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Rocca prevê crescimento menor para economia

04/06/2008

O empresário Paolo Rocca, presidente do grupo Techint, envolveu-se ontem em um debate com os presidentes da Gerdau, André Gerdau Johannpeter, e da Vale do Rio Doce, Roger Agnelli, no 1º Encontro Nacional da Siderurgia, no Rio, promovido pelo IBS. Em painel que discutiu o cenário da siderurgia mundial, Rocca mostrou dados do Instituto Internacional do Ferro e do Aço (IISI, na sigla em inglês), segundo os quais a economia mundial pode crescer 4,8% ao ano até 2016. No período, o crescimento médio da demanda por aço poderia situar-se em 4,5% ao ano. Em 2008 e 2009 o consumo de produtos siderúrgicos poderia ser ainda maior, da ordem de 6% ao ano. Rocca, vice-presidente do IISI, considera as estimativas como uma "visão muito otimista". Gerdau e Agnelli discordaram e entendem que a economia mundial crescerá em ritmo acelerado. 

A crítica de Rocca apóia-se em dificuldades existentes hoje para aumentar a oferta de recursos naturais, como minério e carvão, além de gargalos nas áreas de energia e de recursos logísticos. Estes fatores, combinados com questões ambientais e financeiras, poderiam reduzir a taxa de crescimento da economia mundial, na sua visão. Rocca entende que o crescimento da economia mundial esbarra em limites, entre os quais a inflação crescente e a falta de matérias-primas. 

Segundo o executivo, o crescimento econômico e populacional são determinantes no consumo de aço e qualquer redução do crescimento econômico teria como conseqüência a queda na demanda por aço. Ele avaliou, no entanto, que as empresas da região estariam em situação confortável frente a uma eventual desaceleração da economia mundial: "Os países da América Latina e o Brasil, em particular, estão em posição de aproveitar a crise como oportunidade para crescer." 

O empresário defendeu a "integração vertical" entre siderúrgicas, clientes e fornecedores na América Latina, desde as matérias-primas até os produtos de maior valor agregado. Seria uma forma de as empresas da região ganharem maior competitividade frente concorrentes externos, em especial a China. 

André Gerdau mostrou uma visão mais otimista. "Tenho uma visão diferente de Paolo", disse. Na visão de Gerdau, a economia mundial poderá crescer 4,8% ao ano nos próximos sete ou oito anos. O crescimento seria sustentado, sobretudo, pelos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), além dos países do Oriente Médio e América Latina. "São países com crescimento e demanda muito forte." Ele destacou a prioridade dada pelas siderúrgicas brasileiras ao atendimento ao mercado doméstico, que está crescendo, e concordou com Rocca que a logística é um fator de preocupação em um sistema que tem "gargalos enormes". 

Wilson Brumer, presidente do conselho de administração da Usiminas, alertou para duas mudanças: as commodities mudaram de patamar de preço e não voltarão mais a níveis anteriores e o real forte é uma nova realidade com a qual as empresas precisam trabalhar. 

Roger Agnelli, presidente da Vale, também acha que o mundo continuará crescendo puxado pelo Oriente Médio e pela Ásia, regiões do planeta onde há disponibilidade de capital e oferta de energia e tecnologia. 

Agnelli informou ontem que a Vale ainda não encontrou um parceiro siderúrgico para a construção de uma usina no Pará, projeto que acordou com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o governo paranaense. Ele admitiu que o projeto poderá ir à frente mesmo sem parceiros. O presidente do BNDES, porém, Luciano Coutinho, que compareceu ao encontro do IBS, confirmou a intenção do banco de entrar como sócio da Vale na siderúrgica do Pará. "É interessante para o banco apoiar projetos que tenham um grande poder multiplicador na região menos desenvolvida do Brasil. Está dentro da estratégia do BNDES. O projeto ainda não tem desenho societário, mas deverá custar pelo menos R$ 5 bilhões. Mas, ainda estamos em tratativas", disse. Para ele, não existe desenvolvimento sem siderurgia. (VSD e FG)


Valor Econômico

São Paulo/SP

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04/06/2008

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