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Aprendendo com o modelo chinês de desenvolvimento

22/04/2008

Não existe em mandarim a palavra "nação". Mas desde que a China iniciou o processo de inserção global, há quase três décadas, o impacto do motor que move o Estado chinês mostrou que seu modelo de desenvolvimento ultrapassa a barreira lingüística, e descortina uma sociedade em constante transformação. O tema envolvendo perspectivas e desafios da economia que mais cresce no mundo reuniu na semana passada economistas, diplomatas, cientistas políticos e sociólogos - brasileiros e estrangeiros - na Conferência sobre a China, organizado pela Fundação Alexandre de Gusmão, no Palácio do Itamaraty.
Sem abandonar o modelo que instaurou reformas que acabaram com a propriedade privada e o modo de produção socialista - com a criação da República Popular da China por Mao Tsé-Tung, em 1949 - o Estado chinês adentra o século XXI com abertura econômica de dinamismo surpreendente, conta o especialista da Universidade de Berkeley, T.J. Pemple. A China abriga cerca de 600 mil empresas estrangeiras, 480 delas entra as 500 principais do mundo. "A aceitação da entrada de empresas estrangeiras manteve esse dinamismo, garantindo o desenvolvimento" explica Pemple.
O crescimento da China também foi benéfico para a economia mundial. A busca chinesa por matérias-primas, nos últimos sete anos, elevou o preço das principais commodities metálicas (em média 200%). O valor das energéticas (gás, petróleo e carvão) subiu 115% e agrícolas (milho, açúcar, soja e café), 50%.

Processo simbiótico

O secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Samuel Guimarães, explica que o modelo comercial adotado pelos chineses é parte de um processo simbiótico, que afeta a emissão de poluentes ao acúmulo de reservas financeiras. "Exemplo disso é o investimento do superávit em títulos do tesouro americano" diz Guimarães.
Nada que a China faz, contudo, é por acaso. Mesmo com a crise financeira que atingiu a Ásia em 1997 e 1998, Pequim manteve modelo de desenvolvimento pragmático, com interesses movidos sempre pelas mãos do Estado.
O colunista do Jornal do Brasil, Mauro Santayana assinala que, mesmo enquanto procura um caminho próprio, o nacionalismo chinês traz uma lição fundamental (ainda que fora de moda): o nacionalismo. "A China tem 5 mil anos de sociedade sempre estruturada em torno de um Estado forte, mesmo quando esteve sob domínio de outras nações. O pragmatismo chinês não é usado como instrumento ideológico, mas para atender interesses. Esta é lição essencial, em termos estratégicos, para qualquer nação que busca se destacar no cenário internacional," diz Santayana.
Exemplo disso são as restrições chinesas em alguns níveis da economia. Quando a firma americana Carlyle Group tentou adquirir posição majoritária na siderúrgica chinesa Yangzhou Chengde Steel Tube, foi forçada a recuar, pois a China temia participação majoritária de uma companhia estrangeira em empresa com ativos estratégicos.
Wanderley Guilherme dos Santos, cientista político da Universidade Cândido Mendes, comentou que tudo está associado "à capacidade da China de se reinventar."


Gazeta Mercantil

São Paulo/SP

Caderno A

22/04/2008

 

 

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