Acesso Restrito

Mercado aquecido impõe restrição à encomenda de aço

25/04/2008

A Marcegaglia do Brasil, fabricante de componentes para as indústrias de eletrodomésticos e de refrigeração, possui contas para a compra de aço em todas as usinas do País e, mesmo assim, enfrenta problemas de abastecimento com produtos siderúrgicos, informou o diretor comercial e administrativo da empresa, Antonio Carlos de Oliveira Dias. "A questão é mais de disponibilidade do que de preço."

As fabricantes de autopeças ZF do Brasil e Grupo Schaeffer também vêm enfrentado problemas para elevar encomendas e atender a alta da produção. O presidente do Schaeffer, Ricardo Reimer, disse recentemente em seminário que está com dificuldade para comprar aço e que algumas siderúrgicas estão vendendo a matéria-prima em sistema de cotas. De acordo com o diretor de relações públicas da ZF, João Lopez, hoje existem restrições em toda a cadeia de fornecimento do setor automotivo e isso decorre principalmente da falta de aço. "As siderúrgicas não estão conseguindo elevar o ritmo de produção com a mesma velocidade da indústria automobilística", disse. "A Gerdau, por exemplo, já fala em prazo de até 90 dias para entregar aço especial."

A distribuidora Açometal confirma que tem havido dificuldades. "O preço está em alta, o prazo está em alta e a entrega está complicada", disse o diretor geral da empresa, André Dias. Segundo ele, principalmente no que diz respeito aos aços especiais, os prazos de entrega já chegaram a seis meses de antecedência. Dias afirmou que alguns tipos de aço para construção mecânica, usado por forjarias e autopeças sumiram do mercado. "Há empresas que costumam comprar diretamente das usinas e vieram comprar com as distribuidoras porque as usinas não podiam atender."

Dias disse que a empresa só não enfrenta problemas para atender o aumento da demanda porque desde o ano passado passou a aumentar o nível de estoques. "Nossos estoques são hoje 40% maiores em relação ao ano passado." A empresa espera fechar o ano com vendas 20% maiores.

Mercado aquecido

O aquecimento da economia, particularmente da indústria automotiva e de bens de capital, tem pressionado a demanda por todos os tipos de aço, inclusive dos aços especiais, fabricados com diversos tipos de ligas, o que possibilita características de maior resistência a desgastes e por isso são muito utilizados pela indústria automotiva e de máquinas.

Não há dados específicos sobre o segmento de aços especiais, mas as vendas consolidadas de laminados no mercado interno cresceram 27,2% no primeiro bimestre, para 3,53 milhões de toneladas, segundo o Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS). Somente as vendas de aços longos cresceram 32% no País e atingiram 1,4 milhão de toneladas. Enquanto a venda de aços planos cresceu 24% no mesmo período, para 2,11 milhões de toneladas.

Para o vice-presidente executivo do IBS, Marco Polo de Mello Lopes, o problema - que até agora não foi notificado à entidade - não está relacionado à capacidade produtiva da indústria local. "A capacidade das siderúrgicas é infinitamente maior à demanda interna, temos capacidade 60% acima do mercado local. As empresas podem reduzir exportações para atender os clientes brasileiros", disse. De fato, as exportações caíram 18,2% no primeiro bimestre, para 254,9 mil toneladas.

Na avaliação de Lopes , a dificuldade dos consumidores com o fornecimento de aço deve estar ligada à antecipação das compras para se antecipar a um possível reajuste dos preços. "A venda de aço não acontece em gôndolas de supermercado, é necessário planejamento, previsibilidade", disse e ressaltou que o ciclo de produção das usinas chega a três meses.

Preços

O presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Paulo Butori, disse que os custos com matéria-prima têm sido a maior preocupação do setor de autopeças. Ele afirmou que em 2008 o aço plano subiu 14% e o aço longo, 26%. "Mas há grande possibilidade de haver novos reajustes no segundo semestre deste ano, em razão do aumento de preço do aço no mercado internacional"

No final de março, fabricantes de aços planos, como a Usiminas e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) aplicaram reajustes de até 13% no preço de seus produtos siderúrgicos no mercado interno e informaram que novos aumentos devem ser praticados ainda este ano. Também a fabricante de aços longos Gerdau elevou seus preços entre 5% e 14%e indicou há possibilidade de novos reajustes.

Os aumentos ocorreram devido à alta dos preços de insumos como minério de ferro, carvão e sucata e as empresas alegam que os reajustes praticados levavam em conta índices de reajuste desses materiais mais baixo que os efetivamente praticados. Além disso, no mercado internacional as siderúrgicas já têm aplicados novos aumentos.

O mercado internacional está aquecido. Segundo o Instituto Internacional do Ferro e Aço (IISI), o consumo aparente de aço deve crescer 6,7% este ano, para 1,28 bilhões de toneladas, dado o crescimento da demanda, principalmente nos mercados emergentes. Por isso, embora as importações possam ser uma saída para ajudar a atender o mercado interno - e as compras internacionais de produtos siderúrgicos transformados (que inclui os aços especiais) subiram 42% em janeiro - não resolvem sozinha.

Mercado mundial

A Açometal informou que teve um pedido de US$ 10 milhões feito a um fornecedor russo negado com a justificativa de que a linha de produção estava lotada. "Já tivemos contratos que não foram cumpridos. Iremos à Europa e Ásia renegociar os prazos e contratos", disse o diretor presidente da empresa, que tem cerca de 40% de suas vendas de produtos importados.

O mercado internacional está tão aquecido que empresas estrangeiras estão buscando fornecedores no Brasil A matriz norte-americana da fabricante de ferramentas Cooper Tools pediu para a filial brasileira negociar contratos para o fornecimento de aço com siderúrgicas brasileiras, alternativa para driblar a dificuldade de conseguir aumentar a compra de produto no mercado internacional, disse o diretor presidente da Cooper Tools Industrial e gerente geral do grupo para a América do Sul, José Duilio Justi. A empresa opera hoje no País a 90% da capacidade em dois turnos e, segundo Justi, qualquer negociação para elevar o volume entra em uma programação com demora de cerca de 150 dias. "A demanda veio muito rápido, acima do esperado no mercado mundial", afirmou Justi.


Gazeta Mercantil
São Paulo/SP
Empresas e Negócios
25/04/2008

    Somos associados

     

  • CIAB
  • epe
  • World Coal Association
  • Global CCS Institute

Rua Pascoal Meller, 73 - Bairro Universitário - CEP 88.805-380 - CP 362 - Criciúma - Santa Catarina
Tel. (48) 3431.8350/Fax: (48) 3431.8351