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AES pretende investir em fontes alternativas

16/04/2008

O presidente mundial da AES Corporation, Paul Hanrahan, oficializou ontem, durante palestra no congresso da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP), que a empresa, controladora da Eletropaulo e da AES Tietê, está "procurando alternativas" para investir na construção de um sistema de captação de energia eólica no Brasil. Segundo Hanrahan, somente em offshore (no mar) o Brasil tem um potencial de 14 mil megawatts de energia do vento, o que é mais do que a capacidade de geração da usina Itaipu Binacional.

Hanrahan disse ainda que a AES também está interessada em construir pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) no Rio de Janeiro e tem interesse no potencial de energia solar brasileiro. Ele alegou estar em "período de silêncio" imposto pela legislação das sociedades anônimas americanas para não dar entrevistas. A AES, que tem a maior parte dos seus ativos no Brasil sob o guarda-chuva da empresa de participações Brasiliana, em parceria com o BNDES, tem direito de prioridade e é a principal interessada na compra da fatia do banco estatal (50% menos uma ação do capital votante e 53,8% do capital total) nessa mesma Brasiliana. 

 

 

O banco começou o processo de venda das suas ações no ano passado, mas a operação não se realizou até dezembro conforme o previsto e o edital caducou. Se a AES não quiser pagar o valor da maior oferta no leilão das ações do BNDES, terá que vender também sua parte ao comprador da fatia do banco, pelo mesmo preço, uma operação avaliada em R$ 10 bilhões. Além disso, a AES tem uma dívida de cerca de US$ 1 bilhão com o BNDES por financiamento para a compra de 33% da Cemig. O pagamento foi interrompido em abril de 2003. 

 

 

Ontem, Hanrahan fez uma análise detalhada da situação energética mundial e defendeu a busca de fontes alternativas como forma de enfrentar as crescentes pressões mundiais pela redução das emissões de gás carbônico. Disse que o Brasil deve exportar mais etanol para os EUA e, numa crítica aberta ao seu país, afirmou que "transformar milho em etanol é uma das coisas mais burras do mundo". 

 

 

O mundo, segundo ele, vai precisar de mais 2,4 milhões de megawatts em capacidade de geração elétrica até 2020, especialmente na Ásia. Apesar dos esforços para reduzir as emissões, ele avalia que o carvão vai predominar na China e a Índia, que deverão puxar o crescimento mundial no período. 

 

 

Mas Hanrahan calcula que 500 mil megawatts, pouco mais de 20% do total, deverão vir de fontes alternativas. Os mesmos 20% são hoje a fatia de energia renovável perseguida no mix da AES, empresa que gera hoje 43 mil megawatts (mais de 40% da capacidade nominal brasileira) em 25 países. 

 

 

Apesar de considerar o Brasil "abençoado" pela disponibilidade de geração hidrelétrica, alertou que a hidreletricidade não é confiável, por depender excessivamente da hidrologia e o país deve ter dependência menor de fontes hídricas, hoje superior a 90%. 


Valor Econômico

São Paulo/SP

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16/04/2008

 

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