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Petróleo caro desestimula demanda no médio prazo

26/06/2008

A demanda mundial de petróleo vai disparar nas próximas duas décadas, mas de forma mais moderada do que o previsto por especialistas há um ano, pois os altos preços do petróleo cobrarão um preço, segundo a Agência de Informações sobre Energia (AIE), do governo dos EUA. 

 

 

O consumo mundial crescerá 50% até 2030, disse AIE, em sua nova projeção anual para o longo prazo. Para o órgão, a demanda dos países em desenvolvimento explodirá, aumentando 85%, na comparação com uma elevação de 19% nos países industrializados. 

 

 

A AIE disse também que os países consumidores ficarão mais dependentes da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) devido à baixa produção nos demais lugares. 

 

 

"Notamos um crescimento robusto no consumo de energia", disse Guy Caruso, que chefia a agência. "A maior parcela, a maioria dessa expansão, estará nos mercados emergentes", em particular na China e Índia, disse. Para Caruso, a maioria do crescimento na demanda de energia estará nos combustíveis para meios de transporte, numa hora em que consumidores nos países em desenvolvimento compram mais veículos. 

 

 

A demanda mundial por petróleo em 2010 atingirá uma média de 89,2 milhões de barris por dia (b/d), prognosticou a agência, reduzindo a sua projeção em 1,5 milhão b/d ante o ano passado, devido aos preços mais altos. 

 

 

Na China, a previsão do uso de petróleo foi reduzida em 600 mil b/d, para 8,8 milhões b/d. O número ainda representa um aumento de 10% em relação à demanda de 8 milhões b/d projetada para este ano. 

 

 

A previsão da AIE para a demanda de petróleo da Índia em 2010 permaneceu inalterada, em 2,7 milhões b/d. A AIE projetou demanda mundial de petróleo média de 112,5 milhões b/d em 2030, numa queda de 5,1 milhões b/d em relação à estimativa do ano passado. A projeção foi reduzida com base em preços previstos no verão passado, não no forte aumento ocorrido na cotação do petróleo em junho, que foi a quase US$ 140,00 o barril. A manutenção dos preços mais altos deverá reduzir a demanda em 13 milhões b/d adicionais em 2030. 

 

 

"Acreditamos que nos próximos de 5 a 10 anos os preços altos trarão novos suprimentos, que aplicarão pressão decrescente sobre os preços", disse Caruso. Ele não crê que os preços possam retornar aos níveis vistos nas décadas de 1980 e 1990. 

 

 

Para a AIE, o acréscimo no consumo de petróleo e o maior uso do carvão para a geração de eletricidade elevarão em 50% as emissões do principal gás do aquecimento global, o dióxido de carbono, para mais de 42 bilhões de toneladas métricas ao ano até 2030. 

 

 

A produção de petróleo de países fora da Opep não conseguirá manter o ritmo da demanda, portanto os países consumidores dependerão da Opep para mais provisões, disse a AIE. 

 

 

A agência removeu a produção de 1,1 milhão b/d da previsão do ano passado para fornecedores fora da Opep em 2010. Agora, ela espera que a produção se mantenha em 51,8 milhões b/d para aquele ano, num aumento em relação aos 49,5 milhões b/d projetados para esse ano. 

 

 

A produção de petróleo da Opep foi reduzida em apenas 400 mil b/d, para 37,4 milhões b/d para 2010, num aumento ante os 37,1 milhões b/d para 2008. 

 

 

Estima-se que os países da Opep elevarão a capacidade de produção, portanto, manterão uma fatia de aproximadamente 43% da produção mundial total de petróleo até 2030. A Arábia Saudita continuará sendo o maior produtor de petróleo do mundo em 2030, com produção esperada de 13,7 milhões b/d, uma queda acentuada em relação aos 16,4 milhões previstos no relatório do ano passado. 

 

 

Uma produção maior do Iraque e da Venezuela, membros da Opep, reduzirá a necessidade de a Arábia Saudita extrair mais petróleo das suas reservas, disse a AIE. A produção da Rússia está projetada em 13,5 milhões b/d em 2030, num aumento radical em relação à projeção de 11,5 milhões b/d feita pela agência no ano passado. "Estamos muito otimistas a respeito do potencial da Rússia", disse Caruso. 

 

 

A produção saudita de petróleo no curto prazo, porém, será bem maior do que o projetado no ano passado, atingindo uma média de 10,5 milhões b/d em 2010. 


Valor Econômico

São Paulo/SP

Internacional

26/06/2008

 

 

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