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Leme compra a BC Projetos para crescer na geração térmica

02/06/2008

A Leme, unidade de engenharia do grupo Suez no Brasil, deu início a seu plano de crescimento, que contempla, de um lado, o fortalecimento de sua presença no país e, de outro, uma acelerada expansão na América Latina. Um dos primeiros passos nessa pretendida arrancada acabou de ser dado com a aquisição da empresa de engenharia BC Projetos, sediada no Rio de Janeiro e com forte presença na implementação de usinas térmicas - segmento que a Leme ainda era frágil nos seus negócios. Mas não é só essa compra que ampara as pretensões da companhia. Outro pilar de crescimento é a hidrelétrica de Jirau, cuja concessão foi arrematada pelo consórcio liderado pela Suez. "É um contrato grande, que poderá nos fortalecer bastante", diz Flávio Campos, diretor geral da Leme.

O valor da aquisição da BC não foi revelado, mas a transação agregará mais R$ 25 milhões ao faturamento da Leme, que deverá ultrapassar, assim, a marca dos R$ 100 milhões este ano. A operação é considerada estratégica para os planos de crescimento da Leme, à medida que habilita a empresa a atuar em um segmento no qual tinha pouca participação. Os projetos na área eram tocados por uma pequena equipe de especialistas egressos da Gerasul, empresa que absorveu ativos de geração da Eletrosul antes de ter seu controle vendido em 1997 à belga Tractebel e que se fundiu ao grupo Suez em 2003. A Leme contava também com o auxílio pontual de engenheiros da Bélgica, país que tem sua geração de energia assentada, sobretudo, em fontes térmicas. 

"A nossa capacidade era insuficiente para atender uma demanda grande e que deve crescer bastante nos próximos anos, principalmente por conta do aumento da oferta de GNL (Gás Natural Liqüefeito)", afirma Campos. A BC traz para a Leme uma equipe de 130 profissionais e abre, ainda, mais uma porta de entrada para o segmento de geração térmica nuclear, uma vez que diversos engenheiros da empresa carioca trabalharam no complexo de Angra. "O governo pretende estabilizar a geração nuclear em torno de 3% na matriz energética brasileira, o que significa que essa área deverá crescer muito nos próximos anos para manter esse percentual, e com a BC vamos estar numa posição muito boa", diz o diretor da Leme. 

Com uma carteira de clientes que inclui grupos como Eletrobrás, Petrobras, GE e Siemens, a BC está envolvida, por exemplo, nos projetos das térmicas a carvão planejadas pela Energias do Brasil e MPX Mineração para serem construídas em São Luiz (MA) e no Porto de Pecém (CE), somando mais de mil megawatts (MW) de potência. Após a compra da BC, que manterá sua marca até o final deste ano, a Leme partirá agora para adquirir outra empresa de engenharia em algum país da América Latina, com o objetivo de reforçar sua presença no continente. "Estamos avaliando oportunidades no Equador, Panamá e, provavelmente, no Peru", diz Campos. 

A Leme tem como meta elevar de 18% para 30% as receitas apuradas em projetos externos na América Latina dentro de cinco anos. Atualmente ela conta com escritórios instalados no Panamá, República Dominicana e Equador, mas quer estender essa rede a mais 12 países da região, do México à Argentina. Entre as obras que toca atualmente, está a hidrelétrica de Mazar, desenhada para gerar 160 MW a partir do rio Paute, no Equador. Também trabalha na supervisão das obras de conversão para carvão de uma térmica a óleo diesel de 300 MW no Panamá. "Existem perspectivas de novos contratos de termelétricas a serem construídas pela Suez no Perú e no Panamá", afirma Campos. 

No Brasil, a Leme conta com uma carteira de contratos assinados de R$ 150 milhões. Nesse "estoque" de projetos a serem executados nos próximos dois anos não está incluída a usina de Jirau, no rio Madeira, cujas as 44 turbinas previstas terão capacidade para gerar 3,3 mil MW. O projeto que deslocou a barragem em nove quilômetros, decisivo para a vitória do consórcio liderado pelo grupo franco-belga Suez, saiu das pranchetas dos engenheiros da Leme. 

"Fizemos o trabalho de pesquisa e projeto desde o início. É um local muito bom, que tem o mérito de reduzir muito o custo do empreendimento e da tarifa", comenta Campos. "Foi um achado de R$ 1 bilhão", acrescenta o executivo, referindo-se ao fato de que a nova localização proposta para a usina, que precisa ainda do sinal verde da Aneel, baixou o valor requerido dos investimentos, estimados inicialmente em R$ 8,7 bilhões. "Indo adiante, vamos atuar na engenharia do projeto, que irá fortalecer em muito a nossa posição no Brasil", afirma Campos. 

Sediada em Belo Horizonte e com mais quatro escritórios em Florianópolis, Rio de Janeiro, Brasília e Belém, a Leme faturou R$ 71 milhões em 2007, 31% acima do verificado no ano anterior. Sem considerar a contribuição da BC, o faturamento em 2008 deve chegar a R$ 83 milhões. Do total das receitas, cerca de 20% são propiciados por projetos tocados pela Suez. "O restante vem do mercado, por meio de trabalhos desenvolvidos para outras companhias, como a Cemig, Furnas, Eletronorte, Vale, Alusa", diz Campos. Em operação desde 1965, a Leme já atuou na instalação de seis mil linhas de transmissão, 440 subestações e 35 hidrelétricas, que somam perto de 10 mil MW de potência instalada. 


Valor Econômico

São Paulo/SP

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