de clientes procurando seus conselhos começaram "alguns meses atrás, quando ficou patente que o país estava em dificuldades", diz Glickenhaus. 

 

 

As contas da Glickenhaus & Co. caíram este ano até julho, mas menos do que o mercado em geral. Nos últimos cinco anos, as contas que a firma administra tiveram um ganho anual médio de 17%, bem superior aos 7% apresentados pela Standard & Poor's 500, segundo a Morningstar Inc. 

 

 

Embora Glickenhaus acredite que as ações já caíram tanto que é provável que se recuperem a curto prazo, a economia está tão fraca e o sistema financeiro tão prejudicado que "uma recessão, ou até mesmo uma possível depressão, vai durar pelo menos cinco anos", advertiu ele. "É bem capaz que a Média Industrial Dow Jones baixe para 9.500 pontos". 

 

 

"Ficamos muito frouxos nos Estados Unidos, politicamente, economicamente, em tudo. Tivemos tanta prosperidade que já não conseguimos mais competir. Mas essa época já ficou para trás, exceto nas pequenas empresas. Creio que em áreas como a indústria automobilística, essa fase já passou", disse Glickenhaus, que já foi grande acionista da Chrysler. 

 

 

Ele está otimista em relação aos países em desenvolvimento, e dá preferência a papéis vinculados à demanda de combustíveis e à necessidade de matérias-primas desses países 

 

 

"Gostamos de ações de oleodutos e gasodutos, que geram bom rendimento e têm negócios estáveis", diz ele, que prefere comprar ações quando não estão caras e apresentam boas perspectivas. Suas preferidas são empresas que transportam e armazenam petróleo, gás e outros líquidos naturais. "Também damos preferência a transportadoras de mercadorias secas a granel - navios que transportam produtos como minério de ferro, carvão, trigo cimento, fertilizantes, coisas desse tipo, para a China." 

 

 

Entre suas empresas favoritas estão donas de ductos como Enterprise Products Partners, Energy Transfer Partners e Boardwalk Pipeline Partners, e as empresas de navegação Navios Maritime Holdings, Eagle Bulk Shipping e Excel Maritime Carriers. Glickenhaus não está aplicando o dinheiro dos clientes em títulos de dívida do governo ou de empresas. Ele não acha que os papéis do governo rendam o bastante e não confia nas classificações atribuídas pelas agências de risco para avaliar eficazmente a dívida de empresas. 

 

 

Apesar de todos seus anos em Wall Street, ele não tem simpatia alguma pelos que levaram à atual crise. "As pessoas estão assustadas e muito zangadas", disse Glickenhaus. "Elas acreditam que tudo o que foi feito se destina a beneficiar Wall Street e pagar esses ridículos salários e pacotes de recisão que os dirigentes das empresas faturam ao sair, tenham eles trabalhado bem ou mal. E em alguns casos, a atuação deles foi pior ainda do que se acredita. Não sou tão pessimista quanto ao futuro da bolsa. Sou mais pessimista quanto ao futuro das empresas."  



Valor Econômico

São Paulo/SP

The Wall Street Journal Americas 

09/10/2008

 

    Somos associados

     

  • CIAB
  • epe
  • World Coal Association
  • Global CCS Institute

Rua Pascoal Meller, 73 - Bairro Universitário - CEP 88.805-380 - CP 362 - Criciúma - Santa Catarina
Tel. (48) 3431.8350/Fax: (48) 3431.8351