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Perigo de desabastecimento em 2009 é "praticamente zero", avalia EPE

01/07/2008

Graças à nova metodologia de metas adotada pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Mauricio Tolmasquim, avalia que o risco de desabastecimento em 2008 é zero e que o de 2009 é "praticamente zero". O volume de energia térmica a ser usado para poupar a hidrelétrica, segundo ele, não pode ser calculado previamente porque dependerá do regime das chuvas nos meses de seca. Quanto mais chover, menos as térmicas serão acionadas. O problema é que maio e junho já foram meses ruins para a hidrologia energética. 

 

 

Embora o período chuvoso deste ano não tenha sido tão bom como o do ano passado, os reservatórios das regiões Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste terminaram a estação em níveis muito próximos aos de 2007 graças aos esforços de gestão e ao uso de termelétrica, especialmente no caso nordestino. No fim de maio as barragens das hidrelétricas do Sudeste/Centro-Oeste estavam com 82,98% da capacidade, ante 85,56% no mesmo período de 2007. No Nordeste, a relação era 82,14% agora, diante de 90,44% em maio do ano passado. 

 

 

A acumulação de água nos reservatórios fez com que o risco de racionamento em 2009 caísse de 7,5% em janeiro para 3% agora em junho no monitoramento feito pelo Instituto Acende Brasil. Para 2010, o risco baixou de 9,5% para 5%, isso considerando um crescimento anual da demanda de 5,1%. Ou seja, tanto para um como para o outro ano, o risco está dentro do limite considerado administrável pelos padrões do setor elétrico. 

 

 

O vice-presidente da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), Adjarma Azevedo, entende que, pelo quadro atual, os riscos de desabastecimento foram afastados para 2011 e 2012. Para além de 2010, ele considera que permanece o quadro de incertezas quanto à entrada de novas hidrelétricas ou quanto à disponibilidade de gás para mover termelétricas. Ele também critica o uso de térmicas agora para poupar água. "A energia vai aumentar de preço, nós vamos deixar de ser competitivos e o pior é que a sociedade não sabe disso." 

 

 

Nas contas da EPE, essa incerteza pós 2010 também está equacionada. Tolmasquim confia que o esforço feito pela Petrobras para importar gás natural liquefeito (GLN) e mais a busca da colocação de novos campos em produção garantirão combustível para as térmicas, tanto que a estatal já está disponibilizando o produto para empresas que queiram ofertar mais energia térmica no leilão para 2013. 

 

 

Além disso, a EPE conta que pelo menos 2.000 megawatts de energia de biomassa (bagaço de cana), dos 7.800 inscritos para participar de leilões, sejam efetivamente ofertados no sistema entre 2010 e 2011. Térmicas a carvão (importado) ofertadas no último leilão da Aneel também fazem parte do portfólio da EPE. A empresa está estudando, a pedido do Ministério de Minas e Energia (MME), um leilão de energia eólica em 2009, mas Tolmasquim admite que o preço ainda faz dessa alternativa uma possibilidade futura. 

 

 

Ele defende a retomada rápida da usina nuclear Angra 3 e a construção de pelo menos mais uma das quatro que estão programadas para os próximos anos até como forma de renovar o capital humano especializado. "A geração formada na Alemanha está em idade de se aposentar." Essa renovação, segundo Tolmasquim, é essencial porque a partir de 2025 a energia nuclear deve tomar o lugar da hídrica na expansão do parque gerador brasileiro. 

 

 

Até lá, contudo, o presidente da EPE avalia que o principal é construir as hidrelétricas que já foram licitadas e as que estão sendo mapeadas pela empresa para futuros aproveitamentos, inclusive na Amazônia, onde está 65% do potencial hidrelétrico brasileiro remanescente, com todos os cuidados ambientais. "É fundamental o Brasil ter bom senso. Se não fizer as hídricas, vai ter que usar mais termelétricas", argumenta. Pelo cronograma da EPE, já existem 26.777 megawatts em sete hidrelétricas na Amazônia para serem licitados até 2011, começando por Belo Monte, no Pará (11.182 MW), com leilão previsto para 2009. (CS) 


Valor Econômico

São Paulo/SP

Especial

1º/07/2008

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