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Eike Batista se prepara para a sua maior aposta empresarial

04/04/2008

A primeira grande mudança na gestão do grupo EBX de Eike Batista após a venda da maior parte da MMX Mineração e Metálicos S/A para a Anglo American é a nomeação de Rodolfo Landim para a presidência da OGX, o braço de petróleo e gás e nova "menina dos olhos" do bilionário. O cargo era ocupado por Francisco Gros, ex-presidente da Fosfértil. Com a mudança, ocorrida esta semana, Gros vai para a vice-presidência do conselho-executivo da petrolífera. 

A OGX já nasceu grande. Comprou 21 blocos exploratórios na 9ª Rodada da Agência Nacional do Petróleo e Gás (ANP), no ano passado, alguns em parceria com a Maersk e com a francesa Perenco, pelos quais pagou US$ 900 milhões. E de imediato ficou na oitava posição entre as maiores detentores de áreas exploratórias do país. Segundo Landim, a OGX tem áreas promissoras que somam um potencial de reservas de 4,8 bilhões de barris contabilizados pela certificadora internacional DeGolyer and MacNaughton. 

Agora, serão necessários mais US$ 1,37 bilhão para iniciar os investimentos previstos no contrato com a ANP. Para cumprir o cronograma, que prevê estudos de sísmica e perfuração de poços, a OGX pretende captar US$ 3,36 bilhões. A empresa pretende abrir o capital em junho fazendo uma oferta pública de ações no Novo Mercado da Bovespa. A exemplo da MMX, a operação será coordenada pelo Credit Suisse, UBS Pactual, Itaú e Merrill Lynch. 

 

A idéia de Batista é pôr no "free float" 40% do capital da empresa. 

 

Será o terceira abertura de capital de empresas da holding EBX, que começou com a empresa de mineração (MMX) e foi seguida pela de energia (MPX). A LLX, de logística, não vai necessitar de uma oferta inicial (IPO em inglês), porque se tornará pública automaticamente quando suas ações forem oferecidas aos acionistas da MMX quando esta for submetida a um processo de cisão para liberar os ativos comprados pela Anglo American. 

A crise do "subprime" não preocupa Batista. "Existe espaço para fazer IPO de coisas grandes e bonitas, com enorme potencial. Os investidores querem escala e liquidez", afirma ele. 

O "road show" para atrair investidores começa na próxima semana. Segundo Batista, vários interessados já estiveram em seu escritório no bairro do Flamengo, Zona Sul do Rio. Entre eles o presidente do Centro Financeiro Internacional de Dubai, Omar Bin Sulayman. Agora, os executivos da OGX vão começar um giro pela Europa, Estados Unidos, Oriente Médio e Ásia. 

Em dezembro do ano passado, a empresa fez uma emissão privada com captação de US$ 1 bilhão. Entre os investidores institucionais que entraram na OGX estão o canadense Ontario Teacher's Pension Plan (OTPP), maior investidora na operação, além do Gávea Investimentos, pilotado por Armínio Fraga; e dos banqueiros André Esteves e Gilberto Sayão, ex-Pactual. O próprio Batista diz que investiu, como pessoa física, outros US$ 370 milhões. Ele estima o valor de mercado da OGX, ainda antes do IPO, em US$ 16,3 bilhões. O futuro dirá. 

Para pilotar a MMX no lugar de Landim foi indicado Joaquim Martino, ex-diretor de operações do Sistema Carajás da Vale e ex- diretor de operações dos três sistemas da MMX - Amapá, Minas Rio e Corumbá. Um "super-administrador" que, segundo Batista, colocou o projeto de mineração da MMX Amapá em pé em tempo recorde, um ano e oito meses. Nelson Guitti, ex-diretor financeiro da BR Distribuidora, permanece na diretoria financeira da MMX. 

