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Ministro Lobão garante leilão de eólica para início de 2009

17/06/2008

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse ontem em reunião na cidade de Fortaleza, Ceará, a portas fechadas, que no início do ano de 2009 haverá o primeiro leilão de energia eólica do País. "Num encontro histórico que reuniu todos os governadores dos estados do Nordeste, representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES), potenciais investidores, além do Greenpeace, o ministro Lobão garantiu que, além do primeiro, ocorrerão leilões de energia eólica periódicos", afirma Marcelo Furtado, diretor executivo do Greenpeace-Brasil.
Segundo executivo, o encontro entre as lideranças governamentais e o governo federal teve como objetivo discutir um maior empenho para fomentar o desenvolvimento da energia dos ventos no País.
"No segmento eólico há investidores interessados no potencial dos ventos, mas pleiteamos um marco regulatório para o setor, além de uma indicação do governo para o futuro da energia eólica na matriz nacional", afirma Furtado. Hoje, a energia eólica representa apenas 0,3% da matriz energética brasileira, apesar da grande vocação do Brasil para esse tipo de fonte energética.
Um recente relatório da Renewable Energy Policy Network (em português, Rede de Políticas de Energias Renováveis) mostra que, no mundo, os investimentos em novas fontes de energia renovável aumentaram de US$ 44 bilhões em 2005 para US$ 75 bilhões em 2007. "Há a intenção mundial de reduzir a utilização de combustíveis fósseis", argumenta o executivo do Greenpeace.
Térmicas versus Eólica
"Existe uma cultura no Brasil para que a matriz seja hídrica e térmica (usinas movidas a óleo diesel, a gás natural, entre outras fontes), mas a utilização de combustíveis fósseis vai na contramão do mundo", afirma Furtado. O diretor do Greenpeace ressalta que, além do custo ambiental gerado a partir do acionamento das térmicas, há o valor da energia de uma usina movia a óleo, que é muito alto. Hugo Souza, diretor da Enernova, holding da Energias do Brasil e que anunciou no início da semana passada a compra da Central Nacional de Energia Eólica (Cenaeel) por R$ 51 milhões, ressaltou que o preço de um megawatt-hora (MWh) oriundo dos parques eólico custa em torno de R$ 200, enquanto uma usina termelétrica movida a óleo diesel e usada no período de estiagem no Brasil tem o preço bem superior, que varia e R$ 370 até R$ 600 o MWh. "Quem paga essa conta (uso de fontes mais caras) é o consumidor", disse Souza.
As termelétricas a óleo e gás natural foram acionadas no final de 2007 e início de 2008 para suprir a escassez de energia proveniente das hidrelétricas devido ao baixo regime de chuvas.
Custo de R$ 1 bilhão
De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), no acumulado de janeiro a abril, as térmicas geraram um custo superior a R$ 1 bilhão. Todo esse valor adicional será repassado pelas distribuidoras para os consumidores brasileiros, no momento dos reajustes tarifário.
Furtado, do Greenpeace, ressalta que "a energia oriunda dos parques eólicos deveria ser usada como complementar, assim como são utilizadas as térmicas hoje". O especialista lembra que a força dos ventos aumenta no período seco. "Seria possível armazenar mais água". Segundo o representante do Greenpeace no Brasil, durante a reunião em Fortaleza, a questão "térmicas versus eólica" foi um dos pontos mais debatidos entre os participantes.
De acordo com ele, o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), que estava no encontro, questionou firmemente o ministro Lobão sobre a preponderância das térmicas e a falta de estímulo às fontes alternativas, como a eólica. "O Garibaldi se posicionou muito bem e pediu para que, se o governo federal não pode ajudar, que não atrapalhe".
No início deste ano, o Departamento de Engenharia e Energia e Automação Elétricas da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveu um estudo com um cenário específico para a matriz energética nacional em 2050. Segundo o material, medidas de eficiência energética reduziriam a geração de eletricidade em 29% e a energia renovável seria responsável pelo suprimento de 88% da eletricidade total. De acordo com a pesquisa, a geração elétrica estaria distribuída em 38% de hidrelétrica, incluindo as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), 26% de geração a partir de biomassa, 20% de energia eólica e 4% de geração solar. Neste ambiente, a geração a carvão, óleo diesel e nuclear é totalmente eliminada da matriz.
"A impressão que fica é a de que tudo o que está acontecendo no mundo não está acontecendo aqui", critica Furtado.
Estímulo ao Nordeste
Furtado ressalta os reflexos que o desenvolvimento da energia eólica trará à região Nordeste. "Naquela região venta praticamente o ano todo. É preciso aproveitar o potencial dessa energia limpa". O executivo lembra ainda que, com a implantação dos cata-ventos na região, o Nordeste deixará de importar energia e passará a exportar ao País.


Gazeta Mercantil
São Paulo/SP
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17/06/2008

 

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