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ONS "aperfeiçoa" mapeamento do sistema elétrico nacional

10/07/2008

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) decidiu reformular a divulgação do documento anual que mapeia as redes de transmissão e distribuição para não causar "interpretações errôneas". O Plano de Ampliação e Reforços da Rede Básica (PAR), disponível no site do ONS há pelo menos cinco anos, foi retirado da página do Operador com o objetivo de apresentar informações mais contextualizadas - segundo afirmou o diretor-geral do ONS, Hermes Chipp.

O documento identificava e quantificava as falhas do sistema elétrico, bem como mostrava as respectivas conseqüências para a segurança do abastecimento de energia. As falhas eram classificadas de acordo com a gravidade de cada situação: as deficiências que podiam causar apagão, por exemplo, eram consideradas graves. Em janeiro de 2005, quando o País sofreu uma série de interrupções no fornecimento de energia, a Gazeta Mercantil publicou que haviam no sistema 89 problemas operacionais, dos quais 46 podiam levar o País a cortes de carga entre 2005 e 2007.

Hermes Chipp explicou que, a partir de agora, o PAR continuará identificando problemas da rede, mas "dentro de um contexto". Segundo ele, é necessário distingüir as falhas, mostrando que um defeito pode ser muito mais relevante que outro, por se tratar, por exemplo, do abastecimento de uma grande metrópole. Do jeito que estava, segundo ele, todas as falhas pareciam ter a mesma importância. Procurado por este jornal em maio, o ONS informou que só poderia mostrar o documento após as modificações sugeridas por Chipp, que devem ser concluídas ainda neste mês.

Em palestra ontem na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Chipp defendeu a racionalização do uso de energia no País, procedimento comum em países desenvolvidos. "O que deveria ser tratado como uma atitude normal, natural, mas não acredito que haja maturidade para se decretar um racionamento preventivo, voluntário", disse, durante a palestra.

O tema da racionalização foi levantado porque o ONS constatou que o consumo de energia está crescendo 5% ao ano sem a mesma proporção de aumento das chuvas. Para não reduzir o nível dos reservatórios e aumentar o risco de segurança do sistema, o ONS despacha térmicas a gás, óleo ou carvão, energia mais cara que a hidráulica, para gerar eletricidade. Para Chipp, a racionalização pode ser uma alternativa para não onerar o consumidor.

Em simulação realizada em junho para verificar quanta água é necessária para manter o abastecimento de energia ao longo do período seco, o ONS constatou que o ideal é manter 53% da capacidade dos reservatórios. No Nordeste, o ONS defende a necessidade de ter reservatórios com pelo menos 35% da capacidade com água. Batizada de 'nível-meta', a política de estabelecimento de níveis mínimos de água nos reservatórios reduz a praticamente zero o risco de desabastecimento, segundo Chipp.

Mas, para manter o ''nível-meta'', nos reservatórios, o ONS terá que despachar cerca de 1.564 megawatts de energia térmica. Para acionar as térmicas, contudo, a Petrobras precisa administrar a oferta de gás natural, porque ainda não há gás suficiente para gerar energia e abastecer indústrias e carros ao mesmo tempo. Outro incômodo causado pelo uso da energia térmica está no custo da geração, maior que o das hidrelétricas.

"Acho que essa questão deveria ser discutida de forma transparente", afirmou.

Chipp explicou que o ONS já está trabalhando com base no nível dos reservatórios para definir o despacho das usinas. O procedimento do nível de segurança - em 53% dos reservatórios - vai para audiência pública e será definido em um mês, segundo ele. O percentual é suficiente para garantir o abastecimento do País mesmo diante de uma situação de escassez semelhante à segunda pior seca do País. No caso do Nordeste, o percentual cai para 35% e significa que é água suficiente para segurar a pior estiagem da região.

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) aprovou no mês passado os níveis-metas dos reservatórios do País para este ano. Falta passar pelo crivo da Aneel, mas já está praticamente autorizado, segundo o ONS.


Gazeta Mercantil

São Paulo/SP

Nacional

10/07/2008

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