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Brasil emprestará eletricidade durante o inverno

30/04/2008

 

O Brasil emprestará energia à Argentina no inverno, entre maio e agosto, e o vizinho se comprometerá a "devolver" a energia usada ao mercado brasileiro entre setembro e novembro deste ano. O acerto está previsto em resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), assinada ontem pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Para oficializar o compromisso argentino, chega amanhã ao Brasil o poderoso ministro do Planejamento da Argentina, Júlio de Vido.

 

A medida foi acertada entre o presidente Luis Inácio Lula da Silva e a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, em fevereiro, quando ambos se encontraram em Buenos Aires com o presidente da Bolívia, Evo Morales, interessado em desviar, para a Argentina, parte do gás boliviano atualmente vendido ao Brasil. Lula recusou-se a ceder o gás, mas ofereceu o fornecimento de energia aos argentinos no inverno.

 

De Vido assinará um acordo de "intercâmbio" de energia sem saber ao certo quanto receberá do Brasil. A resolução assinada por Lobão prevê que os volumes a serem fornecidos serão decididos no Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), que se reúne no dia 5. Nesse dia, o Operador nacional do Sistema (ONS) deverá informar ao conselho as estimativas sobre as necessidades de abastecimento e, provavelmente, será autorizado o desligamento das caras termelétricas movidas a óleo, do sistema integrado. Elas já não vêm operan-do, e a energia de 1,2 mil MW estará disponível para outros usos.

 

A resolução do CNPE prevê que, a Argentina não precisará devolver a energia, como previsto no acordo de entendimento assinado pelos dois países em 2005, no caso de energia elétrica "produzida a partir de fontes térmicas de geração, em montantes não utilizados pelo Brasil, e/ou de fontes hidráulicas em caso de energia vertida turbinável". Os argentinos queriam garantia de fornecimento de mil MW, e há estimativas no Brasil de que há disponibilidade, hoje, de até 1,5 mil MW; mas as fontes e volumes a serem fornecidos dependem de uma avaliação que o ONS só concluirá no dia 3 de maio.

 

O acordo assinado em 2005 prevê empréstimos de energia entre os dois países, mas há queixas dos técnicos de que os termos vagos do acordo deixavam ao vizinho liberdade de escolher qualquer momento para a devolução, mesmo que não houvesse necessidade no Brasil da energia devolvida.

 

Pela resolução divulgada ontem por Lobão, já se adianta que não haverá transferência de energia da região Sul, que enfrenta seca; que o suprimento poderá ser interrompido em caso de necessidade brasileira; e que, além de ter de devolver a energia entre setembro e novembro, isso se dará "inclusive com compensação de energia elétrica para neutralizar perdas". A Argentina pagará, também, pela transmissão, perdas e custos financeiros com a compensação dos valores na Câmara de Compensação de Energia Elétrica, tanto ao receber quanto ao devolver a energia ao Brasil, segundo a resolução do CNPE.

 

O governo brasileiro já decidiu que as termelétricas a gás, que usam uma matéria-prima escassa no Brasil, não participarão do fornecimento à Argentina, o que deixa à disposição dos vizinhos a energia fornecida pelas termelétricas a óleo e carvão e pelas hidrelétricas.



Valor Econômico

São Paulo/SP

Internacional

30/04/2008

 

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