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Indústria responde por 65% das emissões de gás carbônico em SP

24/04/2008

Estado que sozinho responde por um terço das emissões de gás carbônico no país - acelera o passo para desenvolver uma política para dirimir os efeitos do aquecimento global. Ontem, a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo divulgou resultados do primeiro inventário de emissões de gás carbônico, que será utilizado como referência para um projeto de lei que obrigará empresas a reduzirem as emissões de gases causadores do efeito estufa. 

De acordo os dados divulgados pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente, o estado emitiu 138,7 milhões de toneladas de CO2 em 2006, incluindo o gás gerado a partir da queima de combustíveis renováveis, que têm peso de 43% na matriz energética de São Paulo. As indústrias responderam por 65% das emissões de dióxido de carbono, sendo que 22,6% correspondeu à queima de combustíveis de origem fóssil (derivados de petróleo e carvão) e os outros 77,4%, renováveis - quase o dobro do índice do Estado. "Se em vez de combustíveis renováveis as empresas tivessem consumido apenas os fósseis, teria havido uma emissão adicional de 50 milhões de toneladas de CO2", Xico Graziano, secretário do Meio Ambiente. 

No setor industrial, o segmento campeão em emissões é o petroquímico, com 9,48 milhões de toneladas/ano, seguido pelas indústrias de aço e ferro gusa (7,37 milhões de toneladas/ano), minerais não metálicos (6,59 milhões), químico (3,18 milhões), papel e celulose (1,39 milhão), alimentício (710 mil), ferro (670 mil) e têxtil (260 mil). 

Para a elaboração do inventário sobre o setor industrial, a Secretaria enviou questionários a 371 empresas com unidades no estado e que apresentam maior potencial de emissão de gases de efeito estufa. Do total, 329 responderam voluntariamente. Os resultados por empresa consideram apenas as emissões de gases geradas pela queima de combustíveis fósseis. 

Pelo levantamento, a unidade industrial que mais emitiu CO2 em 2006 foi a usina da Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa) de Cubatão, que produziu 6,457 milhões de toneladas do dióxido de carbono, o equivalente a 4,7% das emissões totais do Estado. Procurada, a empresa informou por meio de sua assessoria que vem trabalhando para otimizar a sua matriz energética de forma a reduzir as emissões de CO2. Nos últimos 10 anos, a empresa investiu US$ 336 milhões em projetos de controle ambiental, que incluem a substituição do consumo de óleo combustível por gás natural - que tem um fator de emissão 20% menor - , a instalação de turbina de recuperação da pressão do gás de alto-forno para geração de energia elétrica e o reaproveitamento dos gases gerados na produção. 

Em seguida, foram listadas três refinarias da Petrobras, uma unidade da Petroquímica União, a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), duas da Votorantim Cimentos, uma fábrica da Rhodia Poliamida e Especialidades e uma fábrica da Companhia de Cimento Ribeirão Grande. Juntas, as dez unidades industriais responderam por 68% das emissões de CO2 provenientes do setor industrial, ou o equivalente a 19,8 milhões de toneladas. A Rhodia informou que tem investido em dois projetos para abatimento de gás de efeito estufa no condomínio de Paulínia, formado por 31 unidades fabris.

Nelson Reis, diretor titular do Departamento de Meio Ambiente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) observou que, em 2001, as indústrias petroquímicas geravam em média 415 quilos de CO2 por tonelada de produto químico. Em 2006, essa média baixou para 363 quilos por tonelada. "As indústrias, ano a ano, estão melhorando a sua eficiência energética. Certamente com o avanço da adoção de energia limpa nos últimos anos, como etanol e biodiesel, a conta de emissões tende a registrar um volume menor." 

De acordo com Graziano, a Secretaria vai divulgar o inventário completo até o fim do ano, incluindo as emissões causadas pelo uso de combustíveis renováveis e as ações de seqüestro de carbono, como o plantio de árvores, que ajuda a absorver o gás carbônico da atmosfera, gerando créditos de carbono que podem ser comercializados no mercado internacional. Os dados do levantamento serão usados como base para a política de redução de emissões, que ainda não tem uma meta definida. 


Valor Econômico

São Paulo/SP

Brasil

24/04/2008

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