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Ações de siderúrgicas já ultrapassam o preço justo

02/06/2008

As empresas que têm commodities como matéria-prima têm sido, nas últimas quatro semanas, as principais alavancas do mercado acionário de países emergentes, inclusive do Brasil. Na bolsa paulista, dividem a cena as petrolíferas e as siderúrgicas, que já são negociadas no limite de preço considerado justo. O principal apelo é que essas empresas conseguem repassar alta de preços de matéria-prima para as indústrias clientes, mantendo perspectiva favorável dos negócios.
"Apesar do preço do carvão e do minério de ferro estar subindo rapidamente, as empresas têm sido bem-sucedidas em repassá-lo na venda, com tendência de aumento das margens de lucro neste trimestre", avalia Leonardo Alves, analista de siderurgia da Link Corretora. "O mercado interno está ainda mais demandante do que imaginávamos, então vai absorver a alta de preços das matérias-primas."
A Gerdau já tinha atingido o preço justo na avaliação da corretora Brascan, mas a revisão do cenário e a reação da empresa diante de estimativas negativas para a última aquisição nos EUA fizeram que o valor alvo para ação PN fosse revisto para R$ 93,15 e da Metalúrgica Gerdau PN para R$ 127,42, alta de 15,2% e 16,9% respectivamente. A Prósper Corretora não recomenda compra a esses valores.
Segundo o Instituto Brasileiro de Siderurgia, a produção de aço bruto em abril alcançou 2,9 milhões de toneladas, com alta de 7,1% sobre abril de 2007, enquanto a produção de laminados chegou a 2,2 milhões de toneladas, alta de 5%. Enquanto não houver desaquecimento de consumo baseado no crédito, que proporciona a compra de bens duráveis, a venda de aço não vai diminuir, dizem os analistas.
O preço justo da Link para CSN (ON) era de R$ 83,00 e R$ 80 para Usiminas (PNA), valores ultrapassados no pregão. Na sexta-feira, a primeira encerrou a R$ 108,93 e a segunda a R$ 109,04. "As siderúrgicas também estão sob pressão inflacionária, mas a demanda dos clientes da construção civil, máquinas e setor automotivo assegura as vendas", afirma Rodrigo Ferraz, analista da Brascan Corretora.
A baiana Ferbasa se recupera do impacto do preço do níquel em maio passado, com a maior valorização do mês, cotada a R$ 153,76. Enquanto a Aços Villares deve ser favorecida pela demanda automobilística e entrada da Gerdau na administração, o cenário é indefinido para Usiminas. "O papel foi penalizado no início do ano pela falta de investimento e agora o mercado observa como a empresa vai reagir ao aumento de custo do minério e integrar a recém-adquirida JMendes", avalia Alves.
Para Ativa Corretora, a CSN deve ter um segundo trimestre forte, já que apresentou os maiores reajustes de preço do setor. A agência de classificação de risco Standard & Poor''s elevou o rating da empresa, com a melhora dos indicadores de proteção do fluxo de caixa.
Apesar do otimismo, Rodrigo Ferraz aponta que os preços das ações do setor já estão altos. "Não está num momento de compra porque a maioria está no patamar limite de preço em relação ao que podem oferecer", diz.


Gazeta Mercantil
São Paulo/SP
Gazeta Investe
02/06/2008


 

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