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‘Estamos quietos no nosso canto’, diz Agnelli, sobre compra

20/06/2008

O presidente da Companhia Vale do Rio Doce (Vale), Roger Agnelli, afirmou ontem que o foco da empresa agora é o crescimento orgânico e a contenção do aumento de custos - e não a saída às compras. "Estamos desembolsando US$ 59 bilhões nos próximos quatro anos, o maior investimento histórico de uma mineradora, voltados para 'greenfield' (projeto para construção) e 'groundfield' (ampliação de estruturas já existentes). Os investimentos são focados no crescimento orgânico, porque é mais barato, já que os ativos (possíveis aquisições) estão muito caros hoje", disse, na convenção de conselheiros da Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil que é um dos principais acionistas da Vale.
Nessa linha, o executivo negou que a companhia esteja alinhada a um pool de bancos, incluindo Bradesco, BB, RBS e Citibank, para formatar recurso suficiente para uma grande aquisição. "A única operação que estamos fazendo agora é de aumento de capital, emissão que visa deixar a companhia numa situação financeira confortável. O resto é especulação do mercado", disse. "Não vamos comprar ninguém, estamos quietos no nosso canto."
A captação, no valor de US$ 15 bilhões, foi aprovada pelo conselho da Vale e a expectativa é de que até o final de julho a companhia esteja com o dinheiro em caixa. A Valepar, controladora da companhia onde fica a participação da Previ, continuará com o mesmo percentual do capital, como já havia sido afirmado pela Vale.
Agnelli foi cauteloso ao falar de compras para o público do auditório da convenção de conselheiros da Previ, afinal o fundo de pensão foi citado no início do ano como um dos principais agentes contra a compra da Xstrata, pressionado pelo governo federal que achava a transação cara demais e inadequada ao momento.
No mercado, o nome mais cotado para venda à Vale é a Anglo American. Mas a companhia acabou de comprar operações de minério de ferro do grupo EBX. Ou ela pode partir para outro alvo, a Alcoa, cujo valor de mercado é da ordem de US$ 32 bilhões.
"Temos um time focado em planejamento e somos obrigados a avaliar todas as oportunidades. De fato, aumentamos muito o número de análises de possíveis aquisições, mas por enquanto são apenas pilhas de papéis", disse. A insinuação de Agnelli, entretanto, foi de que a empresa tem sido mais procurada por vendedores do que saído à procura.O executivo destaca o crescimento da empresa em três novas frentes: níquel, cobre e carvão. "Com a manutenção do cenário atual, vamos quadruplicar a atuação em cobre nos próximos anos, e compramos as maiores e melhores reservas de níquel", avalia. "Outra área nova que estamos nos posicionando é o carvão, por mais que haja discussões sobre impacto ambiental, ainda será, pelo menos nos próximos 20 anos, um recurso essencial. O desafio é como gaseificar num processo limpo esse carvão."
Segundo ele, a Vale vai manter a estratégia de entrar como sócia de siderúrgicas para alavancar a produção de aço - mas os acordos têm prazos médios de seis a oito anos, com participação minoritária. A empresa avalia com mais cuidado, por exemplo, venda de parte do capital que mantém na California Steel Industries, de 50%, controle compartilhado com a japonesa JFE.


Gazeta Mercantil
São Paulo/SP
GazetaInveste
20/06/2008


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