Batista discorda da avaliação de que a MMX tenha emagrecido depois da venda do controle do Sistema Minas-Rio e 70% do Sistema Amapá à Anglo American. "Eu vendi parte da MMX para a Anglo para capitalizar o grupo. O investidor quer que você invista o dinheiro que ele lhe dá, que você crie riqueza, mas não se apaixone pelo ativo. O negócio é criar riqueza", comenta. O plano original da MMX previa produzir quase 40 milhões de toneladas. Agora ficará com 6 milhões, com previsão de chegar a 15 milhões nos próximos anos. 

Batista diz que foi convidado pela Anglo a ocupar a presidência do conselho da nova empresa que será criada pelo grupo sul-africano. Dalton Nosé, ex-Vale, deixa a MMX para ser o diretor-geral do projeto de construção da Iron X. A conclusão da venda de ativos para a Anglo vai exigir uma reestruturação da MMX, que será cindida em três ativos. A Iron X vai concentrar os ativos vendidos para a Anglo, incluindo 49% da LLX, empresa de logística. Restarão em poder da MMX de Eike Batista, 51% da LLX, o sistema Corumbá, e as duas minas de minério de ferro da AVX, em Serra Azul, Minas Gerais. Este ano essas minas - AVG e Minerminas - vão produzir 6 milhões de toneladas de minério de ferro. A meta é dobrar a produção até 2010. 

Eike Batista enumera esses ativos para mostrar que a MMX não emagreceu. "Posso dizer que o que sobrou tem o mesmo valor do que foi vendido". Segundo ele, só o controle da LLX vale mais de US$ 5,5 bilhões (que é o valor pago pela Anglo pelas minas de Serra do Sapo e por 49% da empresa de logística). Além disso, ele está partindo para comprar novas minas para sua mineradora. "O Brasil está cheio de projetos de mineração, é só descobri-los". 

O Sistema Corumbá, único que restou dos três sistemas iniciais, não será posto à venda. Seu potencial de produção é de 4,9 milhões de toneladas anuais de minério de ferro, 400 mil toneladas por ano de ferro-gusa e 500 mil toneladas anuais de tarugo da Corumbá Metálicos. A idéia de Batista é buscar sócios para esses negócios. 

Uma parceria já está em fase final de acerto entre a MMX e a Rio Tinto. Batista pretende se associar com a Rio Tinto na Mineração Corumbaense Reunida (MCR), em Corumbá (MS), na divisa com a Bolívia. Há interesse das duas partes no negócio porque a presença da MMX garantiria à Rio Tinto manter a exploração da MCR em faixa de fronteira, considerando que estrangeiros, por lei, não podem ser controladores de mineradoras em áreas fonteiriças do país. 

Não por acaso, a Bolívia ainda é tema de interesse do empresário, que na terça-feira recebeu a visita de um deputado boliviano que lhe deu de presente uma cópia de "Cocalero", documentário do cineasta Alejandro Landes, que mostra a campanha eleitoral de Evo Morales à presidência. Batista vai se encontrar com Morales no dia 22. Depois da nacionalização promovida por Morales, a qual também atingiu a mineração, o empresário brasileiro paralisou os investimentos da EBX na siderúrgica de Puerto Quijarro e vendeu sua participação na mina de prata Apex Silver. 

Agora, Batista está mais focado no projeto da MCR no Brasil e não descarta a possibilidade de passar adiante suas plantas de ferro-gusa na Bolívia. Se selar uma sociedade com a Rio Tinto, Batista poderá escoar as 15 milhões de toneladas de minério de ferro da MCR que hoje são transportadas por barcaças pelo rio Paraguai. Elas passariam a ser embarcadas pela Brasil Ferrovias, da ALL, que vai de Baurú (SP) a Corumbá (MT). Neste caso, o minério de ferro poderá ser exportado pelo porto Brasil, em Peruíbe, no litoral paulista, outro megaprojeto da LLX em gestação. 

