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Captações estão mais restritas mas aquisições demandam articulações à parte, diz diretor da Vale

24/03/2008

RIO - O diretor-executivo de finanças da Vale, Fábio Barbosa, confirmou hoje que o mercado internacional está mais restrito para tentativas de captação de recursos, como reflexo da crise que aflige a economia dos Estados Unidos. Mas tais restrições não devem afetar as negociações para uma possível aquisição da mineradora anglo-suíça Xstrata, uma vez que, segundo Barbosa, processos de aquisição demandam uma "articulação à parte".

"Quando há projetos de aquisição, isso é uma articulação à parte, não é uma operação corriqueira de mercado. Não estou dizendo que é a nossa situação, porque eu não posso comentar especificamente", ressaltou Barbosa, que evitou comentar o caso específico da Xstrata.

De acordo com o executivo, o aumento do rigor para a concessão de crédito não vai alterar a projeção de investimentos da mineradora, de US$ 11 bilhões para este ano e US$ 59,1 bilhões até 2012.

"A crise torna o mercado mais restrito, mas cada caso é um caso", afirmou Barbosa, que participou hoje do seminário Cenários da Economia Brasileira e Mundial em 2008, promovido pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, com o apoio do
Valor Econômico. "Temos uma situação privilegiada de acesso ao crédito", acrescentou.

O executivo revelou que a empresa busca, como alternativa, entrar em regiões "não usuais" para busca de recursos, como Ásia e Oriente Médio. Um exemplo destacado por Barbosa foi o fundo Qatar Investment Authority, cujos representantes mantiveram contatos recentes com a empresa durante uma visita ao Brasil.

"Queremos aumentar nossa base de investidores, nosso perfil em outras regiões onde se observa maior crescimento das economias, onde empresas como a Vale podem ser bastante interessantes", disse Barbosa, lembrando que, no ano passado, o plano de investimentos da companhia foi apresentado a possíveis investidores dos Emirados Árabes, Kuwait e China.

Durante palestra no seminário, Barbosa se mostrou animado com as perspectivas para o mercado de mineração, apesar da iminente recessão americana. O diretor da Vale rebateu afirmações de que a forte alta recente das commodities metálicas foi decorrente da migração de recursos de investidores ávidos por lucros com a variação de preços dos produtos.

Segundo Barbosa, a elevação de preços do minério de ferro e do carvão acompanhou a alta de metais cotados na London Metal Exchange (LME), a bolsa de commodities do Reino Unido. "Isso não é especulação, é demanda", frisou Barbosa.

(Rafael Rosas | Valor Online)


Valor Econômico
São Paulo/SP
Mineração e metalurgia
24/03/2008

 

 

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