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Sem Xstrata, ações da Vale sobem 4,5%

27/03/2008

Livre - pelo menos por enquanto - das incertezas quanto aos impactos de uma possível aquisição bilionária, os papéis da Companhia Vale do Rio Doce (Vale) apresentaram forte alta ontem na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). As ações ordinárias da companhia atingiram cotação de R$ 59,51 no fechamento do pregão de ontem, alta de 4,36% em relação do dia anterior. Com isso, recuperou das perdas do início do ano e já acumula alta de 0,34%. Já as preferenciais subiram 4,56%, para R$ 49,75, recuperando parte das perdas acumuladas desde janeiro; agora estão em baixa em 1,97%.

Analistas do mercado financeiro avaliaram como positiva a desistência temporária da negociação para a compra da mineradora anglo-suíça Xstrata e indicaram que as ações da companhia devem agora apresentar forte elevação, precificando os recentes aumentos de preços do minério. "Até agora o mercado não tinha reagido a esses reajustes porque aguardava qual seria o resultado da negociação e seu impacto", afirmou o analista de mineração e siderurgia do Unibanco Corretora, Rogério Zarpao.

Em relatório, a corretora indica que o preço-alvo das ações preferenciais da mineradora é de R$ 74, aproximadamente o mesmo valor indicado pela Brascan Corretora. Representa alta de 55,7% em relação à cotação de terça-feira, antes do anúncio da desistência. "Os reajustes para minério de ferro, de 65%, e de pelotas, de 86,7%, foram muito acima do que o mercado esperava, de 65% e 60%", disse Zarpao.

Rodrigo Ferraz, analista da Brascan, destacou que as duas mineradoras avisaram que a negociação ainda pode ser retomada nos próximos seis meses. "Dependendo do impacto da crise da economia norte-americana na Europa e na Ásia, principalmente da China, o preços das commodities metálicas poderão entrar em baixa e refletir no valor de mercado das mineradoras", disse. Ferraz avalia que caso o preço da ação da Xstrata caia para valor abaixo da proposta negociada com a Vale, a principal acionista da mineradora, a Glencore, pode reavaliar a oferta e passar a achar a transação atrativa. Ontem os papéis da Xstrata chegaram a cair 12% e fecharam em queda de 5,22%, cotados a 35,22 libras; eliminando a alta de 4,68% que as ações da companhia acumulavam desde janeiro, quando se fortaleceram os rumores sobre a negociação.

Além da retomada das conversas com a Xstrata, a Vale também pode optar por iniciar negociações para a compra por outras empresas. O presidente da companhia, Roger Agnelli, afirmou na noite de terça-feira que a mineradora continuava interessada em aquisições, especialmente de ativos de cobre e carvão.

Analistas da Goldman Sachs afirmaram ontem que a mineradora brasileira pode passar a avaliar a aquisição da norte-americana Freeport-McMoRan Cooper & Gold, segunda maior produtora de cobre do mundo. "A Freeport poderia ser uma ótima solução para a estratégia da Vale de aumentar a exposição à commodities que as economias emergentes precisam para industrialização e urbanização", afirmou o Goldman Sachs, sugerindo a compra das ações da empresa.

O analista do Unibanco acrescentou na lista de possíveis alvos de interesse da Vale também a norte-americana Southern Copper Corporation (SCC) e a chilena Antofagasta PLC.


Gazeta Mercantil

São Paulo/SP

Indústria

27/03/2008

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