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Especulação com petróleo vira alvo de políticos nos EUA

25/06/2008

Cresce nos EUA a pressão política para a adoção de medidas contra a especulação com petróleo. As propostas recentes vão desde a restrição à atuação de fundos de pensão até ação na Organização Mundial do Comércio (OMC). 

 

 

O senador Joseph Lieberman (independente, mas ligado aos democratas) apresentou ontem ao Congresso americano proposta para que fundos de pensão e outros grandes investidores institucionais não possam investir no mercado futuro das commodities energéticas e agrícolas. 

 

 

Outros cinco senadores já propuseram medidas para evitar que fundos e grandes investidores contribuam para elevar os preços ao aplicar no mercado de futuros de Londres, menos regulado que o americano. Muitos políticos americanos consideram essa estratégia de investir em Londres como sendo uma brecha na legislação americana, pois seria possível influenciar o mercado do país por meio de manipulações fora dele. Grandes investidores colocaram bilhões de dólares nos mercados futuros. 

 

 

Walter Lukken, diretor da agência americana reguladora do mercado de futuros (CFTC, na sigla em inglês), disse ao Congresso estar preparando um relatório sobre os investimentos em commodities, que deve apresentar "recomendações para a melhora das práticas e do controle". A CFTC já impôs, na semana passada, limites ao tamanho das posições especulativas que podem ser mantidas no mercado de futuros londrino. 

 

 

Ainda na semana passada, Lieberman e outros dez senadores democratas pediram à Casa Branca que acione na OMC os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), sob a acusação de violação das regras de comércio mundiais, ao manterem baixa a produção. O pedido vem na esteira de um projeto ainda não votada no Congresso e que obrigaria o governo a acionar os países da Opep por prática anticompetitiva ao adotar quotas de produção que ele diz serem ilegais. Por motivos políticos, é muito improvável que os EUA acionem aliados árabes. 

 

 

O aumento dos preços da gasolina nos EUA, que superaram a marca histórica de US$ 4 o galão (cerca de R$ 1,70 o litro), vem fazendo com que os políticos do país ataquem cada vez mais a Opep. Num ano eleitoral, o número de propostas e projetos de lei contra o cartel internacional mais do que quintuplicou em relação a 2007. 

 

 

Os candidatos a presidente pelos partidos Democrata e Republicano, Barack Obama e John McCain, também prometeram medidas para combater a especulação e a manipulação dos mercados. Nenhuma das iniciativas até agora conteve a alta das commodities. 

 

 

Apesar de sete audiências do Congresso americano nos últimos três meses, não há consenso sobre se a especulação é realmente a causa maior da alta de preços de energia e alimentos. Mesmo o CFTC repetidas vezes argumentou que oferta e procura vêm sendo os fatores fundamentais por trás dos recentes movimentos de preços. 

 

 

Alguns analistas dizem que os legisladores ainda não conseguiram explicar de forma totalmente convincente como especuladores e fundos de pensão conseguiram influenciar o mercado ou por que motivo matérias-primas como ferro, carvão ou até mesmo arroz - sobre os quais especuladores têm acesso limitado - também continuam em escalada de preços. 


Valor Econômico

São Paulo/SP

Internacional

25/06/2008

 

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