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Japonesa JFE quer investir na usina de placas do Ceará

09/04/2008

A JFE Steel Corporation, terceira maior siderúrgica do mundo, anunciou que está interessada em ser sócia da Vale do Rio Doce e da coreana Dongkuk Steel Mill Co. na usina de placas de aço no Ceará, a Companhia Siderúrgica de Pecém (CSP). Ontem, a japonesa assinou um memorando de intenção com a Vale e a sul-coreana Dongkuk, parceiras no projeto, para conduzir um estudo de viabilidade para montar uma usina ao lado do porto de Pecém, próximo de Fortaleza. No caso da JFE aderir ao projeto, ela será majoritária no negócio. 

Antes, a siderúrgica japonesa pretende aguardar o resultado do estudo de viabilidade a ser concluído nos próximos meses, segundo a Vale. O desenho inicial do empreendimento, anunciado pela Vale e Dongkuk em novembro, previa produção inicial de 2,5 milhões de toneladas de placas de aço, com expansão futura para 5 milhões de toneladas. 

Se a JFE viabilizar sua entrada no projeto, a capacidade instalada da nova usina poderá alcançar até 6 milhões de toneladas, com um investimento maior, da ordem de US$ 5 bilhões a US$ 6 bilhões, o dobro do atual. A entrada em operação da nova usina poderá ocorrer em 2012. 

O projeto da siderúrgica do Ceará foi centro de muita polêmica por ter sido planejado com uma tecnologia de redução direta, dependente do gás, com equipamentos fornecidos pela empresa italiana Danielli, que chegou a ser sócia do investimento. Depois de muita discussão com a Petrobras e uma queda-de-braço com o Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), o projeto cearense mudou de rota tecnológica e aderiu ao alto-forno à carvão, deixando de lado a tecnologia a gás. 

O projeto de Pecém está muito embrionário. Os sócios ainda estão definindo a capacidade da usina e o percentual de participação de cada um. Em geral, a participação da Vale nestes projetos - com grupos estrangeiros - é da ordem de 10% a 20%, sempre minoritária, buscando consumidor para seu minério. No projeto da alemã ThyssenKrupp, no Rio e no da chinesa Baosteel, em Vitória, a mineradora entra com 10%. A idéia é ter percentual semelhante no Ceará. 

Rodrigo Barros, analista da Brascan Corretora, vê a presença da Vale como uma forma de garantir mercado para parte do aumento da sua produção de minério, dentro do pacote de US$ 59 bilhões que planeja investir até 2012. O analista avalia o interesse das siderúrgicas estrangeiras em tocar esses projetos no Brasil como uma oportunidade única para ampliar a produção de aço a um custo competitivo. O aço continua altamente demandado, principalmente na Ásia. No Japão, a indústria automobilística e de construção civil estão vivendo um boom. 

Relatório do banco americano Goldman Sachs sobre o mercado de aço informa que o preço do laminado à quente está subindo velozmente, podendo alcançar entre US$ 900 e US$ 1 mil a tonelada FOB para entrega em junho. 

Para Ferraz, as altas geram inflação por custo e não por demanda, por conta da alta das matérias-primas do aço, como o minério de ferro, que subiu até 71% e o carvão, que agora teve um reajuste da ordem de 200%, saltando de US$ 98 para US$ 300 a tonelada. Ele estima que as usinas brasileiras deverão reajustar novamente o preço do aço em torno de 20% no terceiro trimestre, quando começa a vigorar o novo preço do carvão, para manter as margens de ganho.


Valor Econômico

São Paulo/SP

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09/04/2008

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