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Setores da indústria já negociam reajustes

30/04/2008

Indústria e fornecedores estão negociando aumento de preços para compensar, no mercado interno, o aumento na cotações de commodities agrícolas e metálicas. Os aumentos e as tentativas de repasses são mais intensas nos setores siderúrgicos e respectivos bens finais (carros, eletrodomésticos da linha branca e bens da construção civil) e nos derivados de petróleo, que afetam até fertilizantes usados na agricultura. 

 

 

As siderúrgicas de aços planos, entre as quais ArcelorMittal Tubarão, CSN e Usiminas-Cosipa, preparam novos aumentos nos preços dos produtos para maio e junho depois de terem aplicado, em março, reajustes entre 3,6% e 13,5%. Para maio e junho, os reajustes já comunicados pelas empresas às distribuidoras de aço variam de 5,26% até 15,98%. Na lista estão laminados a quente e a frio e bobinas zincadas, usadas na construção civil (telhas) e indústria eletrônica (linha branca), entre outros. Cristiano Freire, presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), disse que existe espaço para um terceiro reajuste nos preços do aço no mercado doméstico no terceiro trimestre do ano. 

 

 

A análise do Inda apóia-se no fato de que os preços internos dos produtos siderúrgicos estão abaixo dos praticados no mercado internacional. A chapa grossa importada está 6% mais cara do que o produto similar nacional, já considerando o reajuste de 13,98% a ser aplicado pela Usiminas-Cosipa a partir de 1º de junho. Na avaliação do Inda, isso mostra que existe possibilidade de um terceiro reajuste na chapa grossa, que poderia situar-se entre 10% e 11% . A conta considera os 6% da diferença atual com o mercado internacional e mais 4% ou 5% do que Freire chama de "custo de oportunidade", ou seja, quanto a mais os clientes estão dispostos a pagar pelo produto nacional em relação ao importado. No laminado a quente também haveria espaço para um reajuste de dois dígitos no terceiro trimestre, e nas bobinas a frio um aumento um pouco menor, avalia o Inda. 

 

 

"O que mais contribuiu para os aumentos (no mercado interno) foi a alta nos preços do aço no exterior", disse Freire. Ela decorre da subida das matérias-primas, em especial o minério de ferro e o carvão. O minério aumentou, em média, 75% (minério fino e pelotas) e o carvão chegou a 220%, dependendo da origem do produto. Assim, a bobina a quente, que em fevereiro valia US$ 775 por tonelada no mercado spot americano, em meados de abril tinha alcançado US$ 1 mil por tonelada, diz Freire. 

 

 

Carlos Loureiro, presidente da distribuidora Rio Negro, ligada à Usiminas, afirmou que, se o mercado interno continuar forte, deverão ser aplicados novos reajustes de preços além dos já comunicados pelas siderúrgicas. Ontem o Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) divulgou os números de março. As vendas de laminados (planos e longos) para o mercado doméstico atingiram 1,8 milhão de toneladas, com alta de 12,8% sobre março de 2007. De janeiro a março, a alta foi de 21,8%. Em compensação, as exportações das usinas em março caíram 29,5% em relação a igual mês do ano passado. 

 

 

Pressionados por reajustes de cerca 15% no preço do aço, o setor automotivo atravessa um delicado momento de renegociação de preços entre fornecedores de autopeças e montadoras. O impacto dos custos afetou diretamente o setor de autopeças e também chega às montadoras. Por enquanto, os preços dos automóveis para os consumidores não foram afetados. 

 

 

Segundo o Sindipeças, que representa fabricantes de autopeças, os preços dos aços planos subiram até 14% este ano. Nos aços não-planos, a alta chegou a 26% no arame para parafusos. Em 2007, o mercado estava tranqüilo. Aço, ferro e derivados tiveram reajuste de apenas 3,3%. A entidade não descarta novas altas no segundo semestre. 

 

 

"Estamos em processo de negociação com os clientes. Temos motivação inclusive para pleitear reajustes no mercado externo, porque o aumento do aço é um fenômeno internacional", diz André Bevilácqua, supervisor de controladoria da fábrica de autopeças Fupresa. 

 

 

As usinas informaram às montadoras reajustes de 15% no preço do aço no primeiro trimestre do ano e já há relatos de novo aumento da mesma magnitude em breve. As negociações são empresa por empresa. Dados mais recentes da Anfavea (associação das montadoras) ainda não detectam os aumentos. De acordo com a entidade, o preço do aço subiu 3,3% em 2007 e 2,2% em janeiro e fevereiro. 

 

 

Segundo a assessoria de imprensa da Fiat, os reajustes para o consumidor foram marginais, apesar do impacto do aço. A empresa promoveu um aumento de 1% em março deste ano. Para a montadora, o aquecimento do mercado interno ameniza o efeito, porque eleva a escala de produção e dilui o custo. Além disso, importação de aço e autopeças também minimizam os custos. 

 

 

O aumento nos preços do aço e dos plásticos também deve pressionar as margens de lucro dos fabricantes de fogões, geladeiras e lavadoras. Edson Grottoli, presidente para o Mercosul da BSH, dona das marcas Bosch e Continental, afirma que os fornecedores de aço - Usiminas e CSN - já notificaram mais um aumento de 9% nos preços, o segundo neste ano. Para contornar o problema, a matriz na Alemanha redirecionou para a subsidiária brasileira parte do aço que a multinacional compra da China - essa importação chinesa vai atender de 5% ou 7% do consumo da BSH no Brasil. 

 

 

Ainda é difícil prever em que medida esses reajustes serão repassados ao preço final dos eletrodomésticos. Com a alta dos juros e a desaceleração da demanda, as indústrias terão menos espaço para remarcar produtos, mas o câmbio melhorou a margem pelo crescimento nas vendas no mercado interno, mais rentável que o externo. 


Valor Econômico

São Paulo/SP

Brasil

30/04/2008

 

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