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Mudança de rota necessária na área energética

08/04/2008

Depois de enfrentar e superar gargalos que impediam a economia de crescer, o Brasil corre o sério risco de morrer na praia e não conseguir entrar em um ciclo de crescimento sustentado. E isso pode ocorrer, infelizmente, por falta de energia. A boa notícia é que o País ainda tem tempo de evitar o pior, desde que tome neste momento uma série de medidas no sentido de garantir a oferta energética e evitar um novo "apagão".

Hoje, o País conta com apenas duas possibilidades para garantir a ampliação do volume de energia disponível: mais geração ou a melhoria dos níveis de conservação. Quanto à geração, não basta concentrar-nos nos investimentos já anunciados no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e no Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), que têm longo tempo de maturação e enfrentam dificuldades por conta das exigências ambientais.

Isso porque especialistas nos advertem de que para crescer ao ritmo de 5% ao ano é indispensável acrescentar de 8 mil a 10 mil megawatts de capacidade instalada a cada ano. Significa que o País precisa dobrar sua capacidade nos próximos dez anos. Para isso, deve fazer valer sua vocação hídrica na produção de energia elétrica, desatando os nós que ainda impedem a concretização de grandes projetos.

É necessário, igualmente, intensificar o processo de diversificação de sua matriz energética, investindo na biomassa, no gás natural, na energia nuclear, no carvão mineral e nas PCHs.

Já a conservação se apresenta como uma alternativa barata e viável, com importante potencial para apoiar o esforço de elevação do nível de oferta. A estimativa é de que o índice de perdas elétricas do Brasil seja de 16%. Como comparação, esse número não passa de 6,5% na Europa e de 8% nos Estados Unidos.

É primordial a implementação de ações sistêmicas no campo da conservação, com uma política clara de governo para um programa de longo prazo e integrado, que vise a eficiência e a sustentabilidade energética. Essa abordagem demanda o envolvimento dos diferentes tipos de consumidor de energia, os produtores de energia e os produtores de insumos para a cadeia de energia (geração, transmissão, distribuição e consumo final).

Nesse sentido, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) desenvolveu o planejamento de um Programa Integrado de Eficiência Energética no Sistema Industrial e Elétrico. A proposta é fundamentada na maior integração dos atores envolvidos no processo, utilizando ainda instrumentos como a modernização de máquinas, equipamentos, produtos e processos e componentes da cadeia de energia, além do incentivo à inovação. A lógica desse esforço é clara: de acordo com o estudo da Fiemg, o Brasil tem um potencial de conservação de 29.700 GWh, o que representa 7,6% do consumo nacional de eletricidade e se traduziria em uma economia de R$ 3,8 bilhões para os consumidores.

Um dos focos prioritários é o setor industrial, em razão de seu nível de consumo em sistemas motrizes, de refrigeração e de geração de vapor, entre outros processos. A Fiemg propõe o estabelecimento de uma linha de crédito diferenciada do BNDES para financiar investimentos geradores de eficiência energética, como a substituição de equipamentos e processos produtivos obsoletos e o desenvolvimento de projetos de inovação tecnológica.

Outro ponto importante é a ação direta junto às cerca de 60 concessionárias de distribuição do País, cujos índices de eficiência oferecem grande potencial de melhoria. O Programa sugere ao governo federal a utilização de recursos do Programa de Eficiência Energética da Aneel para financiar a substituição e certificação de transformadores, uma das maiores fontes de perda, e para melhoria da qualidade das redes públicas de iluminação.

Com as medidas propostas, o País poderia obter ganhos expressivos de eficiência, atualizando seu parque industrial e reduzindo a necessidade de investimentos em expansão da capacidade instalada. Teríamos ainda a redução de passivos ambientais e aumento de nossa competitividade industrial.

O programa já foi entregue às autoridades do governo federal e pode ser o ponto de partida para a efetiva melhoria de nossos índices de eficiência. Uma mudança nessa área seguramente nos ajudará a encontrar o rumo que evite o "apagão" e permita ao País manter-se em sua trajetória de crescimento e desenvolvimento.


Robson Braga de Andrade - Presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI)




Gazeta Mercantil

São Paulo/SP

Opinião

08/04/2008

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