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ARTIGO - O Carvão na Pauta do Mundo - Fernando Zancan

20/03/2008

"O carvão deverá permanecer como uma das mais importantes fontes de energia primária nos próximos 40 anos, ultrapassando o petróleo como fonte dominante de suprimento mundial após 2015", estas são as declarações do vice-presidente da Royal Dutch Shell PLC, Jeremy Bentham, num comunicado à imprensa em Londres, dia 14 de fevereiro deste ano. Os estudos de cenários energéticos para 2050 realizado pela Shell e apresentado à imprensa mundial, ratificam a posição que a ABCM vem relatando, e que tem impactos em nossa matriz energética, já que importamos gás e hoje fala-se em térmicas a carvão importado no nordeste brasileiro. Na visão da Schell, a demanda por petróleo e gás, particularmente nos países asiáticos (China e Índia, especialmente) será crescente e o pico de produção poderá ocorrer entre 2015 e 2020. Apesar das pressões de redução das emissões de CO2, o carvão deverá ser o substituto natural no mundo dos fósseis, que permanecerão com cerca de 80% do atendimento da demanda mundial de energia em 2050. Bentham afirma que a era do petróleo e do gás de produção fácil e barata está acabando, o que dificultará o atendimento de um mercado mundial comprador destas energias, sendo uma verdade que a indústria do petróleo tem que admitir. O carvão, por sua vez, continuará crescendo, talvez a taxas não tão grandes como na última década, porque é de fácil produção e transporte, barato e abundante, com suas reservas concentradas (76%) em grandes potências como EUA, China, Índia, Austrália e Rússia.

Cabe salientar que a opção nuclear não aparece com o papel significativo no cenário da Shell, apesar de duplicar sua participação em relação a 2000. "A indústria nuclear foi quase desativada nos últimos 20 anos, uma grande quantidade de usinas deverão ser descomissionadas na próxima década e recriar uma indústria leva tempo", afirma Bentham. A importância do carvão como energia é inegável, mas também é a sua participação como insumo, via carboquímica, para várias indústrias, incluindo fertilizantes (amônia, uréia, sulfato de amônia), combustíveis líquidos (diesel, lubrificantes, etc). A China, África do Sul e EUA têm investido bilhões de dólares em plantas de gaseificação para produção destas commodities. Na América do Sul, vemos a crise de energia do Cone Sul estar na pauta dos últimos anos e sem perspectiva de solução a curto prazo. A Bolívia sem condições de honrar seus contratos de gás com Argentina e Brasil. A Argentina precisando de energia brasileira para passar seu inverno e o Brasil dependendo de "São Pedro". O Uruguai está negociando a compra de energia com a Tractebel Energia, o que viabiliza uma térmica a carvão em Candiota, onde existe a maior reserva de carvão do Brasil. Por sua vez, a Argentina já fala, também, em fazer usinas a carvão importado. No Brasil, em 2007, a Tractebel bateu recordes de produção nas usinas do complexo Jorge Lacerda e a previsão para 2008 e 2009 é similar. O carvão está definitivamente na pauta energética mundial e no Brasil não é diferente.

 

Fernando Luiz Zancan
Presidente da Associação Brasileira do Carvão Mineral – ABCM


Jornal da Manhã

Criciúma/SC

Artigo

19/03/2008

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