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Rio Tinto anuncia expansão de mina em MS

30/07/2008

A mineradora anglo-australiana Rio Tinto anuncia hoje seus planos de novo investimento no Brasil. A multinacional pretende gastar US$ 2,15 bilhões para expandir a produção de minério de ferro de sua mina de Corumbá, em Mato Grosso do Sul. A capacidade de produção vai saltar de 2 milhões para 12,8 milhões de toneladas anuais no fim de 2010. Numa segunda etapa, a mina poderá chegar a 23,2 milhões de toneladas. A idéia da segunda maior produtora de ferro mundial é ampliar mercados para seu minério de ferro na América Latina e Oriente Médio. 

 

 

Para analistas de mineração, como Paolo Di Sora, do MSafra, "hedge fund" do grupo Safra, esta ampliação não parece um negócio de grandes proporções dentro do contexto da Rio Tinto, que é gigante e produz mais de 170 milhões de toneladas anuais. O plano é chegar a 600 milhões de toneladas. 

 

 

DiSora destaca que alguns projetos de expansão de mineradoras brasileiras são bem maiores. A MMX Sudeste, por exemplo, tem planos de atingir 40 milhões de toneladas, a Usiminas projeta alcançar 29 milhões de toneladas em suas minas da J. Mendes enquanto Casa de Pedra, da CSN, tem meta de 100 milhões de toneladas. 

 

 

O anúncio do investimento da multinacional no Brasil se dá num contexto em que a Rio Tinto está tentando se defender da oferta hostil da australiana BHP-Billiton, a maior mineradora do mundo. Nos últimos meses, a anglo-australiana tem anunciado muito crescimento orgânico no carvão, no minério na Austrália e agora no Brasil e no cobre. 

 

 

"A Rio Tinto quer convencer o mercado de que vale mais do que a BHP Billiton está lhe propondo (3,4 ações da BHP por uma da Rio Tinto, equivalente a US$ 150 bilhões). É um movimento para tentar se defender de uma oferta que está na mesa", avalia DiSora. Para ele, se a Rio Tinto conseguir bloquear a oferta, seus acionistas têm de se preparar para perder um bom dinheiro, pois a operação já está precificada na ação e consequentemente no valor de mercado da companhia (US$ 154 bilhões). 

 

 

Nesse cenário, Marcus Cardoso, gerente da PricewaterhouseCoopers considera que a Rio Tinto pode conseguir com estes projetos de expansão é puxar um pouco mais a oferta da BHP, mas isto não será suficiente para inviabilizar a fusão, que formaria uma empresa de valor de mercado de US$ 354 bilhões. A Price trabalha com a perspectiva de fusão entre as duas empresas ainda este ano. No final desta corrida de " gato e rato" quem vai decidir são os investidores da Rio Tinto e o mercado de commodities, prevê Cardoso. 

 

 

No Brasil, a expansão da Rio Tinto vem sendo planejada há pelo menos três anos. Atualmente, a multinacional produz a maior parte de seu minério de ferro na Austrália, seu país de origem, e vende o insumo na Ásia. O projeto brasileiro pode ajudar a aumentar a presença da companhia na América Latina e na Ásia e consolidar seu produto na Europa. 

 

 

Mas os planos para da Rio Tinto para crescer no Brasil esbarram em dois problemas: a legislação federal sobre investimentos estrangeiros em mineração nas áreas de fronteira do país e a logística. 

 

 

A logística para transporte do minério de Corumbá é cara. A mina fica na morroaria de Santa Cruz, quase fronteira com a Bolívia. A produção de minério é escoada pela Transbarge Navegación (TBN), da própria Rio Tinto, ao longo das hidrovias dos rios Paraguai e Paraná até a Argentina, onde abastece a Siderar, usina da Techint e, de lá, segue para clientes na Europa, como ArcelorMittal, que compra 60% da produção. 

 

 

Para melhorar essa logística, já que Corumbá está a 1.800 km de Rio e São Paulo, a Rio Tinto estudava fazer um contrato com a ferrovia da ALL, antiga Baurú-Corumbá, que vai até Santos. 

 

 

Outra dificuldade que afeta os investimentos da Rio Tinto no Brasil é legal. A lei proíbe empresas estrangeiras de terem o controle de negócios minerais na faixa de 150 km de fronteira do país, exigindo em contrapartida agregação de valor ao minério. Por conta disso, a multinacional perdeu dois potenciais sócios de seu projeto para erguer um complexo siderúrgico ao lado de Corumbá (a Techint e a americana Nucor). Há anos tramita um projeto de lei no Congresso para alterar a lei. 


Valor Econômico

São Paulo/SP

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30/07/2008

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