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Comitê decide manter termelétricas a óleo ligadas por mais 15 dias

28/03/2008

Jerson Kelman, diretor-geral da Aneel: preocupação com impacto da operação das térmicas nas contas de luz

As principais autoridades do setor elétrico decidiram ontem manter ligadas as usinas térmicas a óleo diesel, mais caras e poluentes, pelo menos durante os próximos 15 dias. A medida foi tomada "por precaução", a fim de buscar tranqüilidade na operação do sistema ao longo de 2009, conforme explicou o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. 

A decisão, porém, foi unânime. O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Jerson Kelman, defendeu que fossem desligadas ao menos as termelétricas do Sudeste movidas a óleo. Na reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), Kelman demonstrou preocupação com o impacto do custo de operação das térmicas nas contas de luz dos consumidores, mas foi voto vencido. Segundo as autoridades, o custo de acionamento das usinas movidas a óleo em todo o país é de R$ 400 milhões ao mês. 

Lobão tratou de minimizar o impacto tarifário. "Quando tiver que haver o reajuste das tarifas, será quase imperceptível, de tão baixo que ele seria", afirmou. O diretor-geral da Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, reforçou o discurso. "O valor, diluído na conta de todos os consumidores, termina sendo muito pequeno."

Atualmente, as usinas térmicas têm gerado diariamente pouco mais de 5.000 megawatts (MW) médios. Desde janeiro vêm sendo acionadas quase todas as termelétricas a gás natural, além da maioria das usinas a óleo, no Nordeste e no Sudeste. Térmicas a carvão, na região Sul, também têm sido usadas. A medida, pouco comum em pleno período de chuvas, foi adotada devido à queda no nível dos reservatórios, que levantou o fantasma de um novo racionamento no início do ano. 

Com chuvas fortes e a entrada em funcionamento do gasoduto Cabiúnas (RJ) - Vitória (ES), além do redirecionamento do gás utilizado pela Petrobras para consumo próprio às térmicas, o problema foi totalmente superado, na avaliação do ministro. "Não estamos preocupados com 2008", enfatizou Lobão. "A nossa preocupação é mantermos a situação de segurança que temos hoje para 2009, 2010 e assim por diante."

Na próxima reunião do CMSE, daqui a cerca de 15 dias, o governo vai avaliar novamente a possibilidade de desligar as usinas a óleo, principalmente aquelas da região Sudeste - há outras no Nordeste. "Devemos desligar todas as térmicas a gás e a óleo, de uma vez ou gradualmente cada tipo de usina", completou Lobão. 

Os reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste continuam se recuperando rapidamente e já estão com 77,4% de sua capacidade máxima de armazenamento, com folga de 11 pontos percentuais em relação à "curva de aversão ao risco" - o nível mínimo para a operação do sistema com plena segurança. No Norte e no Nordeste, o nível está em 80,9% e 62,5%, respectivamente. A situação é menos confortável no Sul, onde os reservatórios estão com 43,4% da capacidade total e tem chovido apenas 64% da média histórica em março. "Temos uma situação que ainda não é confortável no Sul e no Nordeste", admitiu Lobão. "Vamos dar mais um tempo (com as térmicas acionadas), na esperança de que tenhamos maior conforto", concluiu o ministro, indicando a tendência de desligar as usinas na próxima reunião do CMSE. 


Valor Econômico

São Paulo/SP

Brasil

28/03/2008

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