Acesso Restrito

Como será o amanhã, responda quem puder

30/06/2008

Acaba hoje um semestre que a maioria dos investidores prefere esquecer. Apesar da crise do setor imobiliário americano, que começou no fim do ano passado, as expectativas eram de que a situação externa melhoraria e que o pujante crescimento da economia brasileira falaria mais alto. A realidade, no entanto, fugiu bastante da teoria. O buraco da crise dos EUA mostrou ser mais embaixo e a pujança da atividade econômica local logo bateu na inflação, o que fez o Banco Central tirar da gaveta o processo de aperto monetário. Resultado: o Índice Bovespa, que chegou a ultrapassar a marca dos 73.500 pontos em maio após o Brasil se tornar grau de investimento, fechou sexta-feira aos 64.321 pontos, com insignificante alta no ano de 0,68%. Para esta segunda metade do ano, os analistas estão mais otimistas, acreditando que os problemas nos EUA irão, aos poucos, se dissipar e a inflação será domada, pelo menos a brasileira. 

"Acredito que estamos próximos de uma virada, o mercado está digerindo a crise financeira americana e o repique da inflação e, após esse processo, haverá plenas condições de uma recuperação", afirma o diretor de renda variável do banco Itaú, Walter Mendes. Isso não significa que as ações não possam testar novas mínimas antes da recuperação. "O Ibovespa pode cair até 62 mil, 63 mil pontos, mas depois deve tomar impulso para entrar num período de recuperação", acredita Mendes.

Motivos não faltam para os investidores começarem a olhar o copo meio cheio e não meio vazio, como fizeram durante todo este mês. O diretor enumera alguns desses elementos. Externamente, a recessão americana dá sinais de não ser tão profunda. Já os bancos internacionais, mesmo que aos trancos e barrancos, devem sobreviver aos prejuízos que tiveram com os títulos hipotecários. Os Bancos Centrais continuarão oferecendo a liquidez que o mercado precisa para entrar nos eixos. 

Já internamente, a inflação voltará para níveis aceitáveis. "O mercado não teve o desempenho que os analistas imaginavam em boa parte porque, no começo do ano, ninguém tinha idéia de que a inflação seria tão agressiva", lembra Mendes. O mercado brasileiro também sofreu adicionalmente porque o grau de investimento do Brasil aconteceu pouco tempo antes de uma nova deterioração da crise americana. "Como as ações brasileiras estavam nas máximas, elas foram as primeiras que os investidores estrangeiros venderam no momento de aversão ao risco", completa o diretor. 

Nessa gangorra que foi o mercado neste primeiro semestre, as ações de siderurgia e de energia elétrica foram as que entregaram os melhores resultados. Entre as 20 maiores altas do Ibovespa, 11 são desses setores. As siderúrgicas conseguiram repassar para os preços dos seus produtos os reajustes dos insumos que utilizam na produção, como minério de ferro e carvão, lembra o chefe de análise da Planner Corretora, Ricardo Tadeu Martins. Já as elétricas, depois de ficarem defasadas com o resultado dos leilões das usinas de Santo Antônio e Jirau, além do fracasso da privatização da Cesp, passaram a ser vistas como uma espécie de seguro contra inflação, já que suas tarifas são reajustadas pelos índices de preços. Na visão de Martins, no segundo semestre, os papéis ligados ao crescimento são os que devem dar as maiores alegrias. Estão nesse grupo ainda as ações de siderurgia, energia e ainda os bancos. 

O chefe de análise da Link Investimentos, Celso Boin Júnior, segue a mesma linha de raciocínio. "O aumento da taxa Selic vai servir apenas para atacar a inflação e não irá comprometer o crescimento sustentável do país", diz Boin Júnior. Além de siderurgia, que já foi bem, ele aposta numa valorização das ações de varejo e bancos, que estão na bacia das almas. "Não há motivos para esses papéis ficarem esquecidos dessa forma; a carteira de crédito dos bancos, por exemplo, está crescendo a taxas entre 20% e 25% ao ano, como era previsto", afirma ele. "Quem teve expectativas frustradas é porque estava otimista além da conta", completa o chefe de análise. 

 

Daniele Camba é repórter de Investimentos


Valor Econômico

São Paulo/SP

Investimentos

30/06/2008

    Somos associados

     

  • CIAB
  • epe
  • World Coal Association
  • Global CCS Institute

Rua Pascoal Meller, 73 - Bairro Universitário - CEP 88.805-380 - CP 362 - Criciúma - Santa Catarina
Tel. (48) 3431.8350/Fax: (48) 3431.8351