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China sobe preço de energia e combustível

23/06/2008

A China, segundo maior consumidor de petróleo do mundo, anunciou ontem um reajuste dos preços internos dos combustíveis e da energia elétrica, numa importante guinada política. O objetivo é reduzir o consumo e desacelerar a economia. Diante da expectativa de menor demanda chinesa, o petróleo fechou em forte queda ontem. As ações das empresas de petróleo também caíram, à exceção das chinesas, que terão aumento de receita. A medida deve elevar ainda mais a inflação na China. 

 

 

A gasolina (que custava apenas 40% do preço praticado nos EUA, já menor que o europeu e o brasileiro) sobe 17% a partir de hoje, segundo informou a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma. O diesel sobe 18%; a querosene de aviação, 25%. Já a energia elétrica será reajustada em 5%. São os maiores aumentos de preços em mais de uma década na China. 

 

 

As autoridades chinesas pretendem com isso conter o crescimento e aliviar a pressão sobre as refinadoras estatais, que vinham operando com prejuízo devido à disparada do preço do petróleo. 

 

 

A China estava sob pressão do Ocidente para cortar subsídios aos combustíveis, como já fizeram Índia, Malásia e Indonésia. Na América do Sul, o Peru cortou subsídios e o Brasil reajustou o preço dos derivados de petróleo. 

 

 

"Isso elevará a inflação na China, mas contribuirá para aliviar a pressão no resto do mundo", disse ontem Francisco Blanch, chefe de pesquisa para commodities da Merrill Lynch, referindo-se à queda do preço do petróleo que deve ser causada pela provável redução da demanda chinesa. 

 

 

Apesar de reduzir a pressão sobre os petróleo, a alta de preços na China pode, no médio prazo, ser repassada para os produtos vendidos pelo país, que viria assim a "exportar inflação". 

 

 

As ações da China Petroleum & Chemical (conhecida como Sinopec) e da PetroChina, as duas maiores empresas de refino de petróleo do país, tiveram forte alta na Bolsa de Nova York. 

 

 

O país precisa cortar anualmente o seu consumo de energia em ao menos 5% para cada unidade do PIB, para atingir a meta de consumo de 2010, segundo informou ontem Yang Tiesheng, diretor da Divisão de Eficiência Energética da Comissão, numa conferência sofre eficiência ontem em Pequim. "É uma meta extremamente difícil de ser atingida, mas estou otimista", disse ele. 

 

 

A China usou 1,17 tonelada de carvão equivalente para cada unidade de PIB produzida no ano passado. A meta é reduzir para 0,98 tonelada até 2010. 

 

 

A quarta maior economia do mundo cresceu 10,6% no primeiro trimestre deste ano, em relação ao ano anterior. Foi o nono trimestre seguido de crescimento em dois dígitos. Essa expansão foi puxada por indústrias que usam energia elétrica produzida por carvão, altamente poluente. Enquanto isso, o enriquecimento do país fez crescer as vendas de veículos e a demanda por combustíveis. 

 

 

O governo avalia ainda a introdução de uma taxa ambiental, sobre os combustíveis de automóveis, e um aumento do imposto sobre o uso de recursos naturais, como o carvão. 

 

 

No início da semana, o maior banco de investimento da China já havia aconselhado o governo a elevar em 50% o preço dos combustíveis, para estimular o uso mais eficiente da energia. O país precisa elevar o preço de produtos derivados de petróleo pois os crescentes subsídios são um risco considerável à sustentabilidade fiscal, disse o China International Capital. 

 

 

Os preços internacionais do petróleo dependem em boa parte da política de preços chinesa para a energia, já que o país responde por 40% do aumento do consumo global, disse o banco. 


Valor Econômico

São Paulo/SP

Internacional

20/06/2008

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