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BHP e Rio Tinto fecham reajustes por minério maiores que o da Vale

24/06/2008

Depois de meses de negociação com as maiores siderúrgicas chinesas, as gigantes da mineração Rio Tinto PLC e BHP Billiton Ltd. conseguiram ontem um reajuste de 85% no preço de referência do minério de ferro. O reajuste é um indício de que o preço mundial do aço deve continuar em alta, alimentando ainda mais os temores de inflação.

 

 

O reajuste, maior do que o negociado pela Companhia Vale do Rio Doce, foi acertado entre as mineradoras e a Baosteel Group Co., a maior siderúrgica da China, mas será válido para todas as siderúrgicas que compram ferro das duas mineradoras. O acordo da BHP com a Baosteel não foi divulgado, mas pessoas a par da questão dizem que o reajuste dela será idêntico ao da Rio Tinto.

 

 

O aumento é retroativo a 1o de abril. Isso significa que as siderúrgicas que compraram ferro da BHP e Rio Tinto desde essa época terão de pagar a diferença, que provavelmente resultará em bilhões de dólares a mais. Com este novo aumento, o preço de contrato do minério de ferro ficará na faixa de US$ 140 por tonelada, ante US$ 85 anteriores.

 

 

Para a Rio Tinto, a linha dura nas negociações foi importante não apenas para aumentar os lucros, mas também para ajudá-la a se defender da oferta da BHP, ou forçá-la a aumentar o valor para além de 3,4 ações da BHP para cada ação da Rio Tinto. A BHP fez sua primeira oferta em novembro. Em fevereiro, a Rio Tinto rejeitou uma oferta aumentada argumentando que ela subestimava o valor da empresa. O valor atual da oferta é de US$ 171,02 bilhões, a maior do mundo no momento.

 

 

Quase 30% do lucro da Rio vem das operações de minério de ferro, enquanto apenas uns 15% do lucro da BHP tem essa origem. "Somos muito maiores que a BHP em termos de minério de ferro", disse Sam Walsh, diretor-presidente da divisão de ferro da Rio Tinto. O reajuste "fornecerá um impulso considerável aos nossos lucros".

 

 

Marius Kloppers, diretor-presidente da BHP, disse que o resultado das negociações valida os argumentos a respeito do valor do minério de ferro australiano, mas não quis discutir outras conseqüências. "Eu não tenho interesse em ficar especulando sobre os efeitos secundários disso", disse.

 

 

A Rio Tinto e a BHP romperam com a tradição de permitir que uma mineradora e uma siderúrgica acordassem um preço que seria aplicado a todo o setor.

 

 

A Vale fechou um acordo este ano que reajustou o preço do ferro entre 65% e 71%. A BHP e a Rio Tinto rejeitaram-no, argumentando que merecem um pouco mais por causa do frete menor, já que o minério da Austrália está bem mais perto da China do que o da Vale.

 

 

Parte da razão pela qual a BHP e a Rio Tinto podem ter barganhado um preço melhor que o da Vale é que o mercado de ferro à vista tem se mantido relativamente em alta neste ano, oscilando na faixa de US$ 185 por tonelada. Isso pode ter pressionado a Baosteel a ceder.

 

 

Analistas disseram que a diferença entre o preço do acordo anunciado ontem e o acordo da Vale é de US$ 2 bilhões para a Rio Tinto e de metade disso para a BHP. A Rio Tinto está tentando aumentar ainda mais a diferença com um incremento de 14%, ou 30 milhões de toneladas, na produção de minério de ferro deste ano em relação à de 2007.

 

 

A notícia não é nada boa para as siderúrgicas, apesar já ser esperada. As mineradoras são maiores e as siderúrgicas simplesmente não têm poder de negociação.

 

 

A Baosteel informou que seus preços também serão reajustados como conseqüência, mas não deu estimativas. "O preço dos produtos da Baosteel será decidido com base nos custos e na demanda do mercado", disse uma porta-voz. Se incluído o reajuste mais recente, a Baosteel afirmou que o minério de ferro passou a corresponder a 65% de seus custos com matéria-prima. O aumento afeta todas as siderúrgicas, embora as americanas sofram menos, pois podem importar minério mais barato do Brasil.

 

 

Pelo menos uma siderúrgica ainda está sorridente, apesar do resultado das negociações mais recentes. A ArcelorMittal, maior produtora de aço do mundo, tem investido em suprimento próprio, tendo adquirido recentemente um conjunto de minas de ferro na África, Canadá e Rússia e de minas de carvão no Casaquistão, Índia e América do Sul. Além disso, ela já havia fechado este ano com a Vale um reajuste de 65% a 71% nos contratos de longo prazo. (Colaboraram Ellen Zhu, de Xangai, e Dana Cimilluca, de Londres)


Valor Econômico

São Paulo/SP

The Wall Street Journal Americas

24/06/2008

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