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Pensilvânia vem ao Brasil em busca de parcerias

14/07/2008

Uma comitiva da Pensilvânia, composta por membros do governo e empresas ligadas ao setor de energias renováveis, desembarcou no Brasil na semana passada em busca de negócios nos setores de etanol e energia solar. "Somos o principal estado industrial dos Estados Unidos e temos metas a cumprir em relação a energias renováveis, além de inovações tecnológicas neste setor", afirma Wilfred Muskens, secretário de desenvolvimento econômico da Pensilvânia. "Viemos ao Brasil trocar informações com as empresas brasileiras e o país tem grande potencial em renováveis", acrescenta.

Hoje, 55% da eletricidade do estado norte-americano é gerada a partir de térmicas a carvão mineral e cerca 35% é proveniente de usinas nucleares. O restante fica por conta de fontes hídricas e termelétricas a gás natural. A meta da Pensilvânia é chegar em 2020 com 18% da matriz composta por fontes renováveis, sendo metade desse percentual oriunda de eletricidade gerada pelo sol.

A empresa Solar Power Industries veio ao Brasil apresentar uma nova matéria-prima, desenvolvida no estado norte-americano, para as células fotovoltaicas (placas que absorvem o calor solar e o transformam em eletricidade). "Descobrimos que o silício policristalino é muito mais eficiente nas placas do que os tradicionais semi-condutores", explica Richard Rosey, vice-presidente da empresa. Segundo ele, o preço também é mais vantajoso. "A nossa matéria-prima custa US$ 50 o quilo e o material que é usado tradicionalmente custa mais de US$ 120 o quilo", diz. "Vale ressaltar que a matéria-prima representa 25% do custo total de uma placa fotovoltaica", afirma.

Apesar de não revelar o nome das empresas que procurou no Brasil, Rosey afirma que já mantém negociações avançadas no País. "Esse é um bom negócio para aquelas pessoas que não estão ligadas na rede nacional de eletricidade, porque não é necessário fios, basta instalar a placa", diz Rosey, sugerindo a energia solar como uma boa alternativa para a região Nordeste brasileira. "Na Pensilvania, temos quatro horas de sol no inverno e isso já é suficiente para atender a demanda de uma casa com quatro pessoas. Imagine no Brasil, que tem 12 horas de sol", argumenta o executivo, salientando que o consumidor que tem a placa não paga conta de luz. "Já fornecemos a tecnologia para países como Suécia, Espanha, Itália, China e Índia".

Na área do etanol, a comitiva apresentou a empresa Bioenergy International, que busca aperfeiçoar o processo produtivo do combustível a partir da biomassa, além de ampliar o leque de possibilidade de produtos feitos a partir do bagaço da cana, ou do milho, ou ainda da laranja.

"Desenvolvemos um microorganismo capaz de produzir não só etanol, mas também químicos, como plástico", afirma Corine Young, diretora de relações governamentais da empresa. "O resultado é um combustível mais limpo e os produtos biodegradáveis", acrescenta a diretora da empresa.

Segundo a executiva, a empresa já se reuniu com a União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica) e com a Petrobras. "A intenção foi demonstrar que o setor sucroalcooleito poderá produzir etanol e polietileno feito a partir da cana-de-açúcar", afirma. Além disso, salienta, com a aplicação deste microorganismo na cana, é possível melhorar a produtividade do produto.

Foco nos biocumbustíveis

O estado norte-americano tem uma das mais avançadas normas sobre energia alternativa daquele País. "Há seis anos a energia renovável tornou-se prioridade para a Pensilvânia e, por isso, há quatro anos foi instituída uma lei no estado que obriga que 18% de toda a energia gerada até 2020 seja renovável. E deste total, 9% devem ser proveniente de energia solar", afirma Musken. "Depois da lei, o foco tornou-se a energia solar, a eólica e os biocombustíveis", esclarece o executivo.

Com a lei de energia limpa, diz Muskens, o estado norte-americano atraiu muitos investidores, empresas prestadoras de serviços e equipamentos para usinas renováveis. "O nosso governador (Edward Rendell), encabeçou uma campanha para atrair a espanhola Gamesa", comenta o secretário. A Gamesa é especializada em energia eólia e está investindo US$ 84 milhões para estabelecer quatro unidades de produção na Pensilvânia. "Além das empresas, a iniciativa se mostrou tão positiva que três outros estados vizinhos passaram a aplicar a mesma lei", diz Muskens.

Incentivos do governo

Na próxima década, a Pensilvânia também tem a meta de substituir 3,4 bilhões de litros de combustível fóssil por recursos alternativos locais como o etanol e o biodiesel. A comitiva informou que o governo irá subsidiar o combustível por 10 anos, mantendo o fornecimento à população a preços bastante baixos.

Hoje, o estado gasta cerca de US$ 30 bilhões anuais com importação de combustíveis. "Em vez de gastar fora, estamos investindo internamente e colocando os habitantes para trabalhar", comenta Muskens.


Gazeta Mercantil

São Paulo/SP

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14/07/2008

 

 

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