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CSN desdobra ativos para ganhar valor

24/06/2008

Oito anos após deixar forçosamente o comando da Vale do Rio Doce, onde não conseguiu impor seu estilo empresarial aos sócios, Benjamin Steinbruch retoma, como dono quase absoluto da Cia. Siderúrgica Nacional (CSN), o caminho para erguer uma companhia com atuação diversificada. Seu objetivo é que a CSN faça muito mais do que aço e se torne uma das maiores mineradoras de ferro do mundo. Ele tem planos ambiciosos também para as áreas de logística, energia e cimento. Para acelerar essa estratégia, acaba de escalar um de seus executivos para formatar, em um ano, a "nova CSN". 

 

 

Juarez Saliba, mineiro de 47 anos, engenheiro de minas pela UFMG, de Belo Horizonte, que trabalhou na Vale durante quase duas décadas e chegou a CSN em 2003 para cuidar do negócio de mineração, foi elevado a diretor-executivo de desenvolvimento de negócios. A ele foi dada a missão de configurar a empresa em cinco áreas: siderurgia, mineração, logística, cimento e energia. A companhia já tem operações nos cinco setores, mas o objetivo é dar mais visibilidade para cada um deles e buscar o seu "valor não percebido" no mercado de capitais. 

 

 

Steinbruch acredita, e tem dito em várias ocasiões, que "as partes" da CSN, quando avaliadas separadamente, "valem mais que o todo". Ele alega que a empresa tem seu potencial sub-avaliado e seu plano é que a CSN alcance valor de mercado de US$ 45 bilhões agora, em julho, e o dobro disso até 2012. Até lá, espera concretizar boa parte dos projetos idealizados nos últimos três anos, que vão exigir muito investimento. São cerca de US$ 15 bilhões em mineração, aço e logística. 

 

 

Até o ano passado, mais de 90% da receita da CSN vieram da fabricação de aço. Espera-se que isso comece a mudar neste ano com o aumento das exportações de minério de ferro, face à produção siderúrgica, pelo menos até o fim de 2011. Os grandes projetos de aço da CSN vão demorar de quatro anos a sete anos para sair do papel. Já as operações de mineração começam a ganhar corpo em 2008 com a expansão da mina Casa de Pedra e da controlada Namisa, ambas em Minas, e do porto de Itaguaí (RJ). 

 

 

Neste momento, a empresa aposta todas suas fichas na mineração de ferro, buscando aproveitar a fase de ouro dessa matéria-prima no mercado mundial. A demanda da China e de outros países da Ásia e Oriente Médio sinaliza ainda bons anos pela frente, com perspectivas de novos aumentos de preços. E a CSN quer explorar ao máximo o potencial desse ativo, herdado desde o seu nascimento, em 1941. Tanto que os planos são de tirar, só de Casa de Pedra, em torno de 100 milhões de toneladas de minério por ano no futuro - 75% têm a exportação como destino. 

 

 

"Nosso gargalo era o porto", explica Saliba. Os números da CSN apontam investimentos elevados no terminal para embarque de minério de ferro, de forma a atingir 100 milhões de toneladas de capacidade no final de 2011. Neste ano, a CSN já prevê exportar 20 milhões de toneladas da matéria-prima do aço, consolidando-se como segunda maior vendedora desse produto no país, atrás da Vale, a líder mundial. 

 

 

Agora, a CSN está negociando a venda da subsidiária Namisa, que foi criada no fim de 2006 para driblar a pendência judicial da Vale com o Cade (órgão antitruste brasileiro) que dificultava Steibruch de fazer exportações do minério de Casa de Pedra. A Namisa nasceu como comercializadora, mas depois adquiriu suas próprias reservas de ferro e os planos da sua controladora, hoje, são de que seja alcance 40 milhões de toneladas de vendas, entre produção própria e compra de terceiros, até 2012. Esse desenho foi passado ao Goldman Sachs para buscar um comprador ou um sócio minoritário. O empresário espera fazer um bom caixa com a venda da mineradora. 

 

 

Pelos últimos negócios ocorridos no país no setor, o valor total da empresa pode superar a marca de US$ 10 bilhões. Vale lembrar que Eike Batista vendeu ao grupo Anglo American em 2007 e no início deste ano dois projetos da MMX por quase US$ 7 bilhões. Um deles começou a produzir em dezembro e o outro ainda depende de licenças ambientais para iniciar operações, na melhor das hipóteses, no fim de 2010. Ao todo, está prevista produção de 35 milhões de toneladas por ano. A Namisa, segundo Saliba, deverá fazer 8 milhões de toneladas neste ano, o dobro disso em 2009 e 20 milhões de toneladas em 2011. 