Outro ativo do sistema Corumbá, a Corumbá Metálicos também terá sócios. Entre os potenciais parceiros estão a siderúrgica americana Nucor e mais três usinas nacionais cujos nomes Batista não quis citar. A Corumbá Metálicos produz tarugos e poderá fabricar também vergalhões para atender a construção civil e placas de aço. O empresário trabalha com a possibilidade de instalar na região de Corumbá um pólo siderúrgico, antigo sonho da Rio Tinto. 

Na conversa com o Valor, o empresário destilou uma "usina" de idéias de investimentos. Menciona os projetos de mineração e energia, ao mesmo tempo em que se empolga com a utilização de microalgas para captar dióxido de carbono de suas térmicas a carvão, e delas fazer biodiesel, de modo a obter selo de carbono neutro. "Sou movido a desafios e o Brasil está nos dando uma plataforma para construir um país."

E antecipou que seu próximo grande negócio será na área naval. "Quero construir um megaestaleiro no Brasil. O ideal é que seja no Rio para estar perto da produção de placas de aço. Estou aguardando sugestões do governador quanto ao melhor local. Vamos usar know-how chinês, coreano ou japonês". 

No momento, o megaprojeto da LLX, que prevê a construção de um mineroduto para transportar minério de ferro de Minas Gerais até o Porto do Açu, que fica em São João da Barra (Norte do Rio), começa a sair do papel. Nas palavras de Batista, o porto "está bombando". O empreendimento vai custar US$ 3 bilhões e a partir do dia 18 poderá ter lançada sua pedra fundamental. "Avisei ao governador Sérgio Cabral para marcar data para o presidente Lula e a ministra Dilma (Rousseff, da Casa Civil) virem inaugurar o porto". 

O empresário conta que já foram assinados 30 memorando de entendimento (MOUs) no valor de R$ 30 bilhões com empresas como Iveco, Bunge, Votorantim, Louis Dreyfus, entre outras, que terão no local acesso a áreas de armazenagem, energia elétrica e telefonia, sem contar é óbvio, com o embarque e desembarque de produtos. A âncora da retroárea do porto, que terá 20 mil metros quadrados, será uma siderúrgica. 

No momento, a LLX negocia com a argentina Techint e com a coreana Posco. Quem der melhor oferta leva o terreno. Mas outro desenho pode abrir espaço para as duas conviverem. O projeto da Techint prevê a produção de 1,3 milhão de toneladas de tubos sem costura e mais 3,7 milhões de toneladas de placas de aço. A Posco também tem plano de fabricar no local 5 milhões de toneladas de placas de aço para exportação. O grupo de Batista não pretende se associar a nenhum desses empreendimentos. "Nossa atuação no porto será apenas de embarque de mercadorias e oferta de serviços." 

A meta da LLX é oferecer até 5.100 megawatts (MW) de energia aos usuários do porto fluminense. Serão construídas três termelétricas movidas a carvão com capacidade de produzir 700 MW cada uma. O empresa responsável pela obra será a japonesa Sumitomo. 

Batista reage à menção de que essas térmicas possam poluir o ambiente. "De jeito nenhum. Vamos usar tecnologia de carvão limpo. O carvão terá baixo enxofre e alto teor calorífero. Vamos alimentar essas plantas com caviar. Tudo isso pagando frete de US$ 15", afirma. O carvão será importado de duas minas na Colômbia que Batista acabou de comprar por US$ 18 milhões. 

Quando outras térmicas forem construídas, vão usar gás como combustível. Uma pequena parte da energia, cerca de 50 MW, será gerada por células fotoelétricas mas até 2013 a idéia é gerar 1.000 MW de energia solar. A tecnologia deve ser da chinesa Yingli Solar. A MPX também pretende construir uma térmica de 360 MW no Maranhão e três usinas de 360 MW, cada, no porto de Pecém, no Ceará. 

O empresário não informou o faturamento de seu grupo de empresas. O balanço da MMX apontou receita bruta operacional R$ 206 milhões em 2007. Segundo sua assessoria, a MMX teve também receita não-operacional de US$ 874 milhões. 


Valor Econômico

São Paulo/SP

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