Acesso Restrito

Estrangeiros enfraquecem oferta da Vale

18/07/2008

O baixo comparecimento do investidor estrangeiro enfraqueceu a oferta global da Vale. A companhia captou US$ 11,4 bilhões, menos que os US$ 14 bilhões anunciados. A operação será fechada terça-feira. As últimas avaliações do mercado indicam que, apesar de a companhia ser vista como uma boa empresa, o "gringo" não apareceu de forma maciça como era esperado. O investidor de fora subscreveu 60% da emissão, enquanto 40% ficaram nas mãos de brasileiros. Em operações semelhantes, esses percentuais costumam variar entre 75% a 80% do total das ações ofertadas para estrangeiros e 25% a 20% para o investidor local. 

 

 

Para Paolo Di Sora, analista da gestora M. Safra Investimentos, as commodities estão vivendo um mercado de baixa, no que ele considera ser a maior crise global que já se viu. A oferta da Vale, acredita, foi atropelada pela turbulência destes mercados. 

 

 

Para o analista, o risco de recessão mundial está deixando o investidor estrangeiro reticente em aumentar sua exposição neste setor. "Mesmo quem comprou na oferta prevê que o investidor lá fora começará a sair das commodities metálicas e a granel para buscar papéis de setores mais defensivos, como o setor elétrico", diz Di Sora. Ele lembra que as ações da siderúrgica americana Nucor, por exemplo, caíram 12%. "As da Vale tiveram comportamento um pouco melhor num momento de fundo de poço do setor." 

 

 

Os papéis ordinários (ON, com voto) da Vale na Bovespa encerraram ontem o pregão em queda de 5,41%, cotados a R$ 46,54, pouco acima do preço da oferta, de R$ 46,28. As preferenciais (PN, sem voto) série A recuaram 5,40%, para R$ 40,30, valor ligeiramente superior aos R$ 39,90 fixados na emissão. Nesse cenário, o valor de mercado da Vale atingiu ontem US$ 135 bilhões, 44% abaixo dos quase US$ 190 bilhões alcançados no pico de preço das ações em maio. 

 

 

Em relatório divulgado ontem, o Goldman Sachs reviu sua recomendação para as ações da Vale de neutra para compra, por ver no curto prazo uma oportunidade para o investidor. No desenho dos analistas do banco americano Marcelo Aguiar, Eduardo Couto e Pedro Grimaldi a mineradora tem fundamentos sólidos e fôlego para resistir a tempos difíceis, apesar do desempenho abaixo das expectativas do aumento de capital. 

 

 

Mesmo num cenário de declínio suave da economia chinesa, que resultaria em queda de 40% em média dos preços dos metais e de 13% nas commodities a granel, como minério e carvão, o ADR (recibo de ações negociado em Nova York) da Vale pode reagir e atingir US$ 33, valor 5% acima dos níveis atuais, projeta o banco americano. O Goldman aposta que, nos próximos seis meses, o papel da Vale tem um potencial de ganho de 35%. 

 

 

O Goldman avalia que os riscos de pressões de custo, altos estoques de minério nos portos chineses e uma potencial redução da produção de aço na China de julho a outubro já estão no valor atual das ações. 

 

 

Já Di Sora, da M. Safra, acha que o investidor mais global não está muito atento a esses detalhes setoriais e está focado mais no processo de desaceleração da economia mundial, que vai levar as commodities a um ajuste de preços para níveis abaixo dos atuais. O analista não vê a China desacelerando dramaticamente. Para ele, uma boa saída para o setor de mineração neste cenário baixista é retomar operações de fusões e aquisições para aproveitar a queda do valor das empresas.  

 

 

"O ideal é a Vale fazer logo uma oferta por algum ativo, ela captou num momento de queda do mercado e deve aproveitá-lo para comprar alguém", opina Di Sora. O valor de mercado de alguns alvos da Vale despencou. A Xstrata caiu 28%, de quase US$ 90 bilhões em maio para US$ 68 bilhões. O da americana Freeport McMoran baixou 25%, recuando de US$ 48 bilhões para US$ 38 bilhões. 


Valor Econômico

São Paulo/SP

Investimentos

18/07/2008

    Somos associados

     

  • CIAB
  • epe
  • World Coal Association
  • Global CCS Institute

Rua Pascoal Meller, 73 - Bairro Universitário - CEP 88.805-380 - CP 362 - Criciúma - Santa Catarina
Tel. (48) 3431.8350/Fax: (48) 3431.8351