 

 

Com o dinheiro, Steinbruch poderá dar suporte aos seus inúmeros projetos de expansão, principalmente em siderurgia e logística, e até zerar a dívida da CSN, como manifestou ser seu desejo. Um capricho do empresário, pois a situação da empresa permite alavancagem no mercado financeiro. Pode também fazer uma polpuda distribuição de dividendos a todos os acionistas. 

 

 

Até o fim de junho, a CSN abrirá um "data room" (sala de informações) aos interessados na Namisa. Segundo Saliba, o plano prevê duas alternativas: a venda de 100% da empresa ou no máximo 49% do seu capital. O negócio deve ser fechado no mais tardar em setembro. "São muitos os candidatos", limita-se a dizer o executivo. As especulações apontam desde grandes grupos siderúrgicos da China, Coréia e Europa até fundos de investimentos. 

 

 

No negócio aço, a CSN pretende triplicar seu tamanho atual, de 5,6 milhões de toneladas, até 2015, com enorme soma de investimentos. Uma instalação de médio porte para aços longos encontra-se em instalação em Volta Redonda (RJ), dentro da atual usina, e deve começar a produzir até o início de 2009. São 600 mil toneladas. Também em Volta Redonda, a empresa planeja mais um alto-forno, de 1,5 milhão de toneladas, para 2011, voltado para o mercado interno. Já os dois grandes projetos - um em Congonhas, ao lado de Casa de Pedra, em outro em Itaguaí, num total de 9 milhões de toneladas, a CSN deverá fazer com parceiros ou buscando capital na bolsa, admite Saliba. "Para cada unidade de negócio vamos buscar a melhor configuração societária", afirma. 

 

 

Eike Batista tem feito isso com maestria. Desenvolveu vários projetos em mineração, energia, petróleo e logística e saiu vendendo partes deles, inicialmente a parceiros que se tornam potenciais compradores, como Anglo American, ou fundos de investimento qualificados. Depois, leva uma boa fatia do capital à bolsa de valores. 

 

 

Na siderurgia, a CSN tem ainda duas empresas no exterior, a CSN LLC, nos EUA, e a Lusosider, em Portugal. Mas Steinbruch ainda acredita poder combinar a produção de aço semi-acabado no Brasil com um grande ativo no exterior. Tentou fazer isso, sem sucesso, quando fez ofertas pela americana Wheeling-Pittsburgh há dois anos e pela anglo-holandesa Corus no ano passado. 

 

 

Da mesma forma que aço e mineração, será avaliada a área de logística. A empresa é dona do terminal portuário de Itaguaí, que está em fase de expansão e com novos projetos (para contêineres, carvão, minério de ferro e carga geral). Em ferrovia, detém 32% do capital da MRS Logística e controla a CFN/Transnordestina, esta última em fase de construção no Nordeste. A Transnordestina, ligando Pernambuco, Ceará e Piauí está orçada em R$ 4,5 bilhões, mas conta com grande parte de recursos federais: Finor e Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDN). 

 

 

A mais nova área de negócios da CSN é a de cimento e cal, que busca agregar valor a ativos detidos pela empresa. A CSN é dona de jazidas de calcário e dolomito em Minas e uma grande geradora de escória (resíduo da produção do aço) em Volta Redonda, onde já monta uma unidade de cimento para 1,5 milhão de toneladas. "Já temos planos para duas outras fábricas, que ficarão mais próximas do mercado", diz Saliba. Seriam unidades de moagem com capacidade de 1 milhão de toneladas cada uma. A empresa quer também entrar no mercado de cal, uma vez que já fabrica o produto para uso na usina de aço. 

 

 

A quinta unidade de negócio será composta pelos ativos na geração de energia. A CSN tem participações nas hidrelétricas de Itá (29,5%), no Sul, e Igarapava (17,9%), no rio Grande (MG/SP) e detém 100% de uma termoelétrica de 238 MW dentro da usina de Volta Redonda. Esse parque gerador, com 430 MW, garante auto-suficiência no consumo de energia à siderúrgica. 


Valor Econômico

São Paulo/SP